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Quinta Dimensão

Existir sem Ser

Fevereiro 01, 2021

Ser.png

A alma e os seus labirintos:
calçadas sombrias de um outro mundo.
Estranhos e lúgubres infinitos,
ecos de um poço sem fundo.

Grito-me com todos as forças
e silencio-me com todas as fraquezas.
Há muito que empurro um saco de liças,
pleno de farsas e vazio de certezas.

Ao longe uma mulher abstrata.
Nua e voluptuosa, parece perdida.
Afasta-se nas ondas de um sonho de prata
e, quanto mais distante, maior a ferida.

(Vi)rus

Janeiro 18, 2021

covid.jpg

Quantas vezes me senti pequeno para mudar o mundo?
Mas o mundo mudou. Por algo, tão minúsculo, que não vejo.
Agora, o que não vejo, faz-me ver a minha tão grande cegueira:
Sou pequeno quando abdico de crescer.

Não Vais Morrer

Janeiro 10, 2021

arcoiris.png

O meu avô paterno tinha os seus defeitos, mas isso não importa porque era meu amigo.

Vivíamos na mesma casa: eu, os meus pais e os pais do meu pai. O meu avô estava aposentado devido a problemas de saúde provocados pelo pó das minas. Mas, como se não bastasse, para além de ter sido mineiro, era um fumador convicto.

Uma noite, por volta dos meus cinco anos, lembro-me de estar na cozinha com os meus avós e pai. Devia estar a brincar enquanto falavam de algo relacionado com o resultado de uns exames que o meu avô fizera aos pulmões. Apesar de não prestar atenção ao que era dito, o tom acelerado da conversa provocava-me uma crescente ansiedade. Por fim o meu pai, dirigindo-se ao meu avô, disse num tom frio e imperativo:

- Pai, você vai morrer!

Não me recordo do que foi dito até então nem, tão-pouco, do que foi dito após. Apenas essa frase seca. Nunca, até aquele momento, tinha sentido dentro de mim e à minha volta, um tão grande vazio. Vejo o meu avô retirar-se, cabisbaixo e solitário, na direção do quarto. Naquele momento surreal creio que tomei uma das decisões mais importantes da minha vida e fui ter com ele para ser seu amigo.

Estava deitado na cama, barriga para cima, ausente nos seus pensamentos. Sentei-me em cima dele. O meu pai sempre primara pelo egoísmo e pela ausência e, essa ausência, era-me disfarçada pela nobreza do meu avô. Não sabia o que fazer ou dizer para que se sentisse melhor. Para eu próprio me sentir melhor. Mas, passado algum tempo e enquanto brincava com o seu relógio de pulso, acabei por sussurrar-lhe:

- Avô, tu não vais morrer.

Passado muito pouco tempo, adoeceu seriamente. Passou por um sofrimento atroz de modo que fantasmas o afastaram da realidade e deixou de nos conhecer. Lembro-me de o ver contorcer-se com dores e da dor que era olharmo-nos sem nos vermos. Morreu poucos meses depois.

A vida – ou a morte – encerra curiosidades, algumas tristes. Enquanto brincava com o seu relógio e lhe dizia que não ia morrer... O tempo e a morte já o reclamavam. Hoje, quando me dizem que vai tudo ficar bem, digo que sim, mas não acredito muito. Quando digo a alguém que vai tudo ficar bem... bem, talvez hipocritamente, acredito pouco.

Mas a vida abre curiosidades, algumas menos tristes. Enquanto brincava com o seu relógio e lhe dizia que não ia morrer... Passados este anos todos, o meu avô está vivo: nestas palavras, nesta saudade. Neste peito.

Memo

Janeiro 08, 2021

Memo.png

As memórias são sombras da sombra do que fomos.

São vultos que se esfumam na bruma do esquecimento.

E, por cada memória que guardei, quantas perdi?

Algumas escondem-se de mim. Outras, escondo-me delas.

Algumas enganam-me.

Lembro-me de, em criança, escalar uma estátua de bronze.

Não compreendia o seu significado e não a respeitava.

Lembranças de infância, cada vez mais baças e confusas.

Lembranças que vou esquecendo. Pedaços de mim que perdi.

E, com tantas perdas, já se faz tarde sem que me descubra, mas...

Se me lembrasse de quem sou, seria eu.

Hoje sinto-me uma liga de cobre estranho.

Longe de ser herói, sinto-me perdido na estátua:

O Soldado Desconhecido.

Espelho, espelho meu...

Dezembro 22, 2020

paterson.jpg

Um dia vi um filme sobre um homem comum que escrevia poemas. Depositava-os num pequeno caderno. Quase no fim do filme, perplexo, encontrou as folhas do caderno desfeitas numa infinidade de pedaços irrecuperáveis. Metaforicamente como se um espelho, com a sua personalidade, se tivesse desfeito à sua frente. Um poema é mais que uma memória, uma observação ou um desejo. É, possivelmente, um pedaço da alma de quem o gera.

Sei, empiricamente, que onde falta alma sobra escuridão e vazio. Sei e sinto, concretamente, essa escuridão. Tantas vezes me vejo espelhado em pedaços irrecuperáveis.

Como eu, também um dia, os meus poemas se vão partir. A alma semiperdida diluir-se-á, com tantas outras, num mar de esquecimento e, sem misericórdia, o tempo apagará todas estas linhas. Contudo nada disso importa, pois apenas escrevo para me sentir inteiro e, tudo isto, nas entrelinhas.

Fundo do Mar

Julho 27, 2020

Nasci fragmentos
e não poucas vezes me encontro perdido.
Diluído em questões e tormentos
como se o próprio ego tivesse ardido.

Mas, quando apago, algo me chama.
Como o canto das sereias,
ou a luz e calor de uma chama.
Uma força que me arrasta das areias.

Então fixo os olhos até onde consigo alcançar
e penso que a minha alma pode estar no fundo do mar.
Abraço as ondas e deixo-me esvoaçar
até a maré se render e me acalmar.

Cerro os sentidos e ninguém sabe aquilo que pinto.
Ninguém vê aquilo que vejo.
Ninguém sente aquilo que sinto,
pois em ninguém extingue e arde o mesmo desejo.

 

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ejail

2020.07.27

Carta Fechada ao teu "Eu"

Abril 05, 2020

Não te apercebeste e sei que não o disseste por mal:
« - O nosso casamento não deu certo, nem podia. Temos personalidades muito diferentes. Quando nos conhecemos, estava debilitada. Agora sou mais "Eu".»

 

Pensei ter perdido metade de mim mas a verdade é que não se pode perder o que nunca se teve.
Desolado, há muito tempo que abandonei o orgulho e a estima que, em tempos, pensei ter.
Sinto-me um cão vadio, no frio da noite, enroscado sobre si mesmo.
Sinto-me sarnento, sem confiança, vazio.
Sinto-me na merda, a própria merda.

 

Resta-me a coragem para assumir a minha covardia e o quanto estou assustado.

Tenho um incrível medo do meu "Eu".
Tenho que te dizer que o nosso casamento não deu certo, nem podia, porque "Eu" nunca existi.

 

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ejail

2020.04.05

Passeios noturnos

Fevereiro 09, 2020

Tem noites em que vou passear o cão.

Às vezes por ele, outras vezes por mim.

Hoje, uma parte de mim que achava morta, mordeu-me… e fui passear o cão.

Tem noites em que a morte vive.

Às vezes por ela, outras vezes por mim.

Hoje mordi-me… e fui passear o cão.

 

cao.png

 

Voltas

Dezembro 18, 2019

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Volto a ver as voltas que a vida dá

e as voltas que damos na vida.

Entre voltas e revoltas,

passam momentos que não voltam.

Nesta infinidade de voltas,

volto a ver que não há volta a dar, senão voltar.

Nevoeiro

Agosto 06, 2019

Chegamos à praia, eu e a bicicleta.

Já não somos novos mas fugitivos de Cronos.

É cedo e uma cortina de nevoeiro cerrado faz-me questionar se estou acordado.

Contemplo o mar: cinzento e sereno.

Um vem e vai de pequenas ondas que cantam como sereias.

Deixo-me seduzir.

A espuma acaricia a areia enquanto me tenta alcançar.

Tudo é simples e, no entanto, tão belo.

Deixo-me estar.

As pegadas unem-se aos passos que não dei.

Deixo-me ir.

A maresia e o orvalho trespassam a máscara e acariciam-me o rosto.

Sinto a alma e, nesse momento, dou por mim menos desacompanhado.

Deixo o ser e deixo-me ser.

Encontro-me.

Mas, com tanto nevoeiro, o mais certo é perder-me.

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Nunca Caminhamos Sós

Julho 20, 2019

Nunca caminhamos sós.

Quando, com a minha solidão, serpenteio pelas ruelas da cidade.

Quando, corcunda, carrego a sombra pelos trilhos apagados de uma qualquer floresta.

Quando o sono me transporta até à orla do insondável.

Quando uma lágrima cede à gravidade.

Nunca caminhamos sós.

Os nossos fantasmas acompanham-nos.

 

ejail

Falta ( não é futebol ).

Junho 25, 2012

Tantos blogs que morreram. Ou definham num modo de morrer interminável. Pedaços de sentimentos, congelados na aridez de um deserto de tempo perdido. Tanto de tanta gente que um servidor, teimosa e automáticamente, guarda e faz permanecer através desta ridícula, ilusória e brevíssima eternidade. Criações abandonadas pelos criadores.

 

Estou a ver blogs antigos e soa-me como se de navios fantasma se tratasse. Vagueiam num mar infinito, titânico. Navegam o esquecimento. Sinto o gelo da solidão ao reparar nas últimas datas, detidas e atoladas num passado longínquo, fúngico e bastante pastoso. Sinto a falta do calor humano, das cores dos sentimentos recentes, do escorregar das lágrimas e do bálsamo dos sorrisos. Sinto falta dos desabafos verdadeiros e dos sonhos inocentes, das realidades enganadas. Sinto a ausência dos olhos, que banhavam as letras com a suave esponja da atenção. Sinto a falta dos comentários que seduziam os textos com novas e refrescantes perspectivas.

 

Sinto a falta de uma parte de mim que viaja com todos aqueles que conheci.

 

Não é que queira voltar ao passado mas, hoje...

Sinto a falta do tudo, perante este nada.

Sombra Lunar

Abril 11, 2012

Parece-me, de noite, ver alguém na Lua,

solitário e prisioneiro do seu lado oculto.

Parece navegar as cinzas numa falua

e arrastar-se no sedimento como um vulto.

 

Existirão seres extra-terrestres,

ou será apenas a névoa do meu olhar cansado?

Talvez só chamando cientistas e mestres,

para vencer as crenças e os dogmas do passado.

 

O mais certo é eu estar aluado,

desgostoso pela gravidade do espaço.

Triste e despedaçado por não ser amado

e ansioso por me deitar num regaço.

 

Mas não!

Não estou louco nem estafado,

muito embora haja quem diz o contrário.

É que não é fácil ludibriar o fado:

lá em cima só eu e este pobre diário.

A Procura de Um Sentido

Maio 30, 2011

 

(imagem retirada da internet)

 

 

Um sentido para cinco.
Cinco ou mais, talvez...
Vistas condensadas num olhar profundo,
do extremo celestial à solidão palpável do centro do mundo.
Um pensamento que condenso e trinco,
em silêncio, uma e outra vez.
Decantada a fragrância a que, em tantos dias, fui alérgico:
de que serve o tudo - ou o nada -, num espírito pentaplégico.

 

ejail (2011.05.30)

O Martemático

Agosto 21, 2010

Hoje, por causa de uma conversa, lembrei-me desta relíquia...

 

 

 

 

Do Ábaco ao computador actual, passando por Blaise Pascal;
tudo se alterou de forma radical.
O noivado da informática e da caneta,
num raciocínio do digital e da sebenta.

Matemático de Marte,
a exactidão é uma arte.
Poeta de terra,
os mundos estão em guerra.

Combinações que na tua vida não combinam,
correspondências que os números não ensinam.
Integrais que não integras jamais,
diferenciais que perdes entre suspiros e ais.

Arredondas um par de raízes quadradas,
com o encanto de um conto de fadas.
Traças diagonais e assimptotas verticais,
com a magia de poemas musicais.

Desenhas gráficos com tangentes e secantes,
em quadrículas cúmplices como amantes.
Sombreias o espaço interceptado com cinzentos,
como se procurasses esconder os tormentos.

Calculas este raio de mundo
com contas de carácter profundo.
Transformas um dado em parâmetro
e um mistério na função que devolve o diâmetro.

Reduzes o complexo à canónica,
como o resumo objectivo de uma crónica.
Dispões as mágoas numa matriz
e procuras a cura para cada cicatriz.

Amas sem limite, do menos ao mais infinito
e pelejas com o que para muitos não passa de mito.
Levantas o rosto na direcção do crepúsculo
e sabes, não passas de um ponto minúsculo.

Derivas argumentos com factos
por desvarios sinuosos e abstractos.
Trabalhas os números primos
mas o que anseias, mesmo, é por mimos.


As contas da vida,
essa tua ferida.
Extra-terrestre, astronauta,
encantador de flauta.
Essas pessoas reais,
que esqueceram os ideais.
Esses comportamentos complexos,
que te deturpam os reflexos.
Homem indivisível,
homem invisível.
Tu: pajem inteiro,
sem título de cavaleiro.
Tu: existência abandonada,
com a alma racionada.
Contador de mundos,
afogado em desgostos profundos.
Uma vontade que esfria,
num desaguar na noite sombria.
Ser perdido, sem pontas,
no céu, quantas estrelas tu contas?

Equacionas o interior
mas apenas te sentes inferior.
Um conjunto vazio numa depressão despegada,
hieróglifos do passado numa história apagada.

Martemático: poeta dos números;
quantificas corpos inúmeros.
Dissecas teorias que desmontas
mas nunca entenderás certas contas.

ejail

divãgações cronodesmedidas

Agosto 04, 2010

(imagem retirada da internet)

 

O meu relógio procura imitar um círculo perfeito, andando, sempre, para a frente, mesmo quando já está, outra vez, a voltar para trás. Não regula bem. Percorre um segmento de tempo: a exacta quantidade de tempo correspondente ao intervalo entre o seu nascimento e consequente, inevitável, extinção. Corre, passo a passo, com fé, com confiança, com paciência, com determinação na busca da constância. Quase equânime.

 

Mas o tempo é como uma roda de hamster. É uma prisão e uma arma de destruição maciça que mata com o desgaste da erosão. Não mata o Todo mas mata tudo. Até os ideais, que nada mais são do que modas com outro nome. O tempo passa por tudo e tudo aquilo que é passado pelo tempo é isso mesmo: passado – passado: devorador insaciável de presentes, de presente.

O arco do tempo é, ao que a minha vista alcança, infinito. O seu movimento é perpétuo. A sua obra é perene e num estranho contra-senso inacabada, acabando, contudo, com tudo. Tudo abarca e só ele é eterno. Tudo o mais é seu interno. Não o tocamos. Ele toca-nos e como ele nos toca.

Tudo é barro nas mãos do tempo e aquilo que começa é barro daquilo que acabou e aquilo que acabou é barro daquilo que noutro tempo começou.

 

Mas é para a frente que se faz o caminho... um caminho de barro, embora.

O meu relógio indica... não importa! Que importa o que diz o relógio? Talvez deva começar a ler os tempos e não os relógios. É, talvez, tempo de vender (ou dar) um relógio.

O meu relógio procura imitar um círculo perfeito, mas está longe de ser uma obra perfeita. É apenas um objecto que persegue algo maior e intangível. É preciso mas até que ponto preciso da sua precisão. São horas de perguntar o tempo e não tempo de perguntar as horas!

 

E sinto o tempo passar através dos átomos que compõem a minha carne. Sinto o tempo trespassar os fotões e a matéria negra que compõem a minha alma.

Sinto-me um ponto, infinitamente pequeno, num plano infinitamente grande. Sinto-me uma partícula de tempo e matéria, um instante relativo numa eternidade absoluta.

Não sou daqueles que se sentem grandes num mundo pequeno. Não sou daqueles que se sentem pequenos num mundo grande. Não sou daqueles que se sentem.

Sou daqueles que não sabem o que sentem. Sou daqueles que não sabem as respostas. Sou daqueles que desconhecem as perguntas. Sou daqueles que o tempo vai enterrar no esquecimento.

Sou daqueles que precisa de acreditar em Deus para sentir a segurança que a queda contínua num abismo não pode proporcionar. Sou daqueles que, de forma hipócrita, fala para o céu em busca de uma luz quando o olhar escurece. Sou este execrável. Sou este homem que se consome. Este homem que o tempo há-de consumir.

 

A Vida é quem mais ordena

Novembro 08, 2009

 

Hoje não escrevo. Bombardeio!
Não me fico pelas meias palavras nem pelo termo e meio.
Hoje não digo. Determino!
Abro fissuras no terreno e estremeço o divino!

Extravasa, rebenta!
Não pares! Nem por sete nem setenta.
Estoura, incendeia!
Vive a vida. Vive a ideia!

Trespassa o vazio e a plenitude,
com a tua velha juventude!
Desarma o sossego e arma o desassossego,
com a liberdade que te dá o desapego!

Sê educadamente selvagem e primitivo,
sê espectacularmente explosivo!
Sê carne e espírito,
sê, para ti mesmo e ao mesmo tempo, amado e proscrito!

Rasga o céu, excita electrões e funde átomos!
Sai da pasmaceira daquilo que fomos.
Torna-te no que és!
Está nas tuas mãos. Ouve! A oportunidade clama a teus pés.

Mergulha no fundo.
Perscruta bem esse mundo etéreo e imundo.
Limpa-te bem na sujidade e suja-te igualmente na limpeza.
Deseja, com a mesma ardência, a feiura e a beleza!

Inspira e expira nos píncaros!
Que as penas das tuas asas sejam múltiplos Ícaros.
Voa até que as entranhas do sol te devorem e os teus sentidos gritem!
Mas elas que provem e, se não gostarem, que te vomitem.

Faz amor com a tristeza e faz nascer alegria!
Faz jorrar, do teu íntimo, um pentecostes e um rio ébrio de sangria!
Conjuga sons e cria línguas estranhas, mas musicais.
Parte para longe. Abandona o teu querido cais...

Hoje dá-se o corte.
Ressuscita Morte!
Levanta-te e anda!
A Vida manda.

ejail (2009.11.07)

A Todos Que Passaram Pela Quinta Dimensão

Junho 10, 2009

 

As palavras não são sentimentos,
não os traduzem.
Porque, sempre que os tentam traduzir, algo se perde.
E, quando se fala de sentimentos, se algo se perde, tudo se perde.
As palavras não são e não traduzem sentimentos!
Podem, no entanto, toca-los.
Como um piano pode tocar uma melodia
e como uma melodia pode tocar a alma.
Como gotas de chuva podem tocar o rosto
e como um rosto molhado pode inquietar a alma.
Ou...
Como o vento persistente pode tocar um solo
e o solo pode tocar o indivíduo, afastando-o da multidão.
As palavras são construções do homem
e os sentimentos, desconstruções da humanidade.
As palavras são pontos do mapa
e os sentimentos pontuações do terreno.
Se algo é:
as palavras são o que são
e os sentimentos são o que são.
No que me diz respeito: sinto muito, por escrever.
Mas também escrevo por sentir muito.
Se calhar não me diz respeito.
Se calhar não sei, tão-pouco, quem sou.
Afinal, quem somos nós?
Não respondo com palavras.
Pergunto-me com sentimento!

 

ejail.

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