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Quinta Dimensão

Sinto-me 1 Fantasma

Junho 25, 2007

Com uma crescente frequência, dou por mim prostrado numa introspecção leviana. Surge a qualquer hora do dia - e da noite -, quando menos a espero. São indagações profundas e, no entanto, quase sempre fúteis. Nada têm de profícuo. Aparecem, sob a forma de passeios, em passos demorados, pelos labirintos do limbo enevoado que separa o real e a quimera. Percorro-me até às entranhas, numa tentativa vã de responder a questões que me devoram como piranhas. Esta introspecção, que corrompe a pureza do pensamento e provoca a flacidez dos músculos, deixa o corpo e a mente num estado letárgico, quase catatónico. Liberta lágrimas mudas - saídas sabe-se lá de onde - que caem frias, pesadas e barulhentas, como correntes de um estranho cativeiro de solidão perene. É um estado de sítio: em que os pensamentos e os sentimentos se rebelam contra o seu criador. Nesse instante sinto-me, tão-só, um estrangeiro para com os átomos que me compõem: um pária.
(imagem retirada da internet)
Às vezes recebo uns emails que falam de amizade e de amor. São, por norma, escritos com muito sentimento e, nalguns casos, com elegância. No fim, porém, trazem uma espécie de feitiço: se, após o ler, eu não o reenviar a um determinado número de pessoas, vou ser infeliz durante um outro determinado número de anos. Eu já recebi muitos emails desses e, às vezes, leio-os. Mas nunca os reenvio…
 
Quando me sinto magoado, fecho-me. Fecho-me muito. Mas, hoje, apenas hoje, abro uma pequena fresta para poder passar uma só pergunta: quem me leva os meus fantasmas?
 
Atentamente,
José.

4 comentários

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    ejail 26.06.2007

    Olá Infiel.

    Antes de mais, permite-me que agradeça a tua presença que tanto enriquece o meu pobre blog. É sempre bom receber feedback de alguém que traz consigo palavras sábias.

    É claro que aqui, neste post, a forma como me refiro aos fantasmas é num estilo jocoso. Não creio, como é óbvio, que sejam os emails, que não reencaminho, a raiz de todos os meus males. A questão é que seria muito mais fácil, para mim, acreditar que não consigo ser feliz por causa de um feitiço, ao invés de acreditar que não consigo ser feliz por incompetência. Seria mais fácil acreditar que não consigo ser feliz por ser um fantasma, do que acreditar que não consigo ser feliz por ser um pária.

    Nem os homens, nem os fantasmas, são todos iguais. Não se trata, no meu caso, de falta de amigos. Não tenho muitos, é certo, mas não é isso que está em questão. Não se trata de falta de sexo. É verdade que não faço tanto sexo como a maaf tem feito ultimamente, mas quem faz? Eu sinto muito, isso sim, a falta de uma amiga que me compreenda… e que deixe que eu a compreenda. De uma amiga que me abrace nos bons e nos maus momentos… e que deixe que eu a abrace nos bons e nos maus momentos. Preciso de alguém de quem eu goste de uma forma absoluta e não relativa… e que, esse alguém, goste de mim de uma forma absoluta e não relativa. Acho que, neste momento, preciso de amar alguém que me ame. Mas, acima de tudo, porque estou muito magoado, preciso de alguém que não me magoe mais…

    Às vezes as coisas até parecem estar a correr bem, mas acaba sempre por surgir alguma coisa. E, depois, por causa de alguns traumas passados, eu também não costumo lidar muito bem com essas situações. Acabo sempre por me fechar e afastar. E dói muito, esse afastamento… dói muito! Enfim… talvez estejas a pensar que sou muito básico… não sei… talvez tenhas razão. Talvez eu seja mesmo uma pessoa básica e pobre de espírito. Eu não sei, neste momento, o que sou…

    Obrigado, Infiel, pelo abraço… foi muito bem-vindo.
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    Infiel 26.06.2007

    Jamais te considerei uma pessoa basica!!!
    O que me desperta a atençao nos teus posts é a delicadeza de sentimentos, a dor, o pessimismo, o recusar em avançar e perdoa-me se estou errada, Talvez não tenha dado a atençao devida mas essa é a imagem com que fico da pessoa que aqui escreve, como te disse num outro comentario, vejo-te de negro tentando tapar a luz que tens dentro de ti.
    Eu acredito na evolução dos seres, que o Divino existe dentro de nós e que o podemos utilizar para nos sentirmos tão bem conosco que o negro da escuridão desaparece, Talvez ainda não te tenha lido nas entrelinhas, perdoa, mas vejo uma mão fora do oceano, com medo de agarrar a tabua e com medo de se deixar ir.sem querer saber que os pés tocam na areia
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    ejail 26.06.2007

    De facto, ando de negro. Mas não sei se estou a tentar tapar a luz. Talvez eu não tenha luz própria, talvez seja um pouco como a Lua... eu não sei. Mas sinto, é um facto, que me estou a afogar...

    Obrigado, Infiel, por, mais uma vez, me confortares com as tuas sábias e simpáticas palavras.
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