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Quinta Dimensão

divãgações cronodesmedidas

Agosto 04, 2010

(imagem retirada da internet)

 

O meu relógio procura imitar um círculo perfeito, andando, sempre, para a frente, mesmo quando já está, outra vez, a voltar para trás. Não regula bem. Percorre um segmento de tempo: a exacta quantidade de tempo correspondente ao intervalo entre o seu nascimento e consequente, inevitável, extinção. Corre, passo a passo, com fé, com confiança, com paciência, com determinação na busca da constância. Quase equânime.

 

Mas o tempo é como uma roda de hamster. É uma prisão e uma arma de destruição maciça que mata com o desgaste da erosão. Não mata o Todo mas mata tudo. Até os ideais, que nada mais são do que modas com outro nome. O tempo passa por tudo e tudo aquilo que é passado pelo tempo é isso mesmo: passado – passado: devorador insaciável de presentes, de presente.

O arco do tempo é, ao que a minha vista alcança, infinito. O seu movimento é perpétuo. A sua obra é perene e num estranho contra-senso inacabada, acabando, contudo, com tudo. Tudo abarca e só ele é eterno. Tudo o mais é seu interno. Não o tocamos. Ele toca-nos e como ele nos toca.

Tudo é barro nas mãos do tempo e aquilo que começa é barro daquilo que acabou e aquilo que acabou é barro daquilo que noutro tempo começou.

 

Mas é para a frente que se faz o caminho... um caminho de barro, embora.

O meu relógio indica... não importa! Que importa o que diz o relógio? Talvez deva começar a ler os tempos e não os relógios. É, talvez, tempo de vender (ou dar) um relógio.

O meu relógio procura imitar um círculo perfeito, mas está longe de ser uma obra perfeita. É apenas um objecto que persegue algo maior e intangível. É preciso mas até que ponto preciso da sua precisão. São horas de perguntar o tempo e não tempo de perguntar as horas!

 

E sinto o tempo passar através dos átomos que compõem a minha carne. Sinto o tempo trespassar os fotões e a matéria negra que compõem a minha alma.

Sinto-me um ponto, infinitamente pequeno, num plano infinitamente grande. Sinto-me uma partícula de tempo e matéria, um instante relativo numa eternidade absoluta.

Não sou daqueles que se sentem grandes num mundo pequeno. Não sou daqueles que se sentem pequenos num mundo grande. Não sou daqueles que se sentem.

Sou daqueles que não sabem o que sentem. Sou daqueles que não sabem as respostas. Sou daqueles que desconhecem as perguntas. Sou daqueles que o tempo vai enterrar no esquecimento.

Sou daqueles que precisa de acreditar em Deus para sentir a segurança que a queda contínua num abismo não pode proporcionar. Sou daqueles que, de forma hipócrita, fala para o céu em busca de uma luz quando o olhar escurece. Sou este execrável. Sou este homem que se consome. Este homem que o tempo há-de consumir.

 

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