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Quinta Dimensão

Tristezas Perdidas

Dezembro 03, 2022

mota.png

Há muitos anos transpirei esta algaraviada:

"

Sei apenas que, apesar das inúmeras incertezas,

a minha bicicleta corre mais que todas as tristezas.

 

Milhões de quilómetros por segundo,

a velocidade a que voam os sonhos.

Milhões: um número ambíguo e vagabundo,

um infinito de infinitos medonhos.

 

É assim a minha bicicleta:

corre a milhões de quilómetros por segundo.

Levanta voo sobre a realidade incerta,

para lá do céu e da gravidade do mundo.

 

Desfigura-se-me, nas descidas, a visão,

com toda a liberdade nas retinas.

Choram os olhos com imprecisão,

com o rasgão na monotonia das rotinas.

 

E a paisagem penetrante em ebulição,

com o vento a uivar segredos nos cabelos.

A estrada em que os três tempos fazem a junção,

num asfalto que enterra e cobre os pesadelos.

 

Pedalo cada vez mais depressa

e as tristezas não me vão alcançar!

Pedalo como se cumprisse uma promessa

e as tristezas não me vão alcançar!

Pedalo numa pressa que me apressa

e as tristezas não me vão alcançar!

Pedalo ainda mais depressa

e as tristezas não me vão alcançar!

 

Sei apenas que, apesar das inúmeras incertezas,

a minha bicicleta corre mais que todas as tristezas.

E, de facto, mais que tudo corre;

mas também só corre enquanto o meu vigor não morre…

 

São, agora, duas horas da madrugada

e eu estava quase a sonhar.

Há alguém ou algo a bater à porta gelada

e eu vou espreitar, mas até já posso adivinhar:

- Bastardas... Foi difícil encontrarem-me?

"

- Chegou a mota.

Amor não correspondido

Agosto 01, 2022

espadas.png

Amor não correspondido

é angústia que transcende o grito.

Erro divino do Criador

que me fez mastigado e cuspido.

Denso pântano de atrito

que desnutre no seio da dor.

 

Amor não correspondido

é cárcere constritor de solidão.

Todas as cores são palidez

e, em todas, me encontro perdido.

Perene e infinita escuridão

em que nada tem alma ou calidez.

 

Amor não correspondido

não é amor, mas caixão.

E (de mim) vejo-me despido,

sem vontades nem paixão.

 

Mas tudo isso foi noutra era.

Tudo isso já passou.

Um dia matei o morto que era

e hoje sou o morto que sou.

Amador

Julho 22, 2022

NGC2336-galaxy.en.jpg

Sonhos dentro de pesadelos, dentro de sonhos.

Seremos tudo isso ou vice-versa.

Aglomerado de átomos estranhos,

centelha que se apaga e dispersa.

 

Talvez filhos da matemática,

mas não números!

Quem somos, nesta estranha dinâmica?

Senão meros pseudo-seres inseguros.

 

Por nada saber: não sei que não sei quem sou.

Incerto dia, num qualquer caos, o acaso me rimou

e algo (ou alguém) me pensou.

Porventura, nesse instante, algo (ou alguém) me amou.

Sísifo - Poema de Miguel Torga

Julho 22, 2022

miguel-torga.png

Recomeça...

Se puderes

Sem angústia

E sem pressa.

E os passos que deres,

Nesse caminho duro

Do futuro

Dá-os em liberdade.

Enquanto não alcances

Não descanses.

De nenhum fruto queiras só metade.

E, nunca saciado,

Vai colhendo ilusões sucessivas no pomar.

Sempre a sonhar e vendo

O logro da aventura.

És homem, não te esqueças!

Só é tua a loucura

Onde, com lucidez, te reconheças...

Mariquices

Julho 18, 2022

mariquices.png

Esporadicamente lembro-me da minha professora de Química do Ensino Secundário. A professora Raquel. Recordo os seus termos pitorescos: como "Cálculos Estequiométricos" ou "Mariquices", este último para designar questões menores, de importância menor, que desviam o foco da questão principal.

Antes de continuar, convém-me expor uma pequena Declaração de Interesses (ou desinteresses):

Mergulhando nas profundezas da memória, percebo que desde cedo me defini sexualmente - ainda que de forma inconsciente - como heterossexual. Posso afirma-lo após uma detalhada introspeção, feita esta manhã, enquanto conduzia para o trabalho. Uma sessão de auto-hipnose em movimento enquanto me recordava do quanto ansiava por ver, na televisão a preto-e-branco, as atuações das "Doce". Na altura não sabia que era uma "Girls Band". Nessa tenra idade nunca senti a mesma vontade avassaladora de ver, por exemplo, o "Quarteto 1111". Para mim não são necessárias mais provas para que possa afirmar perentoriamente a minha heterossexualidade.

Hoje, com o peso de mais alguns anos em cima do lombo, após o consumo de toneladas de carne carregadas de hormonas sintéticas, peixes plastificados com molho de chumbo e consideráveis doses de soja transgênica, continuo a ter a mesma convicção… mas já lhe atribuí mais importância. Na minha opinião - que vale tanto como menos de nada - algumas sociedades têm propensão para generalizarem e extrapolarem pormenores. Entre essas generalizações, temos a questão da Sexualidade. A Sexualidade deveria ser apenas um dos muitos vetores que nos definem enquanto indivíduos únicos. Creio que não nos deveríamos focar tanto na questão da orientação sexual e exacerba-la, ao ponto de ocultarmos sob a sua sombra inflada, a questão que realmente deveríamos cuidar e defender: o direito à liberdade individual de cada um.

Parece-me - e estou quase sempre errado - que se tem vindo a obter alguns progressos na defesa de direitos relacionados com as questões relativas à Sexualidade, mas, em simultâneo, temos vindo a perder a nossa verdadeira identidade, reduzindo-a e catalogando-a em estereótipos simplistas. Temos estado, inclusive, a sacrificar a "sagrada" Liberdade de Expressão. Suponho que, a partir deste momento, corro o risco de, daqui a uns poucos anos quando for famoso (para mim ser famoso é ter mais que «sem» seguidores no blog) ser “Cancelado”... ou, com a crescente radicalização, "Vaporizado", nos termos de Orwell.

É relativamente fácil criticar e, pessoalmente, reparei que quanto menos sei e quanto menos penso sobre determinado assunto, mais facilmente o consigo criticar. Prefiro, portanto, servir-me da autocritica e procurar cultivar a compreensão. Por isso não escrevo este pequeno texto para criticar as orientações sexuais, os ataques à liberdade de expressão ou outras quaisquer liberdades individuais. Quero, apenas, manifestar uma breve frustração linguística:

Prende-se com o acrónimo que alguém (por ignorância própria, não sei quem) escolheu para designar as pessoas sexualmente diferentes do dito "normal": "LGBTQIA+". Parece-me, honestamente, o layout de um teclado, como "QWERTY" ou "AZERTY" e é uma expressão sem qualquer lubrificação oral: difícil de decorar e mais difícil de verbalizar ou manter numa conversa. Uma pura falta de estética linguística, de gosto duvidoso e falta de imaginação. Podíamos, se é que posso sugerir, regressar à questão do Sexo dos Anjos, e usar, por exemplo, apenas a palavra "Anjo" em oposição a "LGBTQIA+". Os anjos não se definem pelo “sexo”, não se reduzem a essas “Mariquices”. É certo que alguém (da Opus Dei, por exemplo, mas não só) poderia, à posteriori, e servindo-se de alguma malícia, sugerir que seriam anjos caídos e passariam a usar o termo “Demónios”. Já me estou a autocriticar mas, de facto, a ideia parecia ser melhor do que realmente é. Ainda assim, numa perspetiva de que somos capazes de nos movimentarmos num espectro que vai do melhor ao pior, o que somos nós, senão uma mescla de anjos e demónios? Umas vezes anjos, outras demónios. A maior parte das vezes ambos ou nenhum. Com certeza é que não somos acrónimos pomposos e muito menos um tijolo de uma categoria redutora. Somos, todos nós, apenas humanos. Mas humanos inteiros.

Por vezes sinto que esquecemos o essencial para nos perdermos na densa floresta dos acessórios. Mas não deixa de ser um sentimento de alguém perdido.

Ontem Poesia, Hoje Prosa

Fevereiro 09, 2022

Anel.jpeg

Estávamos no início de 2013. A minha cabeça procurava, dentro da azáfama, pequenos momentos de solidão. Precisava de pensar e procurar condensar, em poucas palavras, a magia daquele dia. Queria tornar o nosso casamento ainda mais especial e que te sentisses a mais especial. Queria criar uma memória que nos unisse para sempre.

Enquanto falava e sorria, sem que ninguém suspeitasse, uma parte de mim ausentou-se. Desajeitadamente, procurava atar emoções esbaforidas a um anzol enferrujado de pensamentos. As palavras, contudo, não mordiam e a faina não terá sido a melhor. A pressão e o medo de não estar à altura do momento eram esmagadores e, como sabes, sempre tive a propensão para falhar nos momentos realmente importantes.

Levantamos as taças de champanhe e o esquisso que, em pânico rabisquei na mente, ganhou corpo nas palavras arranhadas pelo som da minha voz:

"Nem todos os poemas têm rimas e nem todas as rimas são poesia.
Mas a pessoa, ao meu lado, é o poema da minha vida."

Coramos, rimos e bebemos ao "Felizes para sempre".

...

Hoje. Lado a lado, separados pela prosa fria dos papéis do divórcio. Fim.

Que Sono…

Outubro 14, 2021

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A felicidade é um sonho
e, se é um sonho, então estou a dormir.
A desgraça é um pesadelo
e, se é um pesadelo, então estou a dormir.
Mas a felicidade não parece real
e a desgraça é demasiado real.

Nesta insónia de volver e revolver,
neste abrir e fechar de olhos sem ver,
neste cansado modo de escrever,
fica o inconformismo conformado,
o aforismo bem vincado:

Da desgraça não consigo acordar,
da felicidade não evito o despertar.

Achismos

Outubro 07, 2021

lupa.jpg

Agarro-me a nada
como se fosse tudo.
E uso todas as forças
para apertar as fraquezas.

Porque o tudo
me faz sentir ninguém.
E porque esse nada
me faz sentir alguém.

Porque todas as forças
são minhas fraquezas.
Porque perdi e me perdi.
E acho que não me quero achar.

Anel Real

Outubro 03, 2021

AnelReal.jpg

Um dia contaram-me uma história.
Em poucas palavras era mais ou menos assim:

«Há muito tempo, num reino distante, havia um rei que tinha abandonado a alegria para mergulhar numa densa tristeza.
Passaram muitos dias sem que nada ou ninguém o conseguisse arrancar às trevas.
Até que, por Decreto Real, foram convocados todos os sábios para ajudarem o "pobre" soberano.
Um por um, os sábios foram tentando e falhando, até que chegou um estranho mago nunca antes visto por aquelas terras.
O enigmático homem segurou a mão do rei e colocou-lhe um simples anel no dedo.
- Quando a tristeza for insuportável, retire-o. - Foram as secas instruções deixadas antes de desaparecer.
Dia para dia a tristeza aumentava até que se tornou insuportável. O rei lembrou-se do anel que tinha no dedo e retirou-o.
Nada aconteceu.
Então, a meio das lágrimas, algo parecia surgir no interior do objeto.
Uma espécie de mensagem que passara despercebida e que, agora o rei tentava ler, limpando a visão desfocada:

- Isso passa.»

Estou longe de ser rei, apenas sei que a dor e tristeza são reais.
Ao longo da vida tenho retirado o anel muitas vezes, mais do que alguma vez imaginei.
Muitas vezes demora, mas acaba por passar. Depois volta e, porque tudo passa, passará outra vez... e outra vez.

Hoje o anel está fora do dedo.

Psicanálise (com Manoel de Barros)

Setembro 29, 2021

mic.jpg

Sinto-me uma espécie de atrito,
porque falo sempre demais
... e nada tenho que valha a pena ser dito.
Mas, se ninguém escuta palavras a mais,
por que as digo?
Voo, em pensamentos reais ou fictícios,
até a escrita falar comigo:
- "Uso a palavra para compor meus silêncios." *

 

 

* - Início do poema "O apanhador de desperdícios" de Manoel de Barros

Quinta Dimensão

Setembro 17, 2021

Se desconsiderarmos o preto e o branco, a vida tem episódios sem cor.

 

Lembro-me de, em criança, aguardar - com crescente ansiedade - pela hora em que a Quinta Dimensão expandia os limites bidimensionais da velha televisão.

 

Passou muito tempo e as lembranças fundem-se com esquecimentos. O cérebro procura acompanhar a velocidade dos dias e, por vezes, quando precisa de espaço, liberta aquilo que considera lastro: decrépitas memórias sem real utilidade prática. Fica uma espécie de névoa crepuscular, que se adensa com a distância do passado. O cérebro não tem coração.

 

Tudo isto pode ser um devaneio mas também pode ser “The Twilight Zone”.

 

1200px-The_Twilight_Zone_logo.svg.png

 

Não gosto de reciclar ... nem de bater no Juiz Negacionista

Setembro 10, 2021

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Não gosto de reciclar

... nem de bater no Juiz Negacionista.

 

Blasfémia. A fogueira aguarda-me.

 

Mas porque devemos defender a reciclagem e porque devemos atacar o juiz negacionista?

Vamos por partes e pensar um pouco.

 

Peguemos, por exemplo, na situação do plástico e dos microplásticos.

Os danos ambientais e sociais provocados por essa praga são catastróficos e alarmantes, mas nem por isso deixamos de ver plástico em garrafas ou embalagens de alimentos, na construção civil, na indústria automóvel, nos dispositivos tecnológicos e nos brinquedos dos nossos filhos. Um monstro insaciável.

A reciclagem surge como uma espécie de penso rápido para aplicar numa chaga de crescimento exponencial e sem fim à vista. Tão-pouco é possível reciclar a totalidade do plástico e certos processos de reciclagem libertam gases nocivos para a atmosfera. Inclusive, muitos dos contentores usados, para depositar os resíduos a reciclar, são feitos de plástico. Termos como "reciclagem" ou "energia verde" são aceites universalmente como algo positivo para o planeta e humanidade, mas não deixam, também, de ser uma espécie de armadilhas escondidas. Ao defendermos a reciclagem, não colocamos na agenda ambiental a discussão do verdadeiro problema: o consumo desmesurado de recursos incentivado por modelos económicos desajustados. A palavra "reciclagem" alberga, por conseguinte, uma riqueza e complexidade de questões e perspetivas que devem ser debatidas com propósito e seriedade. Não devemos, simplesmente, negar pensar sobre algo porque vai contra a linha de pensamento consensual.

 

Juiz Negacionista.

Quantas vezes ouço esta expressão nos órgãos de comunicação social? Para começar é uma expressão vazia. Não dignifica o jornalismo nem os jornalistas que a usam. Devemos exigir muito mais deste Poder basilar de uma sociedade democrática. Não estou a defender a pessoa em causa, mas também não lhe quero bater porque defende algumas ideias diferentes das minhas. Estamos a falar de uma pessoa que terá de ter algum mínimo de inteligência, educação e cultura, que lhe permitiu alcançar o cargo de juiz. Alguém que, bem ou mal, sustenta as suas posições com argumentos pensados. Alguém que tem coragem para enfrentar críticas ferozes por algo que acredita.

Amanhã celebra-se o aniversário dos atentados do 11 de setembro. A “Covid” desses tempos dava pelo nome de "Terrorismo" e assistiu-se a uma "perseguição" de pessoas que defendiam temas relacionados com a privacidade. Eram caricaturados de antipatriotas e traidores. Alguns tinham ou têm nome, como é o caso de Edward Snowden. Sem querer entrar no campo polémico das comparações, Rui Fonseca e Castro pode estar profundamente errado, mas não é por isso que deve ficar sem voz. Hoje faleceu Jorge Sampaio. Um democrata, com as suas virtudes e defeitos, mas defensor da pluralidade. Não devemos deixar morrer a riqueza da diversidade de opiniões.

A minha parca experiência de vida diz-me que a verdade não tem dono e, por vezes, surpreende-nos. Mesmo a ciência - com todo o seu conhecimento e história - por vezes, engana-se. Assenta sobre determinados axiomas que só estão certos até que surja alguém que prove que estão errados. Tristemente, alguns operadores da ciência usam, num curioso paradoxo, as mesmas vestes que os longínquos oficiais da Inquisição da Santa Sé. Temos assistido a uma debandada, gradual e preocupante, do pensamento filosófico em várias áreas da ciência e da política. Em grande parte da sociedade. O vazio deixado pela ausência de pensamento crítico é preocupante quando preenchido pela cegueira da arrogância e intolerância. Não é fácil quebrar o manto ideológico que nos envolve, mas só o podemos fazer com uma arma: a questão e a humilde busca por respostas.

 

Não gosto de reciclar

... nem de bater no Juiz Negacionista.

Coração

Agosto 28, 2021

coracao.png

O coração é um órgão intrigante.
É, em certa medida, como um gato.
Uma espécie de viandante de mundos:
umas vezes carne, outras espírito;
umas vezes Amor, outras ódio;
umas vezes vida, outras morte.
Um mistério que palpita e se sente.

Monty Hall

Abril 06, 2021

250px-Monty_open_door.svg.png

Longe de ser matemático (apenas um reles martemático*) deparei-me, há muitos anos atrás, enquanto lia um pequeno livro, com um enigma. Um problema que, paradoxalmente, ajuda a encontrar soluções. É conhecido como o “Problema de Monty Hall”.

 

De forma minimalista, o enunciado traduz-se da seguinte forma:

“Estamos num concurso televisivo. No cenário existem três portas fechadas. Sabe-se que atrás de uma das portas está um prémio - na forma de automóvel - e cada uma das outras portas esconde uma desilusão - na forma de bode. O apresentador dá a possibilidade de o concorrente escolher uma porta. Escolhida a porta, o apresentador (que sabe onde está o carro), decide apimentar o concurso com um pouco mais de suspense e abre uma das outras portas, revelando um bode. Estão agora duas portas fechadas e o apresentador pergunta ao concorrente se quer manter a decisão ou escolher a outra porta. O concorrente encontra-se num dilema e terá que decidir se segue a convicção inicial e mantém a decisão ou, pelo contrário, muda e opta pela outra porta ainda fechada.”

 

Para resolver este problema, de uma forma simples, vamos definir três portas fechadas, batizando-as de: “Porta A”, “Porta B” e “Porta C”. Vamos, também, convencionar que o carro se encontra atrás da “Porta A” e atrás da “Porta B” está um bode, assim como atrás da “Porta C” está outro bode. Então temos:

“Porta A” fechada com o carro;

“Porta B” fechada com um bode;

“Porta C” fechada com um bode.

Agora vamos esquematizar o reino das possibilidades (o que poderá acontecer):

  1. O concorrente escolhe a “Porta A” (onde está o carro);
    • O apresentador abre uma das outras portas (onde está um bode) e o concorrente muda para a outra porta fechada (onde também está um bode). – O concorrente ---> PERDE;
  2. O concorrente escolhe a “Porta B” (onde está um bode);
    • O apresentador só pode abrir a “Porta C” (onde está o outro bode) e o concorrente muda para a “Porta A” (onde está o carro). – O concorrente ---> VENCE;
  3. O concorrente escolhe a “Porta C” (onde está um bode);
    • O apresentador só pode abrir a “Porta B” (onde está o outro bode) e o concorrente muda para a “Porta A” (onde está o carro). – O concorrente ---> VENCE;

Inicialmente o concorrente tem uma possibilidade em três de acertar na porta que oculta o carro. A troca de porta resulta num rácio de vitória de duas possibilidades em três.

 

Não é fácil criar espaço entre o pensamento e as convenções ou perceções que vamos adquirindo ao longo dos anos. As próprias convicções só poderão ser importantes se não nos cegarem e nos limitarem. Muitas das convicções são construídas no passado, em dias que sabíamos menos que hoje, sendo que hoje sabemos pouco. É, pelo menos, um problema matemático que nos incita a fazer contas à vida. Invocando a minha avó materna, já dizem os ditados que “o diabo está nos detalhes” e “quem muda Deus ajuda”.

 

https://pt.wikipedia.org/wiki/Problema_de_Monty_Hall

Bicho da Sede

Março 17, 2021

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Agora percebo:

 

Ninguém me ama,

 

não mais do que me odeio.

 

Um velho mancebo,

 

que se apaga e jamais inflama.

 

Um calhau sem matéria no meio.

 

 

 

Agora percebo:

 

Ninguém me liberta,

 

não mais do que me prendo.

 

Este veneno que bebo,

 

que me afaga no seio da morte certa.

 

Um Ser que não é mas vai parecendo.

 

 

 

Agora percebo:

 

Ninguém me elucida,

 

não mais do que me confundo.

 

As orações ao Verbo,

 

que nunca ressuscitaram vida.

 

Um bicho do fim do mundo.

Nua e voluptuosa, parece perdida.

Março 16, 2021

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Algures, nestes tempos em que sonho e realidade se confundem, perdi a alma.

 

Escrevo quando me seca a língua e humedecem os olhos.

 

Quando sinto sede de algo que não sei.

 

Com letras trocadas, palavras baratas e frases desconexas.

 

Tenho uma queda natural para o erro.

 

Mas é o erro que me faz e é o erro que me desfaz.

 

Não há mais. É tudo o que sou.

 

São cartas que dirijo ao vazio da solidão.

 

E, hoje, não aguardo pelos seus ecos.

 

Hoje não aguardo pelos seus ecos.

 

Hoje não aguardo pelos seus ecos.

Existir sem Ser

Fevereiro 01, 2021

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A alma e os seus labirintos:
calçadas sombrias de um outro mundo.
Estranhos e lúgubres infinitos,
ecos de um poço sem fundo.

Grito-me com todos as forças
e silencio-me com todas as fraquezas.
Há muito que empurro um saco de liças,
pleno de farsas e vazio de certezas.

Ao longe uma mulher abstrata.
Nua e voluptuosa, parece perdida.
Afasta-se nas ondas de um sonho de prata
e, quanto mais distante, maior a ferida.

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