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Quinta Dimensão

Monty Hall

Abril 06, 2021

250px-Monty_open_door.svg.png

Longe de ser matemático (apenas um reles martemático*) deparei-me, há muitos anos atrás, enquanto lia um pequeno livro, com um enigma. Um problema que, paradoxalmente, ajuda a encontrar soluções. É conhecido como o “Problema de Monty Hall”.

 

De forma minimalista, o enunciado traduz-se da seguinte forma:

“Estamos num concurso televisivo. No cenário existem três portas fechadas. Sabe-se que atrás de uma das portas está um prémio - na forma de automóvel - e cada uma das outras portas esconde uma desilusão - na forma de bode. O apresentador dá a possibilidade de o concorrente escolher uma porta. Escolhida a porta, o apresentador (que sabe onde está o carro), decide apimentar o concurso com um pouco mais de suspense e abre uma das outras portas, revelando um bode. Estão agora duas portas fechadas e o apresentador pergunta ao concorrente se quer manter a decisão ou escolher a outra porta. O concorrente encontra-se num dilema e terá que decidir se segue a convicção inicial e mantém a decisão ou, pelo contrário, muda e opta pela outra porta ainda fechada.”

 

Para resolver este problema, de uma forma simples, vamos definir três portas fechadas, batizando-as de: “Porta A”, “Porta B” e “Porta C”. Vamos, também, convencionar que o carro se encontra atrás da “Porta A” e atrás da “Porta B” está um bode, assim como atrás da “Porta C” está outro bode. Então temos:

“Porta A” fechada com o carro;

“Porta B” fechada com um bode;

“Porta C” fechada com um bode.

Agora vamos esquematizar o reino das possibilidades (o que poderá acontecer):

  1. O concorrente escolhe a “Porta A” (onde está o carro);
    • O apresentador abre uma das outras portas (onde está um bode) e o concorrente muda para a outra porta fechada (onde também está um bode). – O concorrente ---> PERDE;
  2. O concorrente escolhe a “Porta B” (onde está um bode);
    • O apresentador só pode abrir a “Porta C” (onde está o outro bode) e o concorrente muda para a “Porta A” (onde está o carro). – O concorrente ---> VENCE;
  3. O concorrente escolhe a “Porta C” (onde está um bode);
    • O apresentador só pode abrir a “Porta B” (onde está o outro bode) e o concorrente muda para a “Porta A” (onde está o carro). – O concorrente ---> VENCE;

Inicialmente o concorrente tem uma possibilidade em três de acertar na porta que oculta o carro. A troca de porta resulta num rácio de vitória de duas possibilidades em três.

 

Não é fácil criar espaço entre o pensamento e as convenções ou perceções que vamos adquirindo ao longo dos anos. As próprias convicções só poderão ser importantes se não nos cegarem e nos limitarem. Muitas das convicções são construídas no passado, em dias que sabíamos menos que hoje, sendo que hoje sabemos pouco. É, pelo menos, um problema matemático que nos incita a fazer contas à vida. Invocando a minha avó materna, já dizem os ditados que “o diabo está nos detalhes” e “quem muda Deus ajuda”.

 

https://pt.wikipedia.org/wiki/Problema_de_Monty_Hall

Bicho da Sede

Março 17, 2021

web.png

Agora percebo:

 

Ninguém me ama,

 

não mais do que me odeio.

 

Um velho mancebo,

 

que se apaga e jamais inflama.

 

Um calhau sem matéria no meio.

 

 

 

Agora percebo:

 

Ninguém me liberta,

 

não mais do que me prendo.

 

Este veneno que bebo,

 

que me afaga no seio da morte certa.

 

Um Ser que não é mas vai parecendo.

 

 

 

Agora percebo:

 

Ninguém me elucida,

 

não mais do que me confundo.

 

As orações ao Verbo,

 

que nunca ressuscitaram vida.

 

Um bicho do fim do mundo.

Nua e voluptuosa, parece perdida.

Março 16, 2021

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Algures, nestes tempos em que sonho e realidade se confundem, perdi a alma.

 

Escrevo quando me seca a língua e humedecem os olhos.

 

Quando sinto sede de algo que não sei.

 

Com letras trocadas, palavras baratas e frases desconexas.

 

Tenho uma queda natural para o erro.

 

Mas é o erro que me faz e é o erro que me desfaz.

 

Não há mais. É tudo o que sou.

 

São cartas que dirijo ao vazio da solidão.

 

E, hoje, não aguardo pelos seus ecos.

 

Hoje não aguardo pelos seus ecos.

 

Hoje não aguardo pelos seus ecos.

Existir sem Ser

Fevereiro 01, 2021

Ser.png

A alma e os seus labirintos:
calçadas sombrias de um outro mundo.
Estranhos e lúgubres infinitos,
ecos de um poço sem fundo.

Grito-me com todos as forças
e silencio-me com todas as fraquezas.
Há muito que empurro um saco de liças,
pleno de farsas e vazio de certezas.

Ao longe uma mulher abstrata.
Nua e voluptuosa, parece perdida.
Afasta-se nas ondas de um sonho de prata
e, quanto mais distante, maior a ferida.

(Vi)rus

Janeiro 18, 2021

covid.jpg

Quantas vezes me senti pequeno para mudar o mundo?
Mas o mundo mudou. Por algo, tão minúsculo, que não vejo.
Agora, o que não vejo, faz-me ver a minha tão grande cegueira:
Sou pequeno quando abdico de crescer.

Não Vais Morrer

Janeiro 10, 2021

arcoiris.png

O meu avô paterno tinha os seus defeitos, mas isso não importa porque era meu amigo.

Vivíamos na mesma casa: eu, os meus pais e os pais do meu pai. O meu avô estava aposentado devido a problemas de saúde provocados pelo pó das minas. Mas, como se não bastasse, para além de ter sido mineiro, era um fumador convicto.

Uma noite, por volta dos meus cinco anos, lembro-me de estar na cozinha com os meus avós e pai. Devia estar a brincar enquanto falavam de algo relacionado com o resultado de uns exames que o meu avô fizera aos pulmões. Apesar de não prestar atenção ao que era dito, o tom acelerado da conversa provocava-me uma crescente ansiedade. Por fim o meu pai, dirigindo-se ao meu avô, disse num tom frio e imperativo:

- Pai, você vai morrer!

Não me recordo do que foi dito até então nem, tão-pouco, do que foi dito após. Apenas essa frase seca. Nunca, até aquele momento, tinha sentido dentro de mim e à minha volta, um tão grande vazio. Vejo o meu avô retirar-se, cabisbaixo e solitário, na direção do quarto. Naquele momento surreal creio que tomei uma das decisões mais importantes da minha vida e fui ter com ele para ser seu amigo.

Estava deitado na cama, barriga para cima, ausente nos seus pensamentos. Sentei-me em cima dele. O meu pai sempre primara pelo egoísmo e pela ausência e, essa ausência, era-me disfarçada pela nobreza do meu avô. Não sabia o que fazer ou dizer para que se sentisse melhor. Para eu próprio me sentir melhor. Mas, passado algum tempo e enquanto brincava com o seu relógio de pulso, acabei por sussurrar-lhe:

- Avô, tu não vais morrer.

Passado muito pouco tempo, adoeceu seriamente. Passou por um sofrimento atroz de modo que fantasmas o afastaram da realidade e deixou de nos conhecer. Lembro-me de o ver contorcer-se com dores e da dor que era olharmo-nos sem nos vermos. Morreu poucos meses depois.

A vida – ou a morte – encerra curiosidades, algumas tristes. Enquanto brincava com o seu relógio e lhe dizia que não ia morrer... O tempo e a morte já o reclamavam. Hoje, quando me dizem que vai tudo ficar bem, digo que sim, mas não acredito muito. Quando digo a alguém que vai tudo ficar bem... bem, talvez hipocritamente, acredito pouco.

Mas a vida abre curiosidades, algumas menos tristes. Enquanto brincava com o seu relógio e lhe dizia que não ia morrer... Passados este anos todos, o meu avô está vivo: nestas palavras, nesta saudade. Neste peito.

Memo

Janeiro 08, 2021

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As memórias são sombras da sombra do que fomos.

São vultos que se esfumam na bruma do esquecimento.

E, por cada memória que guardei, quantas perdi?

Algumas escondem-se de mim. Outras, escondo-me delas.

Algumas enganam-me.

Lembro-me de, em criança, escalar uma estátua de bronze.

Não compreendia o seu significado e não a respeitava.

Lembranças de infância, cada vez mais baças e confusas.

Lembranças que vou esquecendo. Pedaços de mim que perdi.

E, com tantas perdas, já se faz tarde sem que me descubra, mas...

Se me lembrasse de quem sou, seria eu.

Hoje sinto-me uma liga de cobre estranho.

Longe de ser herói, sinto-me perdido na estátua:

O Soldado Desconhecido.

Espelho, espelho meu...

Dezembro 22, 2020

paterson.jpg

Um dia vi um filme sobre um homem comum que escrevia poemas. Depositava-os num pequeno caderno. Quase no fim do filme, perplexo, encontrou as folhas do caderno desfeitas numa infinidade de pedaços irrecuperáveis. Metaforicamente como se um espelho, com a sua personalidade, se tivesse desfeito à sua frente. Um poema é mais que uma memória, uma observação ou um desejo. É, possivelmente, um pedaço da alma de quem o gera.

Sei, empiricamente, que onde falta alma sobra escuridão e vazio. Sei e sinto, concretamente, essa escuridão. Tantas vezes me vejo espelhado em pedaços irrecuperáveis.

Como eu, também um dia, os meus poemas se vão partir. A alma semiperdida diluir-se-á, com tantas outras, num mar de esquecimento e, sem misericórdia, o tempo apagará todas estas linhas. Contudo nada disso importa, pois apenas escrevo para me sentir inteiro e, tudo isto, nas entrelinhas.

Passeios noturnos

Fevereiro 09, 2020

Tem noites em que vou passear o cão.

Às vezes por ele, outras vezes por mim.

Hoje, uma parte de mim que achava morta, mordeu-me… e fui passear o cão.

Tem noites em que a morte vive.

Às vezes por ela, outras vezes por mim.

Hoje mordi-me… e fui passear o cão.

 

cao.png

 

Nevoeiro

Agosto 06, 2019

Chegamos à praia, eu e a bicicleta.

Já não somos novos mas fugitivos de Cronos.

É cedo e uma cortina de nevoeiro cerrado faz-me questionar se estou acordado.

Contemplo o mar: cinzento e sereno.

Um vem e vai de pequenas ondas que cantam como sereias.

Deixo-me seduzir.

A espuma acaricia a areia enquanto me tenta alcançar.

Tudo é simples e, no entanto, tão belo.

Deixo-me estar.

As pegadas unem-se aos passos que não dei.

Deixo-me ir.

A maresia e o orvalho trespassam a máscara e acariciam-me o rosto.

Sinto a alma e, nesse momento, dou por mim menos desacompanhado.

Deixo o ser e deixo-me ser.

Encontro-me.

Mas, com tanto nevoeiro, o mais certo é perder-me.

IMG_20190803_101034.jpg

 

Nunca Caminhamos Sós

Julho 20, 2019

Nunca caminhamos sós.

Quando, com a minha solidão, serpenteio pelas ruelas da cidade.

Quando, corcunda, carrego a sombra pelos trilhos apagados de uma qualquer floresta.

Quando o sono me transporta até à orla do insondável.

Quando uma lágrima cede à gravidade.

Nunca caminhamos sós.

Os nossos fantasmas acompanham-nos.

 

ejail

Sombra Lunar

Abril 11, 2012

Parece-me, de noite, ver alguém na Lua,

solitário e prisioneiro do seu lado oculto.

Parece navegar as cinzas numa falua

e arrastar-se no sedimento como um vulto.

 

Existirão seres extra-terrestres,

ou será apenas a névoa do meu olhar cansado?

Talvez só chamando cientistas e mestres,

para vencer as crenças e os dogmas do passado.

 

O mais certo é eu estar aluado,

desgostoso pela gravidade do espaço.

Triste e despedaçado por não ser amado

e ansioso por me deitar num regaço.

 

Mas não!

Não estou louco nem estafado,

muito embora haja quem diz o contrário.

É que não é fácil ludibriar o fado:

lá em cima só eu e este pobre diário.

divãgações cronodesmedidas

Agosto 04, 2010

(imagem retirada da internet)

 

O meu relógio procura imitar um círculo perfeito, andando, sempre, para a frente, mesmo quando já está, outra vez, a voltar para trás. Não regula bem. Percorre um segmento de tempo: a exacta quantidade de tempo correspondente ao intervalo entre o seu nascimento e consequente, inevitável, extinção. Corre, passo a passo, com fé, com confiança, com paciência, com determinação na busca da constância. Quase equânime.

 

Mas o tempo é como uma roda de hamster. É uma prisão e uma arma de destruição maciça que mata com o desgaste da erosão. Não mata o Todo mas mata tudo. Até os ideais, que nada mais são do que modas com outro nome. O tempo passa por tudo e tudo aquilo que é passado pelo tempo é isso mesmo: passado – passado: devorador insaciável de presentes, de presente.

O arco do tempo é, ao que a minha vista alcança, infinito. O seu movimento é perpétuo. A sua obra é perene e num estranho contra-senso inacabada, acabando, contudo, com tudo. Tudo abarca e só ele é eterno. Tudo o mais é seu interno. Não o tocamos. Ele toca-nos e como ele nos toca.

Tudo é barro nas mãos do tempo e aquilo que começa é barro daquilo que acabou e aquilo que acabou é barro daquilo que noutro tempo começou.

 

Mas é para a frente que se faz o caminho... um caminho de barro, embora.

O meu relógio indica... não importa! Que importa o que diz o relógio? Talvez deva começar a ler os tempos e não os relógios. É, talvez, tempo de vender (ou dar) um relógio.

O meu relógio procura imitar um círculo perfeito, mas está longe de ser uma obra perfeita. É apenas um objecto que persegue algo maior e intangível. É preciso mas até que ponto preciso da sua precisão. São horas de perguntar o tempo e não tempo de perguntar as horas!

 

E sinto o tempo passar através dos átomos que compõem a minha carne. Sinto o tempo trespassar os fotões e a matéria negra que compõem a minha alma.

Sinto-me um ponto, infinitamente pequeno, num plano infinitamente grande. Sinto-me uma partícula de tempo e matéria, um instante relativo numa eternidade absoluta.

Não sou daqueles que se sentem grandes num mundo pequeno. Não sou daqueles que se sentem pequenos num mundo grande. Não sou daqueles que se sentem.

Sou daqueles que não sabem o que sentem. Sou daqueles que não sabem as respostas. Sou daqueles que desconhecem as perguntas. Sou daqueles que o tempo vai enterrar no esquecimento.

Sou daqueles que precisa de acreditar em Deus para sentir a segurança que a queda contínua num abismo não pode proporcionar. Sou daqueles que, de forma hipócrita, fala para o céu em busca de uma luz quando o olhar escurece. Sou este execrável. Sou este homem que se consome. Este homem que o tempo há-de consumir.

 

A Todos Que Passaram Pela Quinta Dimensão

Junho 10, 2009

 

As palavras não são sentimentos,
não os traduzem.
Porque, sempre que os tentam traduzir, algo se perde.
E, quando se fala de sentimentos, se algo se perde, tudo se perde.
As palavras não são e não traduzem sentimentos!
Podem, no entanto, toca-los.
Como um piano pode tocar uma melodia
e como uma melodia pode tocar a alma.
Como gotas de chuva podem tocar o rosto
e como um rosto molhado pode inquietar a alma.
Ou...
Como o vento persistente pode tocar um solo
e o solo pode tocar o indivíduo, afastando-o da multidão.
As palavras são construções do homem
e os sentimentos, desconstruções da humanidade.
As palavras são pontos do mapa
e os sentimentos pontuações do terreno.
Se algo é:
as palavras são o que são
e os sentimentos são o que são.
No que me diz respeito: sinto muito, por escrever.
Mas também escrevo por sentir muito.
Se calhar não me diz respeito.
Se calhar não sei, tão-pouco, quem sou.
Afinal, quem somos nós?
Não respondo com palavras.
Pergunto-me com sentimento!

 

ejail.

Jogadas Mentais

Fevereiro 21, 2008

- Ando como que a jogar xadrez com o meu blog.

Não! É mais grave ainda…

- Ando como que a jogar xadrez com a minha vida e tenho, neste estranho jogo de Xadrez mental, um adversário que, a ser, será um Ser que são muitos Seres.

 (Imagem retirada da Internet)

Como um jogador, que move cautelosamente as peças no tabuleiro, troco as ideias de lugar na densidade dos pensamentos. São ideias pesadas, que se esfumam, numa mistura de liga pesarosa e crepitante. São ânsias que procuram saltar para além das barreiras do medo e desejos que lutam para se materializarem num mundo de dúvidas e incerteza. São frustrações que, uma-a-uma, o passar do tempo parece ter calcinado no espírito. São rebeldias que agora são conformismos, fazendo lembrar outros anjos que agora são demónios diluídos nos remorsos. É um espírito quebrado pelas limitações do corpo e da mente.

Será uma estupidez tão grande dizer que me sinto prisioneiro de mim mesmo?

Como o vento que não se vê directamente mas que despenteia os cabelos, o tempo lavra com rudeza as feições nuas do meu rosto. O tempo: essa entidade que se coloca por direito próprio, ou por simples arrogância, acima do banal da tridimensionalidade mundana. O imortal assassinando, com relativa paciência, tudo o que é mortal. Desgastando a vida até ao pó. Mudando-me por fora e alterando-me por dentro. O tempo: conselheiro, agitador, mensageiro que me traz (e me leva) sentimentos e pensamentos. Que me faz, nesta hora, questionar: Como é possível estar vivo e sentir que não vivi? Como é possível sentir que não vivo? Como posso viver sentindo, no íntimo, que não saberei viver?

Talvez a resposta seja, não sei, esperança… Porque a esperança é como a cenoura na ponta do nariz do cavalo, que o faz andar em frente na tentativa vã de lhe deitar o dente. Talvez a resposta venha com o tempo. Há cavalos que conseguem… uns mais cedo, outros mais tarde…

 

Uma boa tarde!

ejail (afectado por uma gripe vírica).

Não vou estar por aqui mas vou andar por aí!

Fevereiro 06, 2008

Costumes, tradições e ritos, seguidos e quebrados de forma ridícula: Emprego, desemprego;

Riqueza, pobreza;

Ladrões que roubam, ladrões que são roubados;

Homens que controlam, desesperados que se descontrolam;

Políticos que ganham, povo que perde;

Promessas que se fazem, promessas que se desfazem;

Polícias que prendem, polícias que são presos;

Médicos que curam, médicos que matam;

Professores que ensinam, professores que assassinam;

Padres que pregam, padres que violam;

Pastores que evangelizam, pastores que engordam;

Fetos que nascem, fetos que morrem;

Almas que se acham, almas que se perdem;

Deus que ajuda, Deus que castiga e se esquece;

Diabo que ama e diabo que depois engana;

Árvores que crescem, árvores que ardem às mãos da inquisição;

Pequeno-almoço, almoço e jantar… e a fome que continua a matar;

SMS, MMS, o contacto que arrefece;

– Merda: isto não tem fim e continua a não fazer muito sentido –

Tempo que sobra, tempo que falta;

Ondas que levam, ondas que trazem;

Cascatas a correr, lagos a apodrecer;

Sapos que se engolem, sapos que se vomitam;

Medo que domina, medo que extermina;

Lápis que escrevem, borrachas que apagam;

Olhos que se cruzam, olhos que não se podem ver;

Sentimentos que se amam, sentimentos que se odeiam;

Altruísmo, egoísmo;

Mãos quentes, mãos frias, mãos de pessoas;

Línguas que ardem, línguas que queimam;

Pénis que entram, pénis que saem;

Lábios presentes, lábios ausentes;

Ataques de coração, ataques ao coração;

Veneno, antídoto;

Vontade de viver, vontade de morrer;

Brain storming, human desert;

Histórias contadas, histórias inacabadas;

Raios partam tudo, raios partam nada.

A vida é uma espécie de morte adiada.

É esta a nossa natureza e na nossa natureza nada se cria, nada se perde, tudo se estraga.

Em suma, se não estou enganado, somos todos ridículos.

 
 
 

Ando com e sem vontade de escrever.

Vai-se lá perceber…

 

“Não vou estar por aqui mas vou andar por aí!” – Santana Lopes.

 

Dúvidas razoáveis…

Atentamente,

ejail.

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