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Quinta Dimensão

Que Sono…

Outubro 14, 2021

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A felicidade é um sonho
e, se é um sonho, então estou a dormir.
A desgraça é um pesadelo
e, se é um pesadelo, então estou a dormir.
Mas a felicidade não parece real
e a desgraça é demasiado real.

Nesta insónia de volver e revolver,
neste abrir e fechar de olhos sem ver,
neste cansado modo de escrever,
fica o inconformismo conformado,
o aforismo bem vincado:

Da desgraça não consigo acordar,
da felicidade não evito o despertar.

Achismos

Outubro 07, 2021

lupa.jpg

Agarro-me a nada
como se fosse tudo.
E uso todas as forças
para apertar as fraquezas.

Porque o tudo
me faz sentir ninguém.
E porque esse nada
me faz sentir alguém.

Porque todas as forças
são minhas fraquezas.
Porque perdi e me perdi.
E acho que não me quero achar.

Anel Real

Outubro 03, 2021

AnelReal.jpg

Um dia contaram-me uma história.
Em poucas palavras era mais ou menos assim:

«Há muito tempo, num reino distante, havia um rei que tinha abandonado a alegria para mergulhar numa densa tristeza.
Passaram muitos dias sem que nada ou ninguém o conseguisse arrancar às trevas.
Até que, por Decreto Real, foram convocados todos os sábios para ajudarem o "pobre" soberano.
Um por um, os sábios foram tentando e falhando, até que chegou um estranho mago nunca antes visto por aquelas terras.
O enigmático homem segurou a mão do rei e colocou-lhe um simples anel no dedo.
- Quando a tristeza for insuportável, retire-o. - Foram as secas instruções deixadas antes de desaparecer.
Dia para dia a tristeza aumentava até que se tornou insuportável. O rei lembrou-se do anel que tinha no dedo e retirou-o.
Nada aconteceu.
Então, a meio das lágrimas, algo parecia surgir no interior do objeto.
Uma espécie de mensagem que passara despercebida e que, agora o rei tentava ler, limpando a visão desfocada:

- Isso passa.»

Estou longe de ser rei, apenas sei que a dor e tristeza são reais.
Ao longo da vida tenho retirado o anel muitas vezes, mais do que alguma vez imaginei.
Muitas vezes demora, mas acaba por passar. Depois volta e, porque tudo passa, passará outra vez... e outra vez.

Hoje o anel está fora do dedo.

Psicanálise (com Manoel de Barros)

Setembro 29, 2021

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Sinto-me uma espécie de atrito,
porque falo sempre demais
... e nada tenho que valha a pena ser dito.
Mas, se ninguém escuta palavras a mais,
por que as digo?
Voo, em pensamentos reais ou fictícios,
até a escrita falar comigo:
- "Uso a palavra para compor meus silêncios." *

 

 

* - Início do poema "O apanhador de desperdícios" de Manoel de Barros

Quinta Dimensão

Setembro 17, 2021

Se desconsiderarmos o preto e o branco, a vida tem episódios sem cor.

 

Lembro-me de, em criança, aguardar - com crescente ansiedade - pela hora em que a Quinta Dimensão expandia os limites bidimensionais da velha televisão.

 

Passou muito tempo e as lembranças fundem-se com esquecimentos. O cérebro procura acompanhar a velocidade dos dias e, por vezes, quando precisa de espaço, liberta aquilo que considera lastro: decrépitas memórias sem real utilidade prática. Fica uma espécie de névoa crepuscular, que se adensa com a distância do passado. O cérebro não tem coração.

 

Tudo isto pode ser um devaneio mas também pode ser “The Twilight Zone”.

 

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Não gosto de reciclar ... nem de bater no Juiz Negacionista

Setembro 10, 2021

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Não gosto de reciclar

... nem de bater no Juiz Negacionista.

 

Blasfémia. A fogueira aguarda-me.

 

Mas porque devemos defender a reciclagem e porque devemos atacar o juiz negacionista?

Vamos por partes e pensar um pouco.

 

Peguemos, por exemplo, na situação do plástico e dos microplásticos.

Os danos ambientais e sociais provocados por essa praga são catastróficos e alarmantes, mas nem por isso deixamos de ver plástico em garrafas ou embalagens de alimentos, na construção civil, na indústria automóvel, nos dispositivos tecnológicos e nos brinquedos dos nossos filhos. Um monstro insaciável.

A reciclagem surge como uma espécie de penso rápido para aplicar numa chaga de crescimento exponencial e sem fim à vista. Tão-pouco é possível reciclar a totalidade do plástico e certos processos de reciclagem libertam gases nocivos para a atmosfera. Inclusive, muitos dos contentores usados, para depositar os resíduos a reciclar, são feitos de plástico. Termos como "reciclagem" ou "energia verde" são aceites universalmente como algo positivo para o planeta e humanidade, mas não deixam, também, de ser uma espécie de armadilhas escondidas. Ao defendermos a reciclagem, não colocamos na agenda ambiental a discussão do verdadeiro problema: o consumo desmesurado de recursos incentivado por modelos económicos desajustados. A palavra "reciclagem" alberga, por conseguinte, uma riqueza e complexidade de questões e perspetivas que devem ser debatidas com propósito e seriedade. Não devemos, simplesmente, negar pensar sobre algo porque vai contra a linha de pensamento consensual.

 

Juiz Negacionista.

Quantas vezes ouço esta expressão nos órgãos de comunicação social? Para começar é uma expressão vazia. Não dignifica o jornalismo nem os jornalistas que a usam. Devemos exigir muito mais deste Poder basilar de uma sociedade democrática. Não estou a defender a pessoa em causa, mas também não lhe quero bater porque defende algumas ideias diferentes das minhas. Estamos a falar de uma pessoa que terá de ter algum mínimo de inteligência, educação e cultura, que lhe permitiu alcançar o cargo de juiz. Alguém que, bem ou mal, sustenta as suas posições com argumentos pensados. Alguém que tem coragem para enfrentar críticas ferozes por algo que acredita.

Amanhã celebra-se o aniversário dos atentados do 11 de setembro. A “Covid” desses tempos dava pelo nome de "Terrorismo" e assistiu-se a uma "perseguição" de pessoas que defendiam temas relacionados com a privacidade. Eram caricaturados de antipatriotas e traidores. Alguns tinham ou têm nome, como é o caso de Edward Snowden. Sem querer entrar no campo polémico das comparações, Rui Fonseca e Castro pode estar profundamente errado, mas não é por isso que deve ficar sem voz. Hoje faleceu Jorge Sampaio. Um democrata, com as suas virtudes e defeitos, mas defensor da pluralidade. Não devemos deixar morrer a riqueza da diversidade de opiniões.

A minha parca experiência de vida diz-me que a verdade não tem dono e, por vezes, surpreende-nos. Mesmo a ciência - com todo o seu conhecimento e história - por vezes, engana-se. Assenta sobre determinados axiomas que só estão certos até que surja alguém que prove que estão errados. Tristemente, alguns operadores da ciência usam, num curioso paradoxo, as mesmas vestes que os longínquos oficiais da Inquisição da Santa Sé. Temos assistido a uma debandada, gradual e preocupante, do pensamento filosófico em várias áreas da ciência e da política. Em grande parte da sociedade. O vazio deixado pela ausência de pensamento crítico é preocupante quando preenchido pela cegueira da arrogância e intolerância. Não é fácil quebrar o manto ideológico que nos envolve, mas só o podemos fazer com uma arma: a questão e a humilde busca por respostas.

 

Não gosto de reciclar

... nem de bater no Juiz Negacionista.

Coração

Agosto 28, 2021

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O coração é um órgão intrigante.
É, em certa medida, como um gato.
Uma espécie de viandante de mundos:
umas vezes carne, outras espírito;
umas vezes Amor, outras ódio;
umas vezes vida, outras morte.
Um mistério que palpita e se sente.

Monty Hall

Abril 06, 2021

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Longe de ser matemático (apenas um reles martemático*) deparei-me, há muitos anos atrás, enquanto lia um pequeno livro, com um enigma. Um problema que, paradoxalmente, ajuda a encontrar soluções. É conhecido como o “Problema de Monty Hall”.

 

De forma minimalista, o enunciado traduz-se da seguinte forma:

“Estamos num concurso televisivo. No cenário existem três portas fechadas. Sabe-se que atrás de uma das portas está um prémio - na forma de automóvel - e cada uma das outras portas esconde uma desilusão - na forma de bode. O apresentador dá a possibilidade de o concorrente escolher uma porta. Escolhida a porta, o apresentador (que sabe onde está o carro), decide apimentar o concurso com um pouco mais de suspense e abre uma das outras portas, revelando um bode. Estão agora duas portas fechadas e o apresentador pergunta ao concorrente se quer manter a decisão ou escolher a outra porta. O concorrente encontra-se num dilema e terá que decidir se segue a convicção inicial e mantém a decisão ou, pelo contrário, muda e opta pela outra porta ainda fechada.”

 

Para resolver este problema, de uma forma simples, vamos definir três portas fechadas, batizando-as de: “Porta A”, “Porta B” e “Porta C”. Vamos, também, convencionar que o carro se encontra atrás da “Porta A” e atrás da “Porta B” está um bode, assim como atrás da “Porta C” está outro bode. Então temos:

“Porta A” fechada com o carro;

“Porta B” fechada com um bode;

“Porta C” fechada com um bode.

Agora vamos esquematizar o reino das possibilidades (o que poderá acontecer):

  1. O concorrente escolhe a “Porta A” (onde está o carro);
    • O apresentador abre uma das outras portas (onde está um bode) e o concorrente muda para a outra porta fechada (onde também está um bode). – O concorrente ---> PERDE;
  2. O concorrente escolhe a “Porta B” (onde está um bode);
    • O apresentador só pode abrir a “Porta C” (onde está o outro bode) e o concorrente muda para a “Porta A” (onde está o carro). – O concorrente ---> VENCE;
  3. O concorrente escolhe a “Porta C” (onde está um bode);
    • O apresentador só pode abrir a “Porta B” (onde está o outro bode) e o concorrente muda para a “Porta A” (onde está o carro). – O concorrente ---> VENCE;

Inicialmente o concorrente tem uma possibilidade em três de acertar na porta que oculta o carro. A troca de porta resulta num rácio de vitória de duas possibilidades em três.

 

Não é fácil criar espaço entre o pensamento e as convenções ou perceções que vamos adquirindo ao longo dos anos. As próprias convicções só poderão ser importantes se não nos cegarem e nos limitarem. Muitas das convicções são construídas no passado, em dias que sabíamos menos que hoje, sendo que hoje sabemos pouco. É, pelo menos, um problema matemático que nos incita a fazer contas à vida. Invocando a minha avó materna, já dizem os ditados que “o diabo está nos detalhes” e “quem muda Deus ajuda”.

 

https://pt.wikipedia.org/wiki/Problema_de_Monty_Hall

Bicho da Sede

Março 17, 2021

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Agora percebo:

 

Ninguém me ama,

 

não mais do que me odeio.

 

Um velho mancebo,

 

que se apaga e jamais inflama.

 

Um calhau sem matéria no meio.

 

 

 

Agora percebo:

 

Ninguém me liberta,

 

não mais do que me prendo.

 

Este veneno que bebo,

 

que me afaga no seio da morte certa.

 

Um Ser que não é mas vai parecendo.

 

 

 

Agora percebo:

 

Ninguém me elucida,

 

não mais do que me confundo.

 

As orações ao Verbo,

 

que nunca ressuscitaram vida.

 

Um bicho do fim do mundo.

Nua e voluptuosa, parece perdida.

Março 16, 2021

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Algures, nestes tempos em que sonho e realidade se confundem, perdi a alma.

 

Escrevo quando me seca a língua e humedecem os olhos.

 

Quando sinto sede de algo que não sei.

 

Com letras trocadas, palavras baratas e frases desconexas.

 

Tenho uma queda natural para o erro.

 

Mas é o erro que me faz e é o erro que me desfaz.

 

Não há mais. É tudo o que sou.

 

São cartas que dirijo ao vazio da solidão.

 

E, hoje, não aguardo pelos seus ecos.

 

Hoje não aguardo pelos seus ecos.

 

Hoje não aguardo pelos seus ecos.

Existir sem Ser

Fevereiro 01, 2021

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A alma e os seus labirintos:
calçadas sombrias de um outro mundo.
Estranhos e lúgubres infinitos,
ecos de um poço sem fundo.

Grito-me com todos as forças
e silencio-me com todas as fraquezas.
Há muito que empurro um saco de liças,
pleno de farsas e vazio de certezas.

Ao longe uma mulher abstrata.
Nua e voluptuosa, parece perdida.
Afasta-se nas ondas de um sonho de prata
e, quanto mais distante, maior a ferida.

(Vi)rus

Janeiro 18, 2021

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Quantas vezes me senti pequeno para mudar o mundo?
Mas o mundo mudou. Por algo, tão minúsculo, que não vejo.
Agora, o que não vejo, faz-me ver a minha tão grande cegueira:
Sou pequeno quando abdico de crescer.

Não Vais Morrer

Janeiro 10, 2021

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O meu avô paterno tinha os seus defeitos, mas isso não importa porque era meu amigo.

Vivíamos na mesma casa: eu, os meus pais e os pais do meu pai. O meu avô estava aposentado devido a problemas de saúde provocados pelo pó das minas. Mas, como se não bastasse, para além de ter sido mineiro, era um fumador convicto.

Uma noite, por volta dos meus cinco anos, lembro-me de estar na cozinha com os meus avós e pai. Devia estar a brincar enquanto falavam de algo relacionado com o resultado de uns exames que o meu avô fizera aos pulmões. Apesar de não prestar atenção ao que era dito, o tom acelerado da conversa provocava-me uma crescente ansiedade. Por fim o meu pai, dirigindo-se ao meu avô, disse num tom frio e imperativo:

- Pai, você vai morrer!

Não me recordo do que foi dito até então nem, tão-pouco, do que foi dito após. Apenas essa frase seca. Nunca, até aquele momento, tinha sentido dentro de mim e à minha volta, um tão grande vazio. Vejo o meu avô retirar-se, cabisbaixo e solitário, na direção do quarto. Naquele momento surreal creio que tomei uma das decisões mais importantes da minha vida e fui ter com ele para ser seu amigo.

Estava deitado na cama, barriga para cima, ausente nos seus pensamentos. Sentei-me em cima dele. O meu pai sempre primara pelo egoísmo e pela ausência e, essa ausência, era-me disfarçada pela nobreza do meu avô. Não sabia o que fazer ou dizer para que se sentisse melhor. Para eu próprio me sentir melhor. Mas, passado algum tempo e enquanto brincava com o seu relógio de pulso, acabei por sussurrar-lhe:

- Avô, tu não vais morrer.

Passado muito pouco tempo, adoeceu seriamente. Passou por um sofrimento atroz de modo que fantasmas o afastaram da realidade e deixou de nos conhecer. Lembro-me de o ver contorcer-se com dores e da dor que era olharmo-nos sem nos vermos. Morreu poucos meses depois.

A vida – ou a morte – encerra curiosidades, algumas tristes. Enquanto brincava com o seu relógio e lhe dizia que não ia morrer... O tempo e a morte já o reclamavam. Hoje, quando me dizem que vai tudo ficar bem, digo que sim, mas não acredito muito. Quando digo a alguém que vai tudo ficar bem... bem, talvez hipocritamente, acredito pouco.

Mas a vida abre curiosidades, algumas menos tristes. Enquanto brincava com o seu relógio e lhe dizia que não ia morrer... Passados este anos todos, o meu avô está vivo: nestas palavras, nesta saudade. Neste peito.

Memo

Janeiro 08, 2021

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As memórias são sombras da sombra do que fomos.

São vultos que se esfumam na bruma do esquecimento.

E, por cada memória que guardei, quantas perdi?

Algumas escondem-se de mim. Outras, escondo-me delas.

Algumas enganam-me.

Lembro-me de, em criança, escalar uma estátua de bronze.

Não compreendia o seu significado e não a respeitava.

Lembranças de infância, cada vez mais baças e confusas.

Lembranças que vou esquecendo. Pedaços de mim que perdi.

E, com tantas perdas, já se faz tarde sem que me descubra, mas...

Se me lembrasse de quem sou, seria eu.

Hoje sinto-me uma liga de cobre estranho.

Longe de ser herói, sinto-me perdido na estátua:

O Soldado Desconhecido.

Espelho, espelho meu...

Dezembro 22, 2020

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Um dia vi um filme sobre um homem comum que escrevia poemas. Depositava-os num pequeno caderno. Quase no fim do filme, perplexo, encontrou as folhas do caderno desfeitas numa infinidade de pedaços irrecuperáveis. Metaforicamente como se um espelho, com a sua personalidade, se tivesse desfeito à sua frente. Um poema é mais que uma memória, uma observação ou um desejo. É, possivelmente, um pedaço da alma de quem o gera.

Sei, empiricamente, que onde falta alma sobra escuridão e vazio. Sei e sinto, concretamente, essa escuridão. Tantas vezes me vejo espelhado em pedaços irrecuperáveis.

Como eu, também um dia, os meus poemas se vão partir. A alma semiperdida diluir-se-á, com tantas outras, num mar de esquecimento e, sem misericórdia, o tempo apagará todas estas linhas. Contudo nada disso importa, pois apenas escrevo para me sentir inteiro e, tudo isto, nas entrelinhas.

Passeios noturnos

Fevereiro 09, 2020

Tem noites em que vou passear o cão.

Às vezes por ele, outras vezes por mim.

Hoje, uma parte de mim que achava morta, mordeu-me… e fui passear o cão.

Tem noites em que a morte vive.

Às vezes por ela, outras vezes por mim.

Hoje mordi-me… e fui passear o cão.

 

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Nevoeiro

Agosto 06, 2019

Chegamos à praia, eu e a bicicleta.

Já não somos novos mas fugitivos de Cronos.

É cedo e uma cortina de nevoeiro cerrado faz-me questionar se estou acordado.

Contemplo o mar: cinzento e sereno.

Um vem e vai de pequenas ondas que cantam como sereias.

Deixo-me seduzir.

A espuma acaricia a areia enquanto me tenta alcançar.

Tudo é simples e, no entanto, tão belo.

Deixo-me estar.

As pegadas unem-se aos passos que não dei.

Deixo-me ir.

A maresia e o orvalho trespassam a máscara e acariciam-me o rosto.

Sinto a alma e, nesse momento, dou por mim menos desacompanhado.

Deixo o ser e deixo-me ser.

Encontro-me.

Mas, com tanto nevoeiro, o mais certo é perder-me.

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