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Quinta Dimensão

Pilha-galinhas

Abril 04, 2021

Amador-AG2.jpg

Pergunto-me como me tornei tão anti-social?

 

O meu avô materno, na sua sóbria sabedoria transmontana, contava-me uma pequena história:

Era uma vez uma raposa. Certo dia, acossada por um Sol impiedoso e fustigada pela sede, encontrou refugio na sombra de uma ramada. Acima dela umas uvas que, apesar de encorpadas, não davam parte fraca perante o peso da gravidade. Pareciam troçar da condição menos favorável do animal. A raposa astuta fita os olhos nos frutos e demora-se. Pela sua mente passam milhares de pensamentos até que, por fim e de uma forma tão seca como a sua boca, diz para si mesmo:

- Estão verdes.

Não pensando mais no assunto, seguiu o seu caminho.

 

Sento-me debaixo de uma ramada de pensamentos.

Um manto de outono cobre as primaveras dos meus melhores anos e, apesar de não querer dar parte fraca perante o peso da idade, sinto-me maduro.

Mesmo assim, decido ocupar o lugar da raposa... e das uvas.

Demoro-me em milhares de pensamentos, até olhar novamente para mim.

Vislumbro uma criança velha, perdida num mundo estranho de adultos estranhos.

Um amador da existência.

- Estou verde.

Como foi possível não ter amadurecido?

Sinto que explica muito na minha vida mas sinto muito que não explique tudo.

É necessário um pouco mais de introspeção.

Limpo a névoa e olho mais um pouco.

Desta vez não me vou esconder.

A verdade é crua e pode ser cruel mas é com ela que tenho de seguir caminho.

Pergunto-me como me tornei tão anti-social?

 

“Não há árvore boa que dê mau fruto, nem árvore má que dê bom fruto.

Cada árvore conhece-se pelo seu fruto; não se colhem figos dos espinhos, nem uvas dos abrolhos.” - (Lucas 6:43-44)

 

As melhores respostas são as que trazem mais perguntas:

- Estou podre e perdi o meu caminho.

2 comentários

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    ejail 04.04.2021

    Sempre, não sei.
    O infinito está presente no reino das possibilidades mas, também, no das impossibilidades.
    Posto isto, por mais diluída que a possibilidade esteja, é possível encontrar o “caminho”.
    Um pouco como dizia José Régio: “… Não sei para onde vou / - Sei que não vou por aí!”:
    Não sei que trilhos percorro mas, por vezes, parecem ruas sem sentido. Pior que isso, eu sou o urbanista que os projecto. Em última análise nada disto faz sentido e eu próprio não faço sentido.
    Mas. resumindo, são apenas desabafos que atiro, sem expectativa, para esta quinta dimensão de realidades (e imaginações) paralelas.
    Talvez um dia se faça luz mas, às escuras, nem sempre é fácil encontrar o interruptor… ;)
    Obrigado pelo comentário e um abraço. Tudo de bom!
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