Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Quinta Dimensão

Que Sono…

Outubro 14, 2021

Zzz.png

A felicidade é um sonho
e, se é um sonho, então estou a dormir.
A desgraça é um pesadelo
e, se é um pesadelo, então estou a dormir.
Mas a felicidade não parece real
e a desgraça é demasiado real.

Nesta insónia de volver e revolver,
neste abrir e fechar de olhos sem ver,
neste cansado modo de escrever,
fica o inconformismo conformado,
o aforismo bem vincado:

Da desgraça não consigo acordar,
da felicidade não evito o despertar.

Sons da Escrita

Outubro 12, 2021

JoseAntonioMoreira.jpg

O Professor José António Moreira foi o responsável por aquele que considero o melhor audioblog português.
Fui apenas um dos muitos seguidores, a quem o projeto e a excecional pessoa, deixaram saudades e a sensação de perda irreparável.
Deixo uma humilde e tardia homenagem.
Deixo que o silêncio vítreo do passado seja, agora, quebrado pela memória do "Sons da Escrita":

 

https://www.tsf.pt/programa/radiocom/emissao/sons-da-escrita-892117.html

Achismos

Outubro 07, 2021

lupa.jpg

Agarro-me a nada
como se fosse tudo.
E uso todas as forças
para apertar as fraquezas.

Porque o tudo
me faz sentir ninguém.
E porque esse nada
me faz sentir alguém.

Porque todas as forças
são minhas fraquezas.
Porque perdi e me perdi.
E acho que não me quero achar.

Anel Real

Outubro 03, 2021

AnelReal.jpg

Um dia contaram-me uma história.
Em poucas palavras era mais ou menos assim:

«Há muito tempo, num reino distante, havia um rei que tinha abandonado a alegria para mergulhar numa densa tristeza.
Passaram muitos dias sem que nada ou ninguém o conseguisse arrancar às trevas.
Até que, por Decreto Real, foram convocados todos os sábios para ajudarem o "pobre" soberano.
Um por um, os sábios foram tentando e falhando, até que chegou um estranho mago nunca antes visto por aquelas terras.
O enigmático homem segurou a mão do rei e colocou-lhe um simples anel no dedo.
- Quando a tristeza for insuportável, retire-o. - Foram as secas instruções deixadas antes de desaparecer.
Dia para dia a tristeza aumentava até que se tornou insuportável. O rei lembrou-se do anel que tinha no dedo e retirou-o.
Nada aconteceu.
Então, a meio das lágrimas, algo parecia surgir no interior do objeto.
Uma espécie de mensagem que passara despercebida e que, agora o rei tentava ler, limpando a visão desfocada:

- Isso passa.»

Estou longe de ser rei, apenas sei que a dor e tristeza são reais.
Ao longo da vida tenho retirado o anel muitas vezes, mais do que alguma vez imaginei.
Muitas vezes demora, mas acaba por passar. Depois volta e, porque tudo passa, passará outra vez... e outra vez.

Hoje o anel está fora do dedo.

Psicanálise (com Manoel de Barros)

Setembro 29, 2021

mic.jpg

Sinto-me uma espécie de atrito,
porque falo sempre demais
... e nada tenho que valha a pena ser dito.
Mas, se ninguém escuta palavras a mais,
por que as digo?
Voo, em pensamentos reais ou fictícios,
até a escrita falar comigo:
- "Uso a palavra para compor meus silêncios." *

 

 

* - Início do poema "O apanhador de desperdícios" de Manoel de Barros

Quinta Dimensão

Setembro 17, 2021

Se desconsiderarmos o preto e o branco, a vida tem episódios sem cor.

 

Lembro-me de, em criança, aguardar - com crescente ansiedade - pela hora em que a Quinta Dimensão expandia os limites bidimensionais da velha televisão.

 

Passou muito tempo e as lembranças fundem-se com esquecimentos. O cérebro procura acompanhar a velocidade dos dias e, por vezes, quando precisa de espaço, liberta aquilo que considera lastro: decrépitas memórias sem real utilidade prática. Fica uma espécie de névoa crepuscular, que se adensa com a distância do passado. O cérebro não tem coração.

 

Tudo isto pode ser um devaneio mas também pode ser “The Twilight Zone”.

 

1200px-The_Twilight_Zone_logo.svg.png

 

Não gosto de reciclar ... nem de bater no Juiz Negacionista

Setembro 10, 2021

r.png

Não gosto de reciclar

... nem de bater no Juiz Negacionista.

 

Blasfémia. A fogueira aguarda-me.

 

Mas porque devemos defender a reciclagem e porque devemos atacar o juiz negacionista?

Vamos por partes e pensar um pouco.

 

Peguemos, por exemplo, na situação do plástico e dos microplásticos.

Os danos ambientais e sociais provocados por essa praga são catastróficos e alarmantes, mas nem por isso deixamos de ver plástico em garrafas ou embalagens de alimentos, na construção civil, na indústria automóvel, nos dispositivos tecnológicos e nos brinquedos dos nossos filhos. Um monstro insaciável.

A reciclagem surge como uma espécie de penso rápido para aplicar numa chaga de crescimento exponencial e sem fim à vista. Tão-pouco é possível reciclar a totalidade do plástico e certos processos de reciclagem libertam gases nocivos para a atmosfera. Inclusive, muitos dos contentores usados, para depositar os resíduos a reciclar, são feitos de plástico. Termos como "reciclagem" ou "energia verde" são aceites universalmente como algo positivo para o planeta e humanidade, mas não deixam, também, de ser uma espécie de armadilhas escondidas. Ao defendermos a reciclagem, não colocamos na agenda ambiental a discussão do verdadeiro problema: o consumo desmesurado de recursos incentivado por modelos económicos desajustados. A palavra "reciclagem" alberga, por conseguinte, uma riqueza e complexidade de questões e perspetivas que devem ser debatidas com propósito e seriedade. Não devemos, simplesmente, negar pensar sobre algo porque vai contra a linha de pensamento consensual.

 

Juiz Negacionista.

Quantas vezes ouço esta expressão nos órgãos de comunicação social? Para começar é uma expressão vazia. Não dignifica o jornalismo nem os jornalistas que a usam. Devemos exigir muito mais deste Poder basilar de uma sociedade democrática. Não estou a defender a pessoa em causa, mas também não lhe quero bater porque defende algumas ideias diferentes das minhas. Estamos a falar de uma pessoa que terá de ter algum mínimo de inteligência, educação e cultura, que lhe permitiu alcançar o cargo de juiz. Alguém que, bem ou mal, sustenta as suas posições com argumentos pensados. Alguém que tem coragem para enfrentar críticas ferozes por algo que acredita.

Amanhã celebra-se o aniversário dos atentados do 11 de setembro. A “Covid” desses tempos dava pelo nome de "Terrorismo" e assistiu-se a uma "perseguição" de pessoas que defendiam temas relacionados com a privacidade. Eram caricaturados de antipatriotas e traidores. Alguns tinham ou têm nome, como é o caso de Edward Snowden. Sem querer entrar no campo polémico das comparações, Rui Fonseca e Castro pode estar profundamente errado, mas não é por isso que deve ficar sem voz. Hoje faleceu Jorge Sampaio. Um democrata, com as suas virtudes e defeitos, mas defensor da pluralidade. Não devemos deixar morrer a riqueza da diversidade de opiniões.

A minha parca experiência de vida diz-me que a verdade não tem dono e, por vezes, surpreende-nos. Mesmo a ciência - com todo o seu conhecimento e história - por vezes, engana-se. Assenta sobre determinados axiomas que só estão certos até que surja alguém que prove que estão errados. Tristemente, alguns operadores da ciência usam, num curioso paradoxo, as mesmas vestes que os longínquos oficiais da Inquisição da Santa Sé. Temos assistido a uma debandada, gradual e preocupante, do pensamento filosófico em várias áreas da ciência e da política. Em grande parte da sociedade. O vazio deixado pela ausência de pensamento crítico é preocupante quando preenchido pela cegueira da arrogância e intolerância. Não é fácil quebrar o manto ideológico que nos envolve, mas só o podemos fazer com uma arma: a questão e a humilde busca por respostas.

 

Não gosto de reciclar

... nem de bater no Juiz Negacionista.

Coração

Agosto 28, 2021

coracao.png

O coração é um órgão intrigante.
É, em certa medida, como um gato.
Uma espécie de viandante de mundos:
umas vezes carne, outras espírito;
umas vezes Amor, outras ódio;
umas vezes vida, outras morte.
Um mistério que palpita e se sente.

Exílio

Abril 30, 2021

20191217124701247.jpg

 

Tanta vida sem digestão,

tanta morte gerada por congestão.

O cansaço de mastigar as mesmas rimas,

endurecidas por tão estranhas enzimas.

 

Monólogos enferrujados e pesados como grilhões,

pensamentos estéreis e questões aos milhões.

O ar pernicioso e demasiado rarefeito,

adoecido por uma angústia que aperta no peito.

 

Estranha forma de vulto,

que se contorce no seio do tumulto.

Um espírito demasiado elanguescente,

aos olhos das cercanias, ultra-transparente.

Mas como (ou para quê) reflectir a luz e aparecer,

se os dias deste mundo não param de anoitecer?

Monty Hall

Abril 06, 2021

250px-Monty_open_door.svg.png

Longe de ser matemático (apenas um reles martemático*) deparei-me, há muitos anos atrás, enquanto lia um pequeno livro, com um enigma. Um problema que, paradoxalmente, ajuda a encontrar soluções. É conhecido como o “Problema de Monty Hall”.

 

De forma minimalista, o enunciado traduz-se da seguinte forma:

“Estamos num concurso televisivo. No cenário existem três portas fechadas. Sabe-se que atrás de uma das portas está um prémio - na forma de automóvel - e cada uma das outras portas esconde uma desilusão - na forma de bode. O apresentador dá a possibilidade de o concorrente escolher uma porta. Escolhida a porta, o apresentador (que sabe onde está o carro), decide apimentar o concurso com um pouco mais de suspense e abre uma das outras portas, revelando um bode. Estão agora duas portas fechadas e o apresentador pergunta ao concorrente se quer manter a decisão ou escolher a outra porta. O concorrente encontra-se num dilema e terá que decidir se segue a convicção inicial e mantém a decisão ou, pelo contrário, muda e opta pela outra porta ainda fechada.”

 

Para resolver este problema, de uma forma simples, vamos definir três portas fechadas, batizando-as de: “Porta A”, “Porta B” e “Porta C”. Vamos, também, convencionar que o carro se encontra atrás da “Porta A” e atrás da “Porta B” está um bode, assim como atrás da “Porta C” está outro bode. Então temos:

“Porta A” fechada com o carro;

“Porta B” fechada com um bode;

“Porta C” fechada com um bode.

Agora vamos esquematizar o reino das possibilidades (o que poderá acontecer):

  1. O concorrente escolhe a “Porta A” (onde está o carro);
    • O apresentador abre uma das outras portas (onde está um bode) e o concorrente muda para a outra porta fechada (onde também está um bode). – O concorrente ---> PERDE;
  2. O concorrente escolhe a “Porta B” (onde está um bode);
    • O apresentador só pode abrir a “Porta C” (onde está o outro bode) e o concorrente muda para a “Porta A” (onde está o carro). – O concorrente ---> VENCE;
  3. O concorrente escolhe a “Porta C” (onde está um bode);
    • O apresentador só pode abrir a “Porta B” (onde está o outro bode) e o concorrente muda para a “Porta A” (onde está o carro). – O concorrente ---> VENCE;

Inicialmente o concorrente tem uma possibilidade em três de acertar na porta que oculta o carro. A troca de porta resulta num rácio de vitória de duas possibilidades em três.

 

Não é fácil criar espaço entre o pensamento e as convenções ou perceções que vamos adquirindo ao longo dos anos. As próprias convicções só poderão ser importantes se não nos cegarem e nos limitarem. Muitas das convicções são construídas no passado, em dias que sabíamos menos que hoje, sendo que hoje sabemos pouco. É, pelo menos, um problema matemático que nos incita a fazer contas à vida. Invocando a minha avó materna, já dizem os ditados que “o diabo está nos detalhes” e “quem muda Deus ajuda”.

 

https://pt.wikipedia.org/wiki/Problema_de_Monty_Hall

Pilha-galinhas

Abril 04, 2021

Amador-AG2.jpg

Pergunto-me como me tornei tão anti-social?

 

O meu avô materno, na sua sóbria sabedoria transmontana, contava-me uma pequena história:

Era uma vez uma raposa. Certo dia, acossada por um Sol impiedoso e fustigada pela sede, encontrou refugio na sombra de uma ramada. Acima dela umas uvas que, apesar de encorpadas, não davam parte fraca perante o peso da gravidade. Pareciam troçar da condição menos favorável do animal. A raposa astuta fita os olhos nos frutos e demora-se. Pela sua mente passam milhares de pensamentos até que, por fim e de uma forma tão seca como a sua boca, diz para si mesmo:

- Estão verdes.

Não pensando mais no assunto, seguiu o seu caminho.

 

Sento-me debaixo de uma ramada de pensamentos.

Um manto de outono cobre as primaveras dos meus melhores anos e, apesar de não querer dar parte fraca perante o peso da idade, sinto-me maduro.

Mesmo assim, decido ocupar o lugar da raposa... e das uvas.

Demoro-me em milhares de pensamentos, até olhar novamente para mim.

Vislumbro uma criança velha, perdida num mundo estranho de adultos estranhos.

Um amador da existência.

- Estou verde.

Como foi possível não ter amadurecido?

Sinto que explica muito na minha vida mas sinto muito que não explique tudo.

É necessário um pouco mais de introspeção.

Limpo a névoa e olho mais um pouco.

Desta vez não me vou esconder.

A verdade é crua e pode ser cruel mas é com ela que tenho de seguir caminho.

Pergunto-me como me tornei tão anti-social?

 

“Não há árvore boa que dê mau fruto, nem árvore má que dê bom fruto.

Cada árvore conhece-se pelo seu fruto; não se colhem figos dos espinhos, nem uvas dos abrolhos.” - (Lucas 6:43-44)

 

As melhores respostas são as que trazem mais perguntas:

- Estou podre e perdi o meu caminho.

Guerra Individual

Março 29, 2021

Geres.jpg

Este nevoeiro dos dias

que oculta cordilheiras com outras vias.

Este fumo de confusão

que envenena a mente com desilusão.

Este manto de escuridão

que comprime a alma na companhia da solidão.

Este inferno de maldição,

esta adaga no meio do coração,

não significa - de todo - a minha rendição.

Bicho da Sede

Março 17, 2021

web.png

Agora percebo:

 

Ninguém me ama,

 

não mais do que me odeio.

 

Um velho mancebo,

 

que se apaga e jamais inflama.

 

Um calhau sem matéria no meio.

 

 

 

Agora percebo:

 

Ninguém me liberta,

 

não mais do que me prendo.

 

Este veneno que bebo,

 

que me afaga no seio da morte certa.

 

Um Ser que não é mas vai parecendo.

 

 

 

Agora percebo:

 

Ninguém me elucida,

 

não mais do que me confundo.

 

As orações ao Verbo,

 

que nunca ressuscitaram vida.

 

Um bicho do fim do mundo.

Nua e voluptuosa, parece perdida.

Março 16, 2021

qr.png

Algures, nestes tempos em que sonho e realidade se confundem, perdi a alma.

 

Escrevo quando me seca a língua e humedecem os olhos.

 

Quando sinto sede de algo que não sei.

 

Com letras trocadas, palavras baratas e frases desconexas.

 

Tenho uma queda natural para o erro.

 

Mas é o erro que me faz e é o erro que me desfaz.

 

Não há mais. É tudo o que sou.

 

São cartas que dirijo ao vazio da solidão.

 

E, hoje, não aguardo pelos seus ecos.

 

Hoje não aguardo pelos seus ecos.

 

Hoje não aguardo pelos seus ecos.

Existir sem Ser

Fevereiro 01, 2021

Ser.png

A alma e os seus labirintos:
calçadas sombrias de um outro mundo.
Estranhos e lúgubres infinitos,
ecos de um poço sem fundo.

Grito-me com todos as forças
e silencio-me com todas as fraquezas.
Há muito que empurro um saco de liças,
pleno de farsas e vazio de certezas.

Ao longe uma mulher abstrata.
Nua e voluptuosa, parece perdida.
Afasta-se nas ondas de um sonho de prata
e, quanto mais distante, maior a ferida.

(Vi)rus

Janeiro 18, 2021

covid.jpg

Quantas vezes me senti pequeno para mudar o mundo?
Mas o mundo mudou. Por algo, tão minúsculo, que não vejo.
Agora, o que não vejo, faz-me ver a minha tão grande cegueira:
Sou pequeno quando abdico de crescer.

Mais sobre mim

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2021
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2020
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2016
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2015
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2014
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2013
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2012
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2011
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2010
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2009
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2008
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2007
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D