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Quinta Dimensão

Existir sem Ser

Fevereiro 01, 2021

Ser.png

A alma e os seus labirintos:
calçadas sombrias de um outro mundo.
Estranhos e lúgubres infinitos,
ecos de um poço sem fundo.

Grito-me com todos as forças
e silencio-me com todas as fraquezas.
Há muito que empurro um saco de liças,
pleno de farsas e vazio de certezas.

Ao longe uma mulher abstrata.
Nua e voluptuosa, parece perdida.
Afasta-se nas ondas de um sonho de prata
e, quanto mais distante, maior a ferida.

(Vi)rus

Janeiro 18, 2021

covid.jpg

Quantas vezes me senti pequeno para mudar o mundo?
Mas o mundo mudou. Por algo, tão minúsculo, que não vejo.
Agora, o que não vejo, faz-me ver a minha tão grande cegueira:
Sou pequeno quando abdico de crescer.

Memo

Janeiro 08, 2021

Memo.png

As memórias são sombras da sombra do que fomos.

São vultos que se esfumam na bruma do esquecimento.

E, por cada memória que guardei, quantas perdi?

Algumas escondem-se de mim. Outras, escondo-me delas.

Algumas enganam-me.

Lembro-me de, em criança, escalar uma estátua de bronze.

Não compreendia o seu significado e não a respeitava.

Lembranças de infância, cada vez mais baças e confusas.

Lembranças que vou esquecendo. Pedaços de mim que perdi.

E, com tantas perdas, já se faz tarde sem que me descubra, mas...

Se me lembrasse de quem sou, seria eu.

Hoje sinto-me uma liga de cobre estranho.

Longe de ser herói, sinto-me perdido na estátua:

O Soldado Desconhecido.

Espelho, espelho meu...

Dezembro 22, 2020

paterson.jpg

Um dia vi um filme sobre um homem comum que escrevia poemas. Depositava-os num pequeno caderno. Quase no fim do filme, perplexo, encontrou as folhas do caderno desfeitas numa infinidade de pedaços irrecuperáveis. Metaforicamente como se um espelho, com a sua personalidade, se tivesse desfeito à sua frente. Um poema é mais que uma memória, uma observação ou um desejo. É, possivelmente, um pedaço da alma de quem o gera.

Sei, empiricamente, que onde falta alma sobra escuridão e vazio. Sei e sinto, concretamente, essa escuridão. Tantas vezes me vejo espelhado em pedaços irrecuperáveis.

Como eu, também um dia, os meus poemas se vão partir. A alma semiperdida diluir-se-á, com tantas outras, num mar de esquecimento e, sem misericórdia, o tempo apagará todas estas linhas. Contudo nada disso importa, pois apenas escrevo para me sentir inteiro e, tudo isto, nas entrelinhas.

Passeios noturnos

Fevereiro 09, 2020

Tem noites em que vou passear o cão.

Às vezes por ele, outras vezes por mim.

Hoje, uma parte de mim que achava morta, mordeu-me… e fui passear o cão.

Tem noites em que a morte vive.

Às vezes por ela, outras vezes por mim.

Hoje mordi-me… e fui passear o cão.

 

cao.png

 

Voltas

Dezembro 18, 2019

3330894_1a37f.jpg

Volto a ver as voltas que a vida dá

e as voltas que damos na vida.

Entre voltas e revoltas,

passam momentos que não voltam.

Nesta infinidade de voltas,

volto a ver que não há volta a dar, senão voltar.

Nevoeiro

Agosto 06, 2019

Chegamos à praia, eu e a bicicleta.

Já não somos novos mas fugitivos de Cronos.

É cedo e uma cortina de nevoeiro cerrado faz-me questionar se estou acordado.

Contemplo o mar: cinzento e sereno.

Um vem e vai de pequenas ondas que cantam como sereias.

Deixo-me seduzir.

A espuma acaricia a areia enquanto me tenta alcançar.

Tudo é simples e, no entanto, tão belo.

Deixo-me estar.

As pegadas unem-se aos passos que não dei.

Deixo-me ir.

A maresia e o orvalho trespassam a máscara e acariciam-me o rosto.

Sinto a alma e, nesse momento, dou por mim menos desacompanhado.

Deixo o ser e deixo-me ser.

Encontro-me.

Mas, com tanto nevoeiro, o mais certo é perder-me.

IMG_20190803_101034.jpg

 

Nunca Caminhamos Sós

Julho 20, 2019

Nunca caminhamos sós.

Quando, com a minha solidão, serpenteio pelas ruelas da cidade.

Quando, corcunda, carrego a sombra pelos trilhos apagados de uma qualquer floresta.

Quando o sono me transporta até à orla do insondável.

Quando uma lágrima cede à gravidade.

Nunca caminhamos sós.

Os nossos fantasmas acompanham-nos.

 

ejail

Sombra Lunar

Abril 11, 2012

Parece-me, de noite, ver alguém na Lua,

solitário e prisioneiro do seu lado oculto.

Parece navegar as cinzas numa falua

e arrastar-se no sedimento como um vulto.

 

Existirão seres extra-terrestres,

ou será apenas a névoa do meu olhar cansado?

Talvez só chamando cientistas e mestres,

para vencer as crenças e os dogmas do passado.

 

O mais certo é eu estar aluado,

desgostoso pela gravidade do espaço.

Triste e despedaçado por não ser amado

e ansioso por me deitar num regaço.

 

Mas não!

Não estou louco nem estafado,

muito embora haja quem diz o contrário.

É que não é fácil ludibriar o fado:

lá em cima só eu e este pobre diário.

A Procura de Um Sentido

Maio 30, 2011

 

(imagem retirada da internet)

 

 

Um sentido para cinco.
Cinco ou mais, talvez...
Vistas condensadas num olhar profundo,
do extremo celestial à solidão palpável do centro do mundo.
Um pensamento que condenso e trinco,
em silêncio, uma e outra vez.
Decantada a fragrância a que, em tantos dias, fui alérgico:
de que serve o tudo - ou o nada -, num espírito pentaplégico.

 

ejail (2011.05.30)

O Martemático

Agosto 21, 2010

Hoje, por causa de uma conversa, lembrei-me desta relíquia...

 

 

 

 

Do Ábaco ao computador actual, passando por Blaise Pascal;
tudo se alterou de forma radical.
O noivado da informática e da caneta,
num raciocínio do digital e da sebenta.

Matemático de Marte,
a exactidão é uma arte.
Poeta de terra,
os mundos estão em guerra.

Combinações que na tua vida não combinam,
correspondências que os números não ensinam.
Integrais que não integras jamais,
diferenciais que perdes entre suspiros e ais.

Arredondas um par de raízes quadradas,
com o encanto de um conto de fadas.
Traças diagonais e assimptotas verticais,
com a magia de poemas musicais.

Desenhas gráficos com tangentes e secantes,
em quadrículas cúmplices como amantes.
Sombreias o espaço interceptado com cinzentos,
como se procurasses esconder os tormentos.

Calculas este raio de mundo
com contas de carácter profundo.
Transformas um dado em parâmetro
e um mistério na função que devolve o diâmetro.

Reduzes o complexo à canónica,
como o resumo objectivo de uma crónica.
Dispões as mágoas numa matriz
e procuras a cura para cada cicatriz.

Amas sem limite, do menos ao mais infinito
e pelejas com o que para muitos não passa de mito.
Levantas o rosto na direcção do crepúsculo
e sabes, não passas de um ponto minúsculo.

Derivas argumentos com factos
por desvarios sinuosos e abstractos.
Trabalhas os números primos
mas o que anseias, mesmo, é por mimos.


As contas da vida,
essa tua ferida.
Extra-terrestre, astronauta,
encantador de flauta.
Essas pessoas reais,
que esqueceram os ideais.
Esses comportamentos complexos,
que te deturpam os reflexos.
Homem indivisível,
homem invisível.
Tu: pajem inteiro,
sem título de cavaleiro.
Tu: existência abandonada,
com a alma racionada.
Contador de mundos,
afogado em desgostos profundos.
Uma vontade que esfria,
num desaguar na noite sombria.
Ser perdido, sem pontas,
no céu, quantas estrelas tu contas?

Equacionas o interior
mas apenas te sentes inferior.
Um conjunto vazio numa depressão despegada,
hieróglifos do passado numa história apagada.

Martemático: poeta dos números;
quantificas corpos inúmeros.
Dissecas teorias que desmontas
mas nunca entenderás certas contas.

ejail

A Vida é quem mais ordena

Novembro 08, 2009

 

Hoje não escrevo. Bombardeio!
Não me fico pelas meias palavras nem pelo termo e meio.
Hoje não digo. Determino!
Abro fissuras no terreno e estremeço o divino!

Extravasa, rebenta!
Não pares! Nem por sete nem setenta.
Estoura, incendeia!
Vive a vida. Vive a ideia!

Trespassa o vazio e a plenitude,
com a tua velha juventude!
Desarma o sossego e arma o desassossego,
com a liberdade que te dá o desapego!

Sê educadamente selvagem e primitivo,
sê espectacularmente explosivo!
Sê carne e espírito,
sê, para ti mesmo e ao mesmo tempo, amado e proscrito!

Rasga o céu, excita electrões e funde átomos!
Sai da pasmaceira daquilo que fomos.
Torna-te no que és!
Está nas tuas mãos. Ouve! A oportunidade clama a teus pés.

Mergulha no fundo.
Perscruta bem esse mundo etéreo e imundo.
Limpa-te bem na sujidade e suja-te igualmente na limpeza.
Deseja, com a mesma ardência, a feiura e a beleza!

Inspira e expira nos píncaros!
Que as penas das tuas asas sejam múltiplos Ícaros.
Voa até que as entranhas do sol te devorem e os teus sentidos gritem!
Mas elas que provem e, se não gostarem, que te vomitem.

Faz amor com a tristeza e faz nascer alegria!
Faz jorrar, do teu íntimo, um pentecostes e um rio ébrio de sangria!
Conjuga sons e cria línguas estranhas, mas musicais.
Parte para longe. Abandona o teu querido cais...

Hoje dá-se o corte.
Ressuscita Morte!
Levanta-te e anda!
A Vida manda.

ejail (2009.11.07)

A Todos Que Passaram Pela Quinta Dimensão

Junho 10, 2009

 

As palavras não são sentimentos,
não os traduzem.
Porque, sempre que os tentam traduzir, algo se perde.
E, quando se fala de sentimentos, se algo se perde, tudo se perde.
As palavras não são e não traduzem sentimentos!
Podem, no entanto, toca-los.
Como um piano pode tocar uma melodia
e como uma melodia pode tocar a alma.
Como gotas de chuva podem tocar o rosto
e como um rosto molhado pode inquietar a alma.
Ou...
Como o vento persistente pode tocar um solo
e o solo pode tocar o indivíduo, afastando-o da multidão.
As palavras são construções do homem
e os sentimentos, desconstruções da humanidade.
As palavras são pontos do mapa
e os sentimentos pontuações do terreno.
Se algo é:
as palavras são o que são
e os sentimentos são o que são.
No que me diz respeito: sinto muito, por escrever.
Mas também escrevo por sentir muito.
Se calhar não me diz respeito.
Se calhar não sei, tão-pouco, quem sou.
Afinal, quem somos nós?
Não respondo com palavras.
Pergunto-me com sentimento!

 

ejail.

Analfabeto

Setembro 05, 2008

 

(imagem retirada da net)

 

Como se escreve sentimentos?

Como se descreve tormentos?

Com que propriedade, com que sapiência?

Como transmitir a própria vivência?

 

Como ler o que não se consegue escrever?

Como imaginar o que não se pode descrever?

Com que audácia, com que poder superior?

Como exteriorizar o próprio interior?

 

Como conhecer a fibra e a carne?

Todos os órgãos do exterior ao cerne.

Distinguir o que é real do que é mito.

Como qualificar a alma e o espírito?

 

Como transmitir cada uma das cores?

Todas as alegrias e todas as dores.

A matéria luminosa e as imagens pretas.

Como separar o trigo das tretas?

 

Todas aquelas diferentes gentes.

Todas as personagens alegres ou pungentes.

Tudo o que se aprendeu e desaprendeu.

Tudo o que se conquistou e se perdeu.

 

Todos os momentos mal guardados.

Todos os suspiros mal amanhados.

Tudo depositado numa pequena algibeira.

Tudo confundido no interior de uma caveira.

 

Como recordar todas as esgrimas?

Como analisar todas as lágrimas?

Como lembrar as poucas riquezas?

Como esquecer as muitas tristezas?

 

Como traduzir cinzas queimadas?

Como interpretar letras abandonadas?

Como desnudar crónicas ardidas?

Como encontrar palavras perdidas?

 

 

ejail

 

Feiticeira

Junho 16, 2007

(imagem retirada da internet)

Mulher recta, de linhas curvas,

de ondas sinuosas,
de águas turvas,
de medidas desmedidas, libidinosas.
(imagem retirada da internet)
Mulher madura e menina,
de pele alva e macia,
de plena volúpia feminina,
de uma estranha forma de supremacia.
(imagem retirada da internet)
Mulher meiga, mulher perigosa,
mulher gostosa,
airosa,
fogosa,
jeitosa,
charmosa,
um botão de rosa.
Mulher: como manipulas o destino da minha prosa!..
(imagem retirada da internet)
Mulher felina,
Mulher que traças a minha sina.
(imagem retirada da internet)
Atentamente,
ejail.

Prosas Feridas

Junho 13, 2007

Por falar em palavras...
 
A queda no seio deste éter doente,
perseguida pelos fantasmas da mente.
A queda do anjo imaginário da sorte,
puxado e sufocado por delírios sem norte.
 
Sem palavras, hum… Sem lábios,
sem os conselhos dos sábios.
Sem seres sagrados e supostos sacros ditados,
sem nada. Eu e os meus demónios jazidos, aqui deitados.
 
Encantado por serpentes encantadas,
pelo som do movimento dos seus corpos nas enseadas.
Rendido à evidência do veneno terreno,
bebido frio, pelo sangue anémico e ameno.
 
Desencantado pela existência incolor,
num interior obsoleto, um jardim de cinzas sem uma flor.
Desgastado pelo sono e pela erosão,
pela sede, a fome e o estigma da exclusão.
 
Prisioneiro das sebes da física e da gravidade mental,
recluso das monossílabas e da ferrugem das grades frias do metal.
Amarrado a pensamentos feitos e estranhos preconceitos,
numa teia, numa noite feia, num casarão vazio cheio de tolos insatisfeitos.
 
Oh velhos deuses desmiolados,
velhos filósofos, vocês estavam todos errados!
Foram trespassados por laivos de loucura,
quando foram esquecidos pela doçura e pelos gestos de ternura.
 
E agora? Já não consigo respirar, nem encontrar o ar
e não passo de uma escultura glaciar.
Lançar-me, outra vez, ao som das iradas harpas?
É a única maneira de aprender a voar: atirar-me das escarpas…
 
Um pássaro sem asas, despido de penas,
nu, sem poemas, um sem-abrigo, preso e desprovido de mecenas.
Sem coragem para se fundir com a paisagem,
p’ra deixar tudo para trás e seguir o seu caminho, a sua viagem.
 
Aqui jaz, escrito no limbo dos viandantes,
no lugar dos que não têm porvir ou antes,
uma história escrita no vento com tinta de nada,
sobre tudo e sobre nada, sobretudo de uma vida errada.
 
Avalancha de sentimentos que choras com pedras,
com a velocidade inatingível de féculas que medras,
turbilhão de agitação sem freios, a todo o carvão,
desaba, agora, sobre mim e irradia-me ao som de um trovão!
 
Não espero que entendam, nada espero.
Afinal, quem sou eu e o que quero?
 
Não sou nenhum poeta,
quanto muito, um falso profeta.
Um ser sombrio do escuro,
sem passado e sem futuro.
 
Eu sou notas de flauta
fugidas da pauta.
Eu sou sons graves
vagueando por enclaves.
Eu sou estrofes áridas.
Eu sou prosas feridas.
(imagem retirada da internet)
Atentamente,
ejail.

É do diabo…

Junho 08, 2007

Trabalha todos os dias úteis,
(todos os dias são fúteis)
nas tarefas mais estranhas e inúteis.
Desde mancebo que labora
até à velhice que o levará embora.
 
Trabalha mas não ganha dinheiro,
nada cai no vácuo do mealheiro.
Provavelmente não é nenhum trabalho,
talvez seja uma loucura do seu cérebro falho.
 
O que faz é ostentar uma caneta entre os dedos
e riscar milhares de folhas com os seus medos.
Compõe mentiras em que acredita como um drogado encurralado
porque, no fundo, sabe que já não vai a qualquer lado.
 
Mundo...
Contempla, agora, mundo negro da besta,
o condenado de numero 666 gravado na testa!
Contempla o seu espanto e o tamanho da desilusão,
assiste à sua espantosa conclusão!
 
O mal, a tentação, a doença espiritual,
tudo no corpo chagado de forma tão brutal!
Se fosse poeta saberia com certeza:
não há nada para além das letras,
nada há que não seja sonhos e tretas…
(imagem retirada da internet)
Atentamente,
ejail.

(in)Felicidade(out)...

Junho 05, 2007

Eis como vejo a felicidade: como o Euromilhões. Só sai aos outros. A felicidade é, para mim como para muitas outras pessoas, uma utopia, um conceito do ser humano. Só que para mim é mesmo, não é algo que digo apenas da boca para fora. Para se aspirar a candidato à felicidade são precisas, na minha opinião, 4 coisas: genética, know-how, uma equipa competente e sorte. Resumidamente:
 
Genética – Há pessoas que nascem com uma maior predisposição para resistir às adversidades e manterem o equilíbrio mental e emocional. Da mesma forma que, em termos físicos há pessoas mais atléticas e saudáveis, o mesmo se aplica à componente psicológica.
 
Know-how – A educação que se teve, as filosofias assimiladas, a inteligência social e emocional. Todos estes factores se podem conjugar para que o bem-estar do indivíduo - enquanto ser isolado ou ser social - possa ser alcançado.
 
Equipa Competente – O que quero dizer com equipa competente é: a família, os amigos e os colegas. Se as pessoas que gravitam ao nosso redor são, regra geral, positivas ou negativas. Este ponto está, de certa forma, intimamente ligado com o know-how e a sorte.
 
Sorte – Ainda que de alguma forma, contra todas as probabilidades, conseguisse ganhar o Euromilhões, isso não seria, nem de perto, sinónimo de felicidade. E, só para que conste, é muito difícil ganhar o Euromilhões. Por mais fortes que sejamos, por mais competência que tenhamos e por melhores que sejam as pessoas que nos rodeiam, se não houver uma pitada de sorte a fluir por esses 3 factores… Diz-se que a sorte dá trabalho mas, da mesma forma, a falta de sorte dá “desemprego”…
 
Há, no entanto, pessoas que conseguem ser razoavelmente felizes sem que estas quatro condições se realizem em simultâneo. Todas as regras têm excepções e, para além do mais, estas regras são mero fruto da minha humilde opinião. Isto não é, propriamente, um documento oficial.
 
Eu não tenho tido a sorte de encontrar as pessoas certas e também não me sinto um grande primor da genética. O know-how não basta e, a cada dia que passa, tenho a sensação de saber menos. Sinto-me infeliz, estou cansado e estou cansado de estar cansado. Mas hoje tomei uma decisão: vou deixar de perseguir a felicidade. Vou deixar de a procurar. Não quero saber de mais nada. Estou cheio! Podem dizer que é cobardia, letargia, estupidez, conformismo, podem dizer o que quiserem. Quero lá saber! Só eu sei porquê.
 
A felicidade é um sonho
e, se é um sonho, então estou a dormir.
A desgraça é um pesadelo
e, se é um pesadelo, então estou a dormir.
Mas a felicidade não parece real
e a desgraça é demasiado real.
 
Nesta insónia de volver e revolver,
neste abrir e fechar de olhos sem ver,
neste cansado modo de escrever,
fica o inconformismo conformado,
o aforismo bem vincado:
 
Da desgraça não consigo acordar,
da felicidade não evito o despertar.
 
Atentamente,
José.

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