Terça-feira, 8 de Maio de 2012
Poema Invisível

.


sinto-me:

publicado por ejail às 01:53
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Quarta-feira, 11 de Abril de 2012
Sombra Lunar

Parece-me, de noite, ver alguém na Lua,

solitário e prisioneiro do seu lado oculto.

Parece navegar as cinzas numa falua

e arrastar-se no sedimento como um vulto.

 

Existirão seres extra-terrestres,

ou será apenas a névoa do meu olhar cansado?

Talvez só chamando cientistas e mestres,

para vencer as crenças e os dogmas do passado.

 

O mais certo é eu estar aluado,

desgostoso pela gravidade do espaço.

Triste e despedaçado por não ser amado

e ansioso por me deitar num regaço.

 

Mas não!

Não estou louco nem estafado,

muito embora haja quem diz o contrário.

É que não é fácil ludibriar o fado:

lá em cima só eu e este pobre diário.


sinto-me: extraterreno
música: The Final Countdown

publicado por ejail às 01:34
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Segunda-feira, 30 de Maio de 2011
A Procura de Um Sentido

 

(imagem retirada da internet)

 

 

Um sentido para cinco.
Cinco ou mais, talvez...
Vistas condensadas num olhar profundo,
do extremo celestial à solidão palpável do centro do mundo.
Um pensamento que condenso e trinco,
em silêncio, uma e outra vez.
Decantada a essência a que, em tantos dias, fui alérgico:
de que serve o tudo - ou o nada -, num espírito pentaplégico.

 

ejail (2011.05.30)


sinto-me: em sentido
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publicado por ejail às 17:58
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Sábado, 21 de Agosto de 2010
O Martemático

Hoje, por causa de uma conversa, lembrei-me desta relíquia...

 

 

 

 

Do Ábaco ao computador actual, passando por Blaise Pascal;
tudo se alterou de forma radical.
O noivado da informática e da caneta,
num raciocínio do digital e da sebenta.

Matemático de Marte,
a exactidão é uma arte.
Poeta de terra,
os mundos estão em guerra.

Combinações que na tua vida não combinam,
correspondências que os números não ensinam.
Integrais que não integras jamais,
diferenciais que perdes entre suspiros e ais.

Arredondas um par de raízes quadradas,
com o encanto de um conto de fadas.
Traças diagonais e assimptotas verticais,
com a magia de poemas musicais.

Desenhas gráficos com tangentes e secantes,
em quadrículas cúmplices como amantes.
Sombreias o espaço interceptado com cinzentos,
como se procurasses esconder os tormentos.

Calculas este raio de mundo
com contas de carácter profundo.
Transformas um dado em parâmetro
e um mistério na função que devolve o diâmetro.

Reduzes o complexo à canónica,
como o resumo objectivo de uma crónica.
Dispões as mágoas numa matriz
e procuras a cura para cada cicatriz.

Amas sem limite, do menos ao mais infinito
e pelejas com o que para muitos não passa de mito.
Levantas o rosto na direcção do crepúsculo
e sabes, não passas de um ponto minúsculo.

Derivas argumentos com factos
por desvarios sinuosos e abstractos.
Trabalhas os números primos
mas o que anseias, mesmo, é por mimos.


As contas da vida,
essa tua ferida.
Extra-terrestre, astronauta,
encantador de flauta.
Essas pessoas reais,
que esqueceram os ideais.
Esses comportamentos complexos,
que te deturpam os reflexos.
Homem indivisível,
homem invisível.
Tu: pajem inteiro,
sem título de cavaleiro.
Tu: existência abandonada,
com a alma racionada.
Contador de mundos,
afogado em desgostos profundos.
Uma vontade que esfria,
num desaguar na noite sombria.
Ser perdido, sem pontas,
no céu, quantas estrelas tu contas?

Equacionas o interior
mas apenas te sentes inferior.
Um conjunto vazio numa depressão despegada,
hieróglifos do passado numa história apagada.

Martemático: poeta dos números;
quantificas corpos inúmeros.
Dissecas teorias que desmontas
mas nunca entenderás certas contas.

ejail


sinto-me: uma planta c/ raízes quadradas
música: Marte Ataca OST
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publicado por ejail às 01:35
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Domingo, 8 de Novembro de 2009
A Vida é quem mais ordena

 

Hoje não escrevo. Bombardeio!
Não me fico pelas meias palavras nem pelo termo e meio.
Hoje não digo. Determino!
Abro fissuras no terreno e estremeço o divino!

Extravasa, rebenta!
Não pares! Nem por sete nem setenta.
Estoura, incendeia!
Vive a vida. Vive a ideia!

Trespassa o vazio e a plenitude,
com a tua velha juventude!
Desarma o sossego e arma o desassossego,
com a liberdade que te dá o desapego!

Sê educadamente selvagem e primitivo,
sê espectacularmente explosivo!
Sê carne e espírito,
sê, para ti mesmo e ao mesmo tempo, amado e proscrito!

Rasga o céu, excita electrões e funde átomos!
Sai da pasmaceira do povo que somos.
Torna-te no que és!
Está nas tuas mãos. Ouve! A oportunidade clama a teus pés.

Mergulha no fundo.
Perscruta bem esse mundo etéreo e imundo.
Limpa-te bem na sujidade e suja-te igualmente na limpeza.
Deseja, com a mesma ardência, a feiura e a beleza!

Inspira e expira nos píncaros!
Que as penas das tuas asas sejam múltiplos Ícaros.
Voa até que as entranhas do sol te devorem e os teus sentidos gritem!
Mas elas que provem e, se não gostarem, que te vomitem.

Faz amor com a tristeza e faz nascer alegria!
Faz jorrar, do teu íntimo, um pentecostes e um rio ébrio de sangria!
Conjuga sons e cria línguas estranhas, mas musicais.
Parte para longe. Abandona o teu querido cais...

Hoje dá-se o corte.
Ressuscita Morte!
Levanta-te e anda!
A Vida manda.

ejail (2009.11.07)


sinto-me: Idiota
música: Sole Mio
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publicado por ejail às 23:32
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Terça-feira, 21 de Julho de 2009
Mondego

 

Nas tuas margens, Mondego,
o silêncio dos milhafres escuto.
Ouço o toque do Absoluto no ego
e molho as mãos do meu peito enxuto.

 

 

Nas tuas águas, me rendo,
ao som dos teus acordes cristalinos.
Vais-me levando enquanto sou o que vou sendo,
enquanto o vento despenteia uma flora de violinos.

 

 

Nos teus braços, me embalas,
no regaço do teu leito me afagas.
As pedras, mergulhadoras, sibilam as tuas falas
e as tuas palavras saram as minhas chagas.

 

 

Mondego!

 

 

Viajante de lenta e serena quietude,
viagem pelas ruas do esquecimento: dos lugares e das horas.
Ermida onde o espaço e o tempo perdem a latitude
e eu me desprendo nas tuas correntes libertadoras.

 

 

ejail.

 


sinto-me: Natural
música: A Natureza que Escolha

publicado por ejail às 15:04
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Quarta-feira, 10 de Junho de 2009
A Todos Que Passaram Pela Quinta Dimensão

 

As palavras não são sentimentos,
não os traduzem.
Porque, sempre que os tentam traduzir, algo se perde.
E, quando se fala de sentimentos, se algo se perde, tudo se perde.
As palavras não são e não traduzem sentimentos!
Podem, no entanto, toca-los.
Como um piano pode tocar uma melodia
e como uma melodia pode tocar a alma.
Como gotas de chuva podem tocar o rosto
e como um rosto molhado pode inquietar a alma.
Ou...
Como o vento persistente pode tocar um solo
e o solo pode tocar o indivíduo, afastando-o da multidão.
As palavras são construções do homem
e os sentimentos, desconstruções da humanidade.
As palavras são pontos do mapa
e os sentimentos pontuações do terreno.
Se algo é:
as palavras são o que são
e os sentimentos são o que são.
No que me diz respeito: sinto muito, por escrever.
Mas também escrevo por sentir muito.
Se calhar não me diz respeito.
Se calhar não sei, tão-pouco, quem sou.
Afinal, quem somos nós?
Não respondo com palavras.
Pergunto-me com sentimento!

 

ejail.


sinto-me: Agradecido
música: Talvez um solo dos Pink Floyd

publicado por ejail às 01:08
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Sexta-feira, 10 de Abril de 2009
MAR

- Ouvi, uma vez, um poeta dizer que a beleza das coisas está nos olhos de quem as vê:

 

IMPRESSÃO DIGITAL 

Os meus olhos são uns olhos, 
e é com esses olhos uns 
que eu vejo no mundo escolhos, 
onde outros, com outros olhos, 
não vêem escolhos nenhuns. 

Quem diz escolhos, diz flores! 
De tudo o mesmo se diz! 
Onde uns vêem luto e dores, 
uns outros descobrem cores 
do mais formoso matiz. 

Pelas ruas e estradas 
onde passa tanta gente, 
uns vêem pedras pisadas, 
mas outros gnomos e fadas 
num halo resplandecente!! 

Inútil seguir vizinhos, 
querer ser depois ou ser antes. 
Cada um é seus caminhos! 
Onde Sancho vê moinhos, 
D.Quixote vê gigantes. 

Vê moinhos? São moinhos! 
Vê gigantes? São gigantes!

 

António Gedeão

 

- Há momentos, porém, nas nossas vidas, em que as vistas se cansam. São momentos em que, por muito esforço que façamos, apenas vemos escuridão.

  ... só nós sabemos como é:

 

LÁGRIMAS OCULTAS
 
Se me ponho a cismar em outras eras
Em que ri e cantei, em que era querida,
Parece-me que foi noutras esferas,
Parece-me que foi numa outra vida...
 
E a minha triste boca dolorida,
Que dantes tinha o rir das primaveras,
Esbate as linhas graves e severas
E cai num abandono de esquecida!
 
E fico, pensativa, olhando o vago...
Toma a brandura plácida dum lago
O meu rosto de monja de marfim...
 
E as lágrimas que choro, branca e calma,
Ninguém as vê brotar dentro da alma!
Ninguém as vê cair dentro de mim!
 
                             Florbela Espanca

 

 

- Por vezes até queremos falar com alguém mas não conseguimos e, por vezes, pensamos mesmo em desistir.

 

FALAR COM QUEM?

 

Ás vezes quero falar,

mas sofro de falta de ar.

Quero contar tudo o que sinto,

mas as palavras sabem a absinto.

 

Ás vezes gostava de ser ajudado,

estender a mão e ser resgatado.

Estou tão cansado de porfiar,

mas de maneira nenhuma consigo confiar.

 

Às vezes gostava de não desistir,

insistir para não deixar de existir.

Estou profundamente apagado

e não vejo as partes do meu eu fragmentado.

 

Muito desinteressante,

este conto incessante.

Muito pouco cativante,

esta vida inconstante.

Sem fio de história,

sem ponta de glória.

Absolutamente nada,

só a face molhada.

 

Ás vezes quero acordar,

mas não consigo parar de sonhar.

Quero viver tudo o que almejo,

mas ninguém me toca com um beijo.

 

Ás vezes,

apenas ás vezes…

 

De olhos fechados o que vejo?

O tédio e a solidão num bocejo.

De olhos abertos o que vejo?

A indiferença e o frio num cortejo.

É melhor sem olhos!

Não evito os escolhos,

mas sem olhos não vejo

e, se não vejo, não dou ouvidos ao desejo.

 

Ás vezes gostava de não desejar,

de esquecer tudo o que faz o coração latejar .

Ás vezes,

apenas ás vezes…

 

José Ferreira

 

 

  ... mas nem sempre, apenas às vezes. Há momentos únicos e bons que nos fazem amar a vida!

- Pensando nesses momentos, percebemos que o conforto para as mágoas do íntimo se encontra nos pequenos gestos e começamos por levantar a cabeça:

 

AMADOR SEM COISA AMADA
 
Resolvi andar na rua
com os olhos postos no chão.
Quem me quiser que me chame
ou que me toque com a mão.
 
Quando a angústia embaciar
de tédio os olhos vidrados,
olharei para os prédios altos,
para as telhas dos telhados.
 
Amador sem coisa amada,
aprendiz colegial.
Sou amador da existência,
não chego a profissional.
 
                    António Gedeão 
 
 

- A vida é, em última análise, uma experiencia e experimentar é ser amador: é amar a dor para saber amar com mais intensidade o alívio e abraçar, com consciência, a cura. É experimentar a intensidade da escuridão para se aprender a amar as propriedades da luz. É escutar para poder aprender a cantar... A vida engloba tudo, até a morte. Tudo faz parte de viver e só vive, realmente, quem experimenta e sente a experiência. Tudo por que passamos fica gravado na alma. Por isso cada pessoa é diferente. As diferenças sentem-se na textura e nas rugosidades da alma. Se procurarmos bem, cada uma dessas rugas, ou saliências, tem uma história, uma lição, um sentimento, uma lágrima, um sorriso... tem vida!

 

- Há quem diga que é realista e se orgulhe. Há quem negue ser sonhador por sentir vergonha. São estes os nossos dias. Mas se olharmos para a história da humanidade podemos, facilmente, concluir que a história não reza grandes feitos de homens realistas. A realidade só avança quando puxada por um sonho. E houve quem sonhasse com uma lâmpada, uma televisão e depois este computador. Houve alguém que sonhou chegar à lua e materializou o sonho na realidade. Mais uma vez: a vida engloba tudo, até os sonhos:

 

SEGREDOS VITALICIOS

 

Olha na palma da tua mão:

vê o futuro que imaginaste de antemão.

Vê que até as rosas têm os seus espinhos,

ouve os teus sonhos que segredam para que não os deixes sozinhos.

 

 

José Ferreira.

 

 

- Agora vamos lá acordar dessa nostalgia e viver (VIVER – não disse sobreviver). A vida não é feita só de tristeza ou momentos de dor. Não vou dizer que é metade/metade. A verdade é que, também eu, ainda estou sensivelmente a meio da minha experiência. ;-)

 

 

- Com toda a alma (as duas metades):

 

 



Se de noite chorares pelo sol, não verás as estrelas

Tagore , Rabindranath.

 


música: Pode Ser...

publicado por ejail às 01:14
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Sábado, 11 de Outubro de 2008
Insanidades da Sabedoria e Descrenças da Fé

 

(imagem retirada da internet)

 

A topografia do cérebro humano é, face à luz das trevas que nos cegam, inconclusiva.

Ora cortam o mal, ora cortam mal – os pensamentos.

A mente é como que uma lâmina lasciva,

Que numa hora traz sossego e noutra hora traz tormentos.

 

E quando a lucidez rompe o véu do sossego e dos tormentos,

Quando a luz dissipa o vácuo em que jazem as trevas.

Quando tudo converge e carrila por momentos

E as ideias se enfunam e deixam de ser escravas:

 

Homem,

Ódio,

Mentira,

Egoísmo,

Morte.

 

(…) para que a vossa fé não se apoiasse na sabedoria dos homens, mas no poder de Deus.

(I Coríntios 2:5)

 

Deus

Equanimidade

União

Sabedoria

 

Porque quando, no Absoluto, o individuo pensa (ou sente), move-se… num labirinto

E os lúcidos, são aqueles que nele se sabem orientar.

Os que evitam o atrito e o absinto.

São os livres: aqueles que se conseguem soltar e, do sono comum, despertar.

 

E, com regularidade, eis que surge:

Ser ou não ser? Esta é a questão!

Mas eis o que urge:

 

Enquanto muitos se questionam sobre a existência de Deus,

Esses mesmos muitos, não se questionam sobre a pertinência da existência do Homem.

Pois existem cada vez mais demasiados “Eus”,

Enquanto homens de Deus, com grande ligeireza, esmorecem e Somem.

 

ejail.


sinto-me: Humano
música: Knocking on Heavens Door - Bob Dylan
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publicado por ejail às 19:21
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Sexta-feira, 5 de Setembro de 2008
Analfabeto

 

(imagem retirada da net)

 

Como se escreve sentimentos?

Como se descreve tormentos?

Com que propriedade, com que sapiência?

Como transmitir a própria vivência?

 

Como ler o que não se consegue escrever?

Como imaginar o que não se pode descrever?

Com que audácia, com que poder superior?

Como exteriorizar o próprio interior?

 

Como conhecer a fibra e a carne?

Todos os órgãos do exterior ao cerne.

Distinguir o que é real do que é mito.

Como qualificar a alma e o espírito?

 

Como transmitir cada uma das cores?

Todas as alegrias e todas as dores.

A matéria luminosa e as imagens pretas.

Como separar o trigo das tretas?

 

Todas aquelas diferentes gentes.

Todas as personagens alegres ou pungentes.

Tudo o que se aprendeu e desaprendeu.

Tudo o que se conquistou e se perdeu.

 

Todos os momentos mal guardados.

Todos os suspiros mal amanhados.

Tudo depositado numa pequena algibeira.

Tudo confundido no interior de uma caveira.

 

Como recordar todas as esgrimas?

Como analisar todas as lágrimas?

Como lembrar as poucas riquezas?

Como esquecer as muitas tristezas?

 

Como traduzir cinzas queimadas?

Como interpretar letras abandonadas?

Como desnudar crónicas ardidas?

Como encontrar palavras perdidas?

 

 

ejail

 


sinto-me:
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publicado por ejail às 18:30
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Terça-feira, 19 de Junho de 2007
Fotografia
Quis saber o que é uma fotografia,
se é um poema de estranha caligrafia.
Quis descobrir o que é puxado para o pequeno compartimento,
se uma história estática ou com movimento.
 
Ao que parece a mente pode esquecer,
as pequenas memórias tendem a desaparecer.
Mas há certas coisas que temos de ter,
as recordações que as lágrimas fazem verter.
 
Coisas como aquele velho retrato,
ou até aquela paisagem de céu abstracto.
As ondas indomáveis e desgrenhadas do mar,
aquela pessoa que precisamos de amar.
 
Procurei aprender um pouco da arte,
capturar tudo deste mundo até Marte.
Mas a técnica tem que ser precisa e objectiva,
ainda que o primeiro passo seja libertar a vista cativa.
 
Procurei a euforia e o tormento,
usei a determinação para radiografar o vento.
Encontrei, no nada e no tudo, a vida e a morte,
descobri-as na calma, na pressa, no azar e na sorte.
 
Por entre prédios altos e galhos soltos,
na civilização cosmopolita e na natureza de preceitos revoltos.
Carregado com a máquina, as lentes e o estojo,
dias a eito, perdido na cidade e imerso no tojo.
 
Tive que abdicar de mim e entregar o corpo e a alma,
estender uma mão e concentrar-me na palma.
Reaprender de novo a importância da respiração,
a controlar as ânsias e os batimentos irregulares do coração.
 
Tive que descobrir janelas invisíveis,
achar mundos em recantos totalmente imprevisíveis.
Mas aquilo que descobri e que estava encoberto,
aquilo que estava oculto, na opacidade do vácuo, é agora espaço aberto:
 
Desertos escaldantes,
oásis refrescantes.
A neve alva,
a suavidade do violeta de uma malva.
Um dado viciado numa aresta,
dinheiro sujo num fogo que cresta.
A mentira e a verdade,
a mocidade e o desfigurar da idade.
O restaurar de desejos que se apagaram,
o sarar de olhos que cegaram.
Conversas de ideólogos e sonhadores,
órbitas de astros e discos voadores.
Aves em voo picado e o arrastar de caracóis,
galáxias longínquas e outros sóis.
Os horizontes e os montes,
as margens e as pontes.
As videiras e os esteios,
a depressão e os homens feios.
Ódio e amor,
segurança e tremor.
A timidez e a sedução sem qualquer pudor,
a envergadura das asas do condor.
As ruas e os passeios,
as sereias e os seios.
As ondas dos cabelos,
as poses sedutoras das modelos.
As forças da natureza,
as fraquezas da beleza.
E até a premonição!
Tudo à espera de se transformar numa canção…
 
São tantos mistérios que se podem revelar,
tantos sonhos prontos para alar.
Os gestos soltos que se podem segurar,
as imagens que se podem respirar.
 
Tantos factos que se podem capturar,
tanta magia e tantos sentimentos que se querem adivinhar.
O íntimo e as palavras que se podem transmitir,
um álbum de saudade que grita e suplica p’ra partir.
 
É certo que nunca cheguei a profissional,
fiquei-me por anódina, um amador banal.
Mas como em tudo acho que alguma coisa aprendi
e talvez não tenha sido apenas tempo que perdi.
 
Fotografar é, talvez, roubar ao instante um momento,
é isolar a essência desse precioso fragmento.
É parar o tempo e todas as dimensões intangíveis,
é condensar na imortalidade todas as emoções perecíveis.
 
Penso que também serve para dissipar as trevas e a dor;
pelo menos, quando liberto a luz desse flash redentor.
Serve para me sentir uma espécie de escritor,
para deslizar sobre as formas e as cores como o pincel de um pintor.
 
Mas agora,
agora, neste tempo sem marca de hora.
Agora, nesta introspecção de velhice,
penso para mim se não terá sido apenas uma estéril criancice.
 
Agora que em mim as cores se estão a esvair,
agora que as convicções estão todas a cair.
Agora que as dúvidas me estão a abafar,
o que terá sido que eu consegui, de facto, fotografar?
 
Atentamente,
ejail.


sinto-me: Fotógrafo
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Sábado, 16 de Junho de 2007
Feiticeira

(imagem retirada da internet)

Mulher recta, de linhas curvas,

de ondas sinuosas,
de águas turvas,
de medidas desmedidas, libidinosas.
(imagem retirada da internet)
Mulher madura e menina,
de pele alva e macia,
de plena volúpia feminina,
de uma estranha forma de supremacia.
(imagem retirada da internet)
Mulher meiga, mulher perigosa,
mulher gostosa,
airosa,
fogosa,
jeitosa,
charmosa,
um botão de rosa.
Mulher: como manipulas o destino da minha prosa!..
(imagem retirada da internet)
Mulher felina,
Mulher que traças a minha sina.
(imagem retirada da internet)
Atentamente,
ejail.

sinto-me: Tímido
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Quarta-feira, 13 de Junho de 2007
Prosas Feridas
Por falar em palavras...
 
A queda no seio deste éter doente,
perseguida pelos fantasmas da mente.
A queda do anjo imaginário da sorte,
puxado e sufocado por delírios sem norte.
 
Sem palavras, hum… Sem lábios,
sem os conselhos dos sábios.
Sem seres sagrados e supostos sacros ditados,
sem nada. Eu e os meus demónios jazidos, aqui deitados.
 
Encantado por serpentes encantadas,
pelo som do movimento dos seus corpos nas enseadas.
Rendido à evidência do veneno terreno,
bebido frio, pelo sangue anémico e ameno.
 
Desencantado pela existência incolor,
num interior obsoleto, um jardim de cinzas sem uma flor.
Desgastado pelo sono e pela erosão,
pela sede, a fome e o estigma da exclusão.
 
Prisioneiro das sebes da física e da gravidade mental,
recluso das monossílabas e da ferrugem das grades frias do metal.
Amarrado a pensamentos feitos e estranhos preconceitos,
numa teia, numa noite feia, num casarão vazio cheio de tolos insatisfeitos.
 
Oh velhos deuses desmiolados,
velhos filósofos, vocês estavam todos errados!
Foram trespassados por laivos de loucura,
quando foram esquecidos pela doçura e pelos gestos de ternura.
 
E agora? Já não consigo respirar, nem encontrar o ar
e não passo de uma escultura glaciar.
Lançar-me, outra vez, ao som das iradas harpas?
É a única maneira de aprender a voar: atirar-me das escarpas…
 
Um pássaro sem asas, despido de penas,
nu, sem poemas, um sem-abrigo, preso e desprovido de mecenas.
Sem coragem para se fundir com a paisagem,
p’ra deixar tudo para trás e seguir o seu caminho, a sua viagem.
 
Aqui jaz, escrito no limbo dos viandantes,
no lugar dos que não têm porvir ou antes,
uma história escrita no vento com tinta de nada,
sobre tudo e sobre nada, sobretudo de uma vida errada.
 
Avalancha de sentimentos que choras com pedras,
com a velocidade inatingível de féculas que medras,
turbilhão de agitação sem freios, a todo o carvão,
desaba, agora, sobre mim e irradia-me ao som de um trovão!
 
Não espero que entendam, nada espero.
Afinal, quem sou eu e o que quero?
 
Não sou nenhum poeta,
quanto muito, um falso profeta.
Um ser sombrio do escuro,
sem passado e sem futuro.
 
Eu sou notas de flauta
fugidas da pauta.
Eu sou sons graves
vagueando por enclaves.
Eu sou estrofes áridas.
Eu sou prosas feridas.
(imagem retirada da internet)
Atentamente,
ejail.

sinto-me: Ferido
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publicado por ejail às 09:21
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Sexta-feira, 8 de Junho de 2007
É do diabo…
Trabalha todos os dias úteis,
(todos os dias são fúteis)
nas tarefas mais estranhas e inúteis.
Desde mancebo que labora
até à velhice que o levará embora.
 
Trabalha mas não ganha dinheiro,
nada cai no vácuo do mealheiro.
Provavelmente não é nenhum trabalho,
talvez seja uma loucura do seu cérebro falho.
 
O que faz é ostentar uma caneta entre os dedos
e riscar milhares de folhas com os seus medos.
Compõe mentiras em que acredita como um drogado encurralado
porque, no fundo, sabe que já não vai a qualquer lado.
 
Mundo...
Contempla, agora, mundo negro da besta,
o condenado de numero 666 gravado na testa!
Contempla o seu espanto e o tamanho da desilusão,
assiste à sua espantosa conclusão!
 
O mal, a tentação, a doença espiritual,
tudo no corpo chagado de forma tão brutal!
Se fosse poeta saberia com certeza:
não há nada para além das letras,
nada há que não seja sonhos e tretas…
(imagem retirada da internet)
Atentamente,
ejail.

sinto-me: Condenado
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publicado por ejail às 20:52
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Terça-feira, 5 de Junho de 2007
(in)Felicidade(out)...
Eis como vejo a felicidade: como o Euromilhões. Só sai aos outros. A felicidade é, para mim como para muitas outras pessoas, uma utopia, um conceito do ser humano. Só que para mim é mesmo, não é algo que digo apenas da boca para fora. Para se aspirar a candidato à felicidade são precisas, na minha opinião, 4 coisas: genética, know-how, uma equipa competente e sorte. Resumidamente:
 
Genética – Há pessoas que nascem com uma maior predisposição para resistir às adversidades e manterem o equilíbrio mental e emocional. Da mesma forma que, em termos físicos há pessoas mais atléticas e saudáveis, o mesmo se aplica à componente psicológica.
 
Know-how – A educação que se teve, as filosofias assimiladas, a inteligência social e emocional. Todos estes factores se podem conjugar para que o bem-estar do indivíduo - enquanto ser isolado ou ser social - possa ser alcançado.
 
Equipa Competente – O que quero dizer com equipa competente é: a família, os amigos e os colegas. Se as pessoas que gravitam ao nosso redor são, regra geral, positivas ou negativas. Este ponto está, de certa forma, intimamente ligado com o know-how e a sorte.
 
Sorte – Ainda que de alguma forma, contra todas as probabilidades, conseguisse ganhar o Euromilhões, isso não seria, nem de perto, sinónimo de felicidade. E, só para que conste, é muito difícil ganhar o Euromilhões. Por mais fortes que sejamos, por mais competência que tenhamos e por melhores que sejam as pessoas que nos rodeiam, se não houver uma pitada de sorte a fluir por esses 3 factores… Diz-se que a sorte dá trabalho mas, da mesma forma, a falta de sorte dá “desemprego”…
 
Há, no entanto, pessoas que conseguem ser razoavelmente felizes sem que estas quatro condições se realizem em simultâneo. Todas as regras têm excepções e, para além do mais, estas regras são mero fruto da minha humilde opinião. Isto não é, propriamente, um documento oficial.
 
Eu não tenho tido a sorte de encontrar as pessoas certas e também não me sinto um grande primor da genética. O know-how não basta e, a cada dia que passa, tenho a sensação de saber menos. Sinto-me infeliz, estou cansado e estou cansado de estar cansado. Mas hoje tomei uma decisão: vou deixar de perseguir a felicidade. Vou deixar de a procurar. Não quero saber de mais nada. Estou cheio! Podem dizer que é cobardia, letargia, estupidez, conformismo, podem dizer o que quiserem. Quero lá saber! Só eu sei porquê.
 
A felicidade é um sonho
e, se é um sonho, então estou a dormir.
A desgraça é um pesadelo
e, se é um pesadelo, então estou a dormir.
Mas a felicidade não parece real
e a desgraça é demasiado real.
 
Nesta insónia de volver e revolver,
neste abrir e fechar de olhos sem ver,
neste cansado modo de escrever,
fica o inconformismo conformado,
o aforismo bem vincado:
 
Da desgraça não consigo acordar,
da felicidade não evito o despertar.
 
Atentamente,
José.

sinto-me: Chato

publicado por ejail às 22:42
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Segunda-feira, 21 de Maio de 2007
O que é isso que te cai dos olhos?
Lágrimas são gritos,
sons mudos e analfabetos que não se ouvem.
São abafos que desabafam a olhos vistos.
Poemas secos que chovem.
 
Água e sedimentos,
partículas de coisas sem corpo que se incorporam.
Vácuo ou plenitude condensados por momentos,
por instantes; ou lembranças que surgem e se demoram.
 
São espinhos, são pétalas,
gotículas incompreendidas.
Elas...
Elas são: sobretudo, sobretudo... sentidas.
 
Atentamente,
ejail.

sinto-me: Triste
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publicado por ejail às 10:10
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Quinta-feira, 17 de Maio de 2007
1 improviso de 2 minutos para ler, sentir e esquecer
O ar enche-se de partículas de luz,
respira-se perfume e as hormonas parecem saltar por entre os poros da pele.
Há uma renovação cíclica da natureza
que, todos os anos, desperta do seu sono de inverno.
 
Ouve-se o chilrear dos pássaros e sente-se o declamar de poemas por boémios.
E as cores, reflectidas pelos jardins viçosos, parecem pintar o meu interior cinzento
e despertar leves texturas que desaguam num rosto semi-jovial.
É como uma vitamina que me aveluda o paladar pela vida,
esta Ănima de Gaia, translúcida, que me transcende.
 
Há dias em que me sinto cheio de tudo.
Mas, vendo bem as coisas, eu não tenho nada.
Os sentidos que possuo são emprestados
e é-me concedido o privilégio de passear por jardins que meus não são.
 
Ouço a liberdade que passa por entre as folhas das árvores
e por entre as brancas nuvens do céu.
Ouço-a dizer-me, com suavidade, ao ouvido:
A primavera… dá-se também dentro de nós.
(imagem retirada da internet)
Atentamente,
ejail.

sinto-me: Snifador de Pólen
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publicado por ejail às 11:41
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Sábado, 12 de Maio de 2007
Poesia Falida
Isto é poesia falida... tal como eu...
 
Ave Mutante
 
Num quarto fosco de uma pensão,
esmagado pela claustrofobia e pela tensão.
Observo da janela as fachadas
sob um céu de estanho e nuvens queimadas.
 
Um homem senta-se numa escada
e começa a escrever numa folha apagada.
Entre goles de chã de pericão,
medita nas contingências de um dia de cão.
 
Sinto-lhe um sabor a doente acamado
e um azedume de já não ser procurado.
Parece enleado em lençóis de naftalina,
quebrado e carpido no seio da neblina.
 
Mais longe e a brincar está um puto mimalho,
agarrado ao velho cartaz de um talho.
Um bife e vísceras em promoção,
servindo o pó, esquecidos o propósito e a função.
 
Adultos apressados levantam luxo no Multibanco,
mesmo ao lado da fome e do multi-manco.
Padres e homens de fé que ignoram as guerras
e movem os olhos para trás das serras.
 
Dizem que a fé move montanhas,
que é preciso ser puro até às entranhas…
Esses padres e pastores que vivem no seio do comodismo,
que conduzem os imensos rebanhos ao abismo.
 
Ídolos defuntos, ao fundo, no altar da igreja
e a serpente sedutora que à saída rasteja.
Beatas e viúvas ao lado de prostitutas,
de costas voltadas, as velhacas e as astutas.
 
Vejo velhas insípidas soterradas em cosméticos,
reduzidas ao absurdo por cálculos estequiométricos.
Nados-mortos nascidos de parto natural,         
desfigurados por doses e overdoses de epidural.
 
Homens de negócio cinzentos e engravatados,
cheios de orgulho e tão abastados.
Seres maquiavélicos por baixo do fato aprumado,
ratos mesquinhos de um esgoto inquinado.
 
E os homens de barba moral e de princípios,
que apedrejam os coitados dos ímpios.
Os falsos profetas de falsas esperanças,
os assassinos e os caçadores de crianças.
 
Esses espectros especializados na vaidade,
que morrem à sombra da saudade.
Esses demónios que não passam de larvas de gente,
essa gente sob um céu adstringente.
 
Recordo-me do meu avô no pombal,
daquela minha longínqua infância tribal.
Lembro-me das travessuras e da inocência antiga,
de como me movia e sorria antes da grande fadiga.
 
Depois veio a agonia da puberdade,
o preconceito mentiroso contra a verdade.
Veio tudo aquilo que é ruim de saber,
que há venenos que não se deve beber.
 
Lembro-me, também, de amar e verter Cloreto de Sódio
e não me esqueço de ser vomitado com Hidróxido de ódio.
Não esqueço o apodrecer nos intestinos do destino,
a pestilência assassina que não tinha em menino.
 
O tempo é o das rugas e dos maus-tratos,
é o que me amputou da paisagem e dos retratos.
Esse vento que me toca e se esfuma,
esse feitiço que me colhe na bruma.
 
Enterrado de olhos no céu: Pai, Filho e Espírito Santo,
por que não cessa nunca o meu pranto?
Por que é que nem todo o ensinamento e doutrina,
chegou para acender a luz de uma única lamparina?
(imagem retirada da internet)
O aperto da asma,
o esvair num aneurisma.
É demasiado tarde,
esta dor corrói e arde.
A guerra dos mundos,
uma batalha sem escudos.
Uma explosão nuclear,
a chama que me vai apagar.
A radioactividade,
a aceleração da idade.
A chegada dos anjos,
a mutação dos beijos.
O fim do pecado,
o enterrar do machado.
O fim das minas,
a era perfeita das máquinas.
O fim das sevícias,
o fim das carícias.
A eterna adoração,
a eterna maldição.
Uma nova monção,
uma nova canção.
O início do temor,
o início e o fim do amor.
A partida de Sancho Pança,
a chegada da temida livrança.
Chegou a hora da matança.
A morte de D. Quixote,
os ossos num caixote.
Cavaleiro andante,
cavaleiro amante.
Cavalheiro mutante.
Tudo, tudo... tudo... um baú de incertezas,
um grande mealheiro de tristezas…
 
Esta poluição,
esta tão grande falta de convicção.
Estes campos de joio incendiados,
estes espíritos ceifados…
 
Um dia pensei que a vida era como um beijo,
um suspiro inspirado por poetas no calor do desejo.
Nunca imaginei o inferno com que fico,
onde os pássaros jamais terão bico.
 
O crepúsculo deixa-se abater pela escuridão,
é a fuligem que vem com o Armagedão.
Porém vejo ainda um pica-pau às cabeçadas,
nos troncos soltos das arvores despedaçadas.
 
Está decidido: não vou pensar mais nela,
cerro os punhos e fecho a janela!
Lavados os olhos, vendo bem e apesar de tudo,
não ser amado não é o fim do mundo…
 
Atentamente,
ejail ( sob muitas nuvens cinzentas ).

sinto-me: Deprimido
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publicado por ejail às 19:48
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