Sexta-feira, 31 de Agosto de 2012
democrAZIA

Apetece-me cometer uma ilegalidade, mas não sei qual.

 

Poderia escolher tantas, mas sempre fui um pouco indeciso. Talvez um crime imensamente perverso e intelectual, mas hoje estou elanguescente. Fazer um Voodoo: espetar umas agulhas num Action Man e depilar uma galinha preta, mas isso é mais liberdade religiosa do que crime. Assaltar um banco ou, um pouco menos ambicioso, uma senhora idosa. Sim, a senhora idosa! A, sempre simpática, fácil e “Abutre-Ready”, senhora idosa! Mas acho que não... Ia ter pena do humanoide e o apuro não seria substancial. Um crime gramatical? Sou demasiado macho para considerar, o golpe em questão, como um crime! Talvez burlar? Sim, burlar! Uma palavra tão pequena, suave e acolhedora. Vamos na onda do “bur” e quando dámos por nós já estamos a chegar ao doce “lar”. É isso! Burlar! Cá vai a burla:

 

Portugueses: apertem os cintos porque há esperança!

 


sinto-me: pt-PT
música: pimba!

publicado por ejail às 01:57
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito
|

Segunda-feira, 25 de Junho de 2012
Falta ( não é futebol ).

Tantos blogs que morreram. Ou definham num modo de morrer interminável. Pedaços de sentimentos, congelados na aridez de um deserto de tempo perdido. Tanto de tanta gente que um servidor, teimosa e automáticamente, guarda e faz permanecer através desta ridícula, ilusória e brevíssima eternidade. Criações abandonadas pelos criadores.

 

Estou a ver blogs antigos e soa-me como se de navios fantasma se tratasse. Vagueiam num mar infinito, titânico. Navegam o esquecimento. Sinto o gelo da solidão ao reparar nas últimas datas, detidas e atoladas num passado longínquo, fúngico e bastante pastoso. Sinto a falta do calor humano, das cores dos sentimentos recentes, do escorregar das lágrimas e do bálsamo dos sorrisos. Sinto falta dos desabafos verdadeiros e dos sonhos inocentes, das realidades enganadas. Sinto a ausência dos olhos, que banhavam as letras com a suave esponja da atenção. Sinto a falta dos comentários que seduziam os textos com novas e refrescantes perspectivas.

 

Sinto a falta de uma parte de mim que viaja com todos aqueles que conheci.

 

Não é que queira voltar ao passado mas, hoje...

Sinto a falta do tudo, perante este nada.


sinto-me: ?
música: ...

publicado por ejail às 02:18
link do post | comentar | ver comentários (2) | favorito
|

Domingo, 9 de Janeiro de 2011
Bom Ano!

 

Após tanto tempo sem escrever, seria de supor que tenho algo relativamente interessante para dizer. Não poderia, esta ideia, estar mais desviada da verdade. Neste canto, dizer algo de jeito, é pura ficção.

 

Este blog está em total decadência. Vazio de conteúdos, vazio de ideias, sem rumo, desalmado. Com uma linha estratégica de marketing, superiormente elaborada, no sentido da desgraça e da auto e alta (ou baixa) destruição. Este conjunto desconexo de textos está, a muito e muito, a caminho da aniquilação: o Apocalipse da Quinta Dimensão. Mas, para que conste, não tenho, como é hábito, qualquer responsabilidade no caso. A culpa é das famosas e famigeradas redes sociais: do Facebook e do Twitter, que esmagam as minhas audiências. – pausa para rancor (mínimo de 20 seg). – Ainda dei alguma luta com as minhas (vossas) 6381 visitas mas, por muita qualidade que elas tenham, se as convertesse em assinaturas não chegavam para concorrer à presidência da república. Como se não bastasse, estou fora de moda: ando pouco na rede e nada social.

 

Não escrever durante muito tempo não me esclarece a mente e provoca-me dificuldades ao nível das, sempre difíceis, decisões de colocação de virgulas. Escrever pouco é, também, em incerta medida, como deixar de lavar os dentes. Se, no caso da badalhoquice, ganhamos um sem número de amigas que dão pelo nome de bactérias, no caso da ausência de escrita, amealhamos os erros ortográficos. Se, no primeiro caso, ficamos com os dentes numa miséria, no segundo, os textos tornam-se miseráveis. Noto a ferrugem associada a cada letra, a chiadeira que produz cada palavra, as dificuldades de engrenagem entre as frases e a bosta que resulta de tudo isso. No entanto, tudo isso me faz sentir vivo, porque me faz sentir mortal. Claro que a frase anterior é treta (não sinto nada disso mas achei que era uma frase com power de hip-hop).

 

2011 vai ser um ano difícil para todos menos alguns. Se o país está sem valor, talvez nos reste perscrutar dentro de nós os valores que nos fazem, realmente, bem. Dessa forma, por mais que percamos, ganhamos sempre qualquer coisa e, essa qualquer coisa, é mais do que tudo o resto.

 

Um bom ano para todos os pacientes (pela paciência) que passaram e passam por aqui!

 

 

ejail


sinto-me: a rodar em falso
música: um dueto pimba qualquer

publicado por ejail às 23:23
link do post | comentar | favorito
|

Quarta-feira, 10 de Junho de 2009
A Todos Que Passaram Pela Quinta Dimensão

 

As palavras não são sentimentos,
não os traduzem.
Porque, sempre que os tentam traduzir, algo se perde.
E, quando se fala de sentimentos, se algo se perde, tudo se perde.
As palavras não são e não traduzem sentimentos!
Podem, no entanto, toca-los.
Como um piano pode tocar uma melodia
e como uma melodia pode tocar a alma.
Como gotas de chuva podem tocar o rosto
e como um rosto molhado pode inquietar a alma.
Ou...
Como o vento persistente pode tocar um solo
e o solo pode tocar o indivíduo, afastando-o da multidão.
As palavras são construções do homem
e os sentimentos, desconstruções da humanidade.
As palavras são pontos do mapa
e os sentimentos pontuações do terreno.
Se algo é:
as palavras são o que são
e os sentimentos são o que são.
No que me diz respeito: sinto muito, por escrever.
Mas também escrevo por sentir muito.
Se calhar não me diz respeito.
Se calhar não sei, tão-pouco, quem sou.
Afinal, quem somos nós?
Não respondo com palavras.
Pergunto-me com sentimento!

 

ejail.


sinto-me: Agradecido
música: Talvez um solo dos Pink Floyd

publicado por ejail às 01:08
link do post | comentar | favorito
|

Sexta-feira, 10 de Abril de 2009
MAR

- Ouvi, uma vez, um poeta dizer que a beleza das coisas está nos olhos de quem as vê:

 

IMPRESSÃO DIGITAL 

Os meus olhos são uns olhos, 
e é com esses olhos uns 
que eu vejo no mundo escolhos, 
onde outros, com outros olhos, 
não vêem escolhos nenhuns. 

Quem diz escolhos, diz flores! 
De tudo o mesmo se diz! 
Onde uns vêem luto e dores, 
uns outros descobrem cores 
do mais formoso matiz. 

Pelas ruas e estradas 
onde passa tanta gente, 
uns vêem pedras pisadas, 
mas outros gnomos e fadas 
num halo resplandecente!! 

Inútil seguir vizinhos, 
querer ser depois ou ser antes. 
Cada um é seus caminhos! 
Onde Sancho vê moinhos, 
D.Quixote vê gigantes. 

Vê moinhos? São moinhos! 
Vê gigantes? São gigantes!

 

António Gedeão

 

- Há momentos, porém, nas nossas vidas, em que as vistas se cansam. São momentos em que, por muito esforço que façamos, apenas vemos escuridão.

  ... só nós sabemos como é:

 

LÁGRIMAS OCULTAS
 
Se me ponho a cismar em outras eras
Em que ri e cantei, em que era querida,
Parece-me que foi noutras esferas,
Parece-me que foi numa outra vida...
 
E a minha triste boca dolorida,
Que dantes tinha o rir das primaveras,
Esbate as linhas graves e severas
E cai num abandono de esquecida!
 
E fico, pensativa, olhando o vago...
Toma a brandura plácida dum lago
O meu rosto de monja de marfim...
 
E as lágrimas que choro, branca e calma,
Ninguém as vê brotar dentro da alma!
Ninguém as vê cair dentro de mim!
 
                             Florbela Espanca

 

 

- Por vezes até queremos falar com alguém mas não conseguimos e, por vezes, pensamos mesmo em desistir.

 

FALAR COM QUEM?

 

Ás vezes quero falar,

mas sofro de falta de ar.

Quero contar tudo o que sinto,

mas as palavras sabem a absinto.

 

Ás vezes gostava de ser ajudado,

estender a mão e ser resgatado.

Estou tão cansado de porfiar,

mas de maneira nenhuma consigo confiar.

 

Às vezes gostava de não desistir,

insistir para não deixar de existir.

Estou profundamente apagado

e não vejo as partes do meu eu fragmentado.

 

Muito desinteressante,

este conto incessante.

Muito pouco cativante,

esta vida inconstante.

Sem fio de história,

sem ponta de glória.

Absolutamente nada,

só a face molhada.

 

Ás vezes quero acordar,

mas não consigo parar de sonhar.

Quero viver tudo o que almejo,

mas ninguém me toca com um beijo.

 

Ás vezes,

apenas ás vezes…

 

De olhos fechados o que vejo?

O tédio e a solidão num bocejo.

De olhos abertos o que vejo?

A indiferença e o frio num cortejo.

É melhor sem olhos!

Não evito os escolhos,

mas sem olhos não vejo

e, se não vejo, não dou ouvidos ao desejo.

 

Ás vezes gostava de não desejar,

de esquecer tudo o que faz o coração latejar .

Ás vezes,

apenas ás vezes…

 

José Ferreira

 

 

  ... mas nem sempre, apenas às vezes. Há momentos únicos e bons que nos fazem amar a vida!

- Pensando nesses momentos, percebemos que o conforto para as mágoas do íntimo se encontra nos pequenos gestos e começamos por levantar a cabeça:

 

AMADOR SEM COISA AMADA
 
Resolvi andar na rua
com os olhos postos no chão.
Quem me quiser que me chame
ou que me toque com a mão.
 
Quando a angústia embaciar
de tédio os olhos vidrados,
olharei para os prédios altos,
para as telhas dos telhados.
 
Amador sem coisa amada,
aprendiz colegial.
Sou amador da existência,
não chego a profissional.
 
                    António Gedeão 
 
 

- A vida é, em última análise, uma experiencia e experimentar é ser amador: é amar a dor para saber amar com mais intensidade o alívio e abraçar, com consciência, a cura. É experimentar a intensidade da escuridão para se aprender a amar as propriedades da luz. É escutar para poder aprender a cantar... A vida engloba tudo, até a morte. Tudo faz parte de viver e só vive, realmente, quem experimenta e sente a experiência. Tudo por que passamos fica gravado na alma. Por isso cada pessoa é diferente. As diferenças sentem-se na textura e nas rugosidades da alma. Se procurarmos bem, cada uma dessas rugas, ou saliências, tem uma história, uma lição, um sentimento, uma lágrima, um sorriso... tem vida!

 

- Há quem diga que é realista e se orgulhe. Há quem negue ser sonhador por sentir vergonha. São estes os nossos dias. Mas se olharmos para a história da humanidade podemos, facilmente, concluir que a história não reza grandes feitos de homens realistas. A realidade só avança quando puxada por um sonho. E houve quem sonhasse com uma lâmpada, uma televisão e depois este computador. Houve alguém que sonhou chegar à lua e materializou o sonho na realidade. Mais uma vez: a vida engloba tudo, até os sonhos:

 

SEGREDOS VITALICIOS

 

Olha na palma da tua mão:

vê o futuro que imaginaste de antemão.

Vê que até as rosas têm os seus espinhos,

ouve os teus sonhos que segredam para que não os deixes sozinhos.

 

 

José Ferreira.

 

 

- Agora vamos lá acordar dessa nostalgia e viver (VIVER – não disse sobreviver). A vida não é feita só de tristeza ou momentos de dor. Não vou dizer que é metade/metade. A verdade é que, também eu, ainda estou sensivelmente a meio da minha experiência. ;-)

 

 

- Com toda a alma (as duas metades):

 

 



Se de noite chorares pelo sol, não verás as estrelas

Tagore , Rabindranath.

 


música: Pode Ser...

publicado por ejail às 01:14
link do post | comentar | ver comentários (2) | favorito
|

Quinta-feira, 26 de Julho de 2007
A Minha Palavra
Há uns tempos atrás (muitos) escrevi um texto abstracto:
 
A vida assume um sem número de facetas. Pode ser comparada a tudo e nada se compara a ela. Parece, por vezes, um grande dicionário, maior que o mundo e infinitamente grande; maior que o Universo. Nesse dicionário, cheio de palavras e de significados, eu procuro uma só palavra. Existem muitas e são mais que os números para as contar. Umas simples e bonitas, outras formais e complicadas, mansas ou severas, quentes ou frias e indiferentes. Procuro uma só. Nunca a escutei, nem li e nunca, tão-pouco, ouvi falar acerca dela. Não a conheço, mas sei que é a mais deslumbrante desse dicionário. Não vou vender a minha alma a uma outra qualquer palavra. Ela só aceita ser comprada e resgatada, da sua árdua e solitária viagem, pela mais bela junção de letras que o caos do universo conseguiu, de forma divina, construir. Não receies, pois não vou cessar a busca. Afinal sou um sonhador e os sonhadores não sabem quando parar de sonhar.
 
Hoje quero concretizar esse texto:
 
Creio ter encontrado a palavra. A palavra formada pela mais bela junção de letras que o caos do universo conseguiu, de forma divina, construir. A palavra: Ana.
 

sinto-me: Enamorado
música: Qualquer Coisa Celestial com Harpas e Banjos

publicado por ejail às 17:47
link do post | comentar | ver comentários (6) | favorito
|

Terça-feira, 17 de Julho de 2007
Bom Demais Para Ser Verdade
Coimbra: cidade de despedidas encantadas. Na sua complexa rede de estradas e estreitas ruelas, circulam um pequeno sem-número de autocarros. Movem-se para os lados, para trás e para diante, sem nunca se afastarem muito de um qualquer ponto de gravidade imaginário. São uma espécie de pêndulos urbanos. São como bestas tecnológicas que, aprisionadas, ora engolem os seres humanos, ora os cospem. Tudo é feito com uma extrema rapidez e frieza mecânicas e, as poucas excepções que ocorrem, são quando as presas, quase sempre amorfas e resignadas, discutem entre si para ver quem vai primeiro.
 
Um desses autocarros tem uma particularidade. Aparentemente é um veículo de transporte de passageiros normal: não muito velho, não muito novo. Tem bancos que foram construídos na tentativa de encontrar um compromisso entre o conforto, a usabilidade e a economia. Guincha e oscila, como muitos outros, nas curvas mais apertadas e não trepida menos quando a estrada é de paralelo. Transporta renegados de meia-idade, de casa para o trabalho e do trabalho para casa. Carrega os velhos, com passes sociais, a quem a sociedade já há muito retirou a esperança e leva os novos para a escola que aguarda para os formatar. Os jovens são inocentes e deixam-se, facilmente, iludir pela esperança e modas passageiras. O autocarro transporta pobres: homens e mulheres, crianças e pedófilos, inocentes, ladrões e assassinos. Ele não escolhe o que lhe dão a comer, apenas come o que lhe é servido. Nele são transportados seres à deriva numa sociedade de castas de falsidade. É um autocarro igual a tantos outros, apenas tem uma singular particularidade que só a mim diz respeito.
Um destes dias, uma qualquer empresa sediada no Porto, vai comprar este autocarro. Alguém o há-de levar para a oficina e dar-lhe um banho de tinta. Alguém o há-de pintar, numa estufa própria, com as cores da nova empresa. Depois vai ser restaurado: o chão, comido pelo arrastar dos passos pesados dos passageiros, condenados com grilhões a vidas efémeras e repetitivas; os assentos encardidos de transpiração mundana; os graffitis com mensagens de alguém que amava e agora, se calhar, até já odeia; o sebo das mãos ainda agarradas aos varões; os fantasmas de Coimbra. Tudo tem de ser limpo e renovado.
 
Um motorista vai ser contratado para conduzir o autocarro. Vai ser colocado um anúncio no jornal e muitos desempregados e desgraçados vão concorrer. O salário não é grande coisa mas, para muitos, vai ser a sua última oportunidade. À medida que várias fazes da selecção vão sendo progressivamente queimadas, o número de candidatos vai diminuindo até que, por fim, um deles será o escolhido. Neste caso em particular não vai haver cunha. O motorista que será escolhido provará ser o melhor. A empresa irá reunir referências junto de antigos empregadores e, todos eles, abonarão a favor do candidato. Vai, posteriormente, iniciar uma acção de formação profissional teórica e prática. Um motorista da casa, mais experiente, vai, depois disso, mostrar-lhe o percurso da carreira que lhe será designada e explicar-lhe as manhas do trânsito local. Tudo tem de ser perfeito. Chega o dia e o autocarro e o motorista estão prontos para saírem à rua.
 
Durante cerca de seis meses e quinze dias tudo parecerá normal. Mas não no dia a seguir. Nesse dia em particular, esse motorista em particular, com esse autocarro em particular, vai sair da garagem e, como de costume, vai encaminhar-se para o respectivo giro. Porém, uma velha furgoneta, em infracção de velocidade excessiva, vai efectuar uma manobra arriscada e colidir com o retrovisor esquerdo do autocarro. A colisão não será suficientemente forte para partir o espelho mas vai chegar para desalinhar o mecanismo de suporte. Na confusão que se seguirá, o infractor vai fugir, não dando tempo ao assustado motorista de registar a matrícula. Este, por sua vez, pegará no telemóvel e ligará para os escritórios da empresa, para o sector das escalas, contando o sucedido. Vão chegar à conclusão que não há nenhum autocarro para efectuar a substituição e, como o retrovisor apenas está ligeiramente desalinhado, o motorista pode seguir viagem. No final do dia, quando o autocarro recolher, os serviços da oficina farão a reparação. O motorista retomará a marcha.
 
Algumas horas depois, o autocarro irá parar, como de costume, numa paragem. As pessoas, como de costume, vão sair e vão entrar, insensíveis à rotina. Sairão e entrarão, como habitualmente, todos os dias úteis - ou todos os dias inúteis. Sairão e entrarão como se, de alguma forma, a humanidade quisesse foder aquele autocarro. O motorista, não vendo qualquer veículo pelo retrovisor desalinhado, dará sinal de mudança de direcção para a esquerda e retomará a marcha. De traz virá um condutor mais apressado e distraído, que não se vai aperceber e, deixando cair o telemóvel, apenas conseguirá pressionar a buzina sem se conseguir desviar e sem conseguir abrandar em tempo útil. Nesse instante, o motorista do autocarro, ouvindo a buzina e apercebendo-se do perigo de colisão iminente, guinará o autocarro, num reflexo irreflectido, para a direita, para cima de uma passadeira. Uma pessoa vai ser colhida…
 
Vejo-me deitado sobre um zebrado. O céu parece cinzento mas, antes da colisão, parecia-me azul. Talvez, o impacto contundente ou a sensação de uma severa fatalidade, tenham afectado os meus olhos e me tenham levado as cores. Apercebo-me que não é só o céu que não tem cores. As pessoas à volta também estão descoloridas. Sinto um arrepio constante e, estranhamente, começo a desaprender a respiração e a sentir uma repentina falta de forças. Sinto a cabeça descair para o lado, sem que tenha poder para a contrariar, e começo a ver imagens, pouco nítidas e antigas, a substituírem as actuais. Sinto os olhos fecharem-se e, apesar disso, cada vez mais, vejo mais imagens. Parecem ser coisas do passado, imagens que já nem me lembrava de ter guardado, imagens de coisas de que não consigo ter a certeza se realmente aconteceram. Tudo parece ter atingido um estranho silêncio sepulcral. É quase espiritual. Mas, nessa falta de sons, uma voz vai-se fazendo ouvir. Uma voz surda que se confunde com o vácuo. Uma voz que, gradualmente, vai ganhando protagonismo face à estática do silencio. Uma voz que soa cada vez mais alto e que, cada vez mais, parece uma gargalhada e um grito irado. Uma voz que diz: “Seres feliz… Era bom demais para ser verdade!”
 
 
Tenho que falar da Ana e não consigo. Porque é uma pessoa única e especial. Alguém que me ensina e ajuda a derrotar o medo de viver. Alguém que surgiu na minha vida de uma forma tão profunda, que parece bom demais para ser verdade. É alguém que me faz olhar para os dois lados, quando atravesso uma estrada. Alguém que não quero perder por que me faz ter vontade de viver, que me faz ter vontade de amar. Alguém que me faz ter um peculiar cuidado com os autocarros. ;-) É alguém que me faz acordar com um sorriso nos lábios, ao invés de uma lágrima no rosto. É alguém que veio trazer ânimo e sentido à minha vida. Alguém que aceita e compreende os meus medos, e me conforta. Alguém que deixa que eu faça o mesmo por ela. É alguém em quem eu começo a confiar e alguém que vai confiando cada vez mais em mim. Uma pessoa bonita que me desperta o desejo e uma pessoa bonita que me desperta a espiritualidade. Não encontro palavras para falar desta mulher. Teriam de ser palavras ainda não inventadas. Palavras virgens, criadas unicamente para serem usadas nesta magnifica pessoa. Estou de beicinho por ela. Quem diria? Logo eu…
 
Ana, eu amo-te!
 
 
Atentamente,
José.

sinto-me: A Despertar

publicado por ejail às 12:25
link do post | comentar | ver comentários (7) | favorito
|

Segunda-feira, 25 de Junho de 2007
Gabi
Para mim, o ideal de amor verdadeiro, é dar sem esperar receber. Mas, em definitivo, não é isso que se verifica. Tanto o amor, como a amizade… tudo acaba por ceder, em última instância, ao egoísmo. Essa é, pelo menos, o que a minha ínvia experiência de vida diz. Gostava que me provassem o contrário… como gostava! Mas sou realista e não creio que isso vá acontecer. Eu gosto muito de ti, Gabi, a sério! Talvez esse seja o mal… talvez, também eu, sinta um pouco desse egoísmo que critico. Eu não posso arriscar tanto… tenho de me proteger, porque nunca mais quero passar pelo que passei. Triângulos não… é óbvio que tu não tens culpa de nada, eu é que não me dou bem com a concorrência... e, claro que não há nada de mais entre nós, mas estas precauções são por causa das meras possibilidades... Eu só procuro evitar a infelicidade e tu mereces, sem dúvida, mais do que ninguém, ser feliz.
 
Apesar de já sentir muito a tua falta, não sou eu que te vou impedir de seres feliz porque, se gosto de ti, é óbvio que quero o teu melhor. Sabes que não forço nada. Faz parte da minha filosofia de vida, respeitar a vontade individual de cada um. Só tenho que respeitar o caminho por que optaste seguir. Eu não sou muito bom nestes jogos de amor e de amizade. Sou uma pessoa humilde, simples e, na maior parte das vezes, intratável e intragável. Sou de difícil digestão… Não vais perder grande coisa, acredita em mim…
 
Um abraço,
José.

sinto-me: De Coração Partido

publicado por ejail às 09:23
link do post | comentar | favorito
|

Sábado, 23 de Junho de 2007
Um Agradecimento Tardio
Pensando bem, este blog é – falando com carinho mórbido e afecto doentio - uma sanita espiritual. É onde vomito as congestões do dia-a-dia e falo abertamente do que me vai na alma. Aqui não se aplicam as leis da Física nem a gravidade de Newton. Reina, pura e simplesmente, a Singularidade. Reina, alegadamente, a minha vontade de simples mortal. É um canto obscuro, um esgoto inquinado da internet e uma espécie de saneamento básico para o que resta da minha mente inquieta. É um novelo imundo de sentimentos, unidos por letras e palavras pegajosas, que vai crescendo com a autonomia de uma colónia de bactérias patogénicas.
 
Hoje dedico este post a uma pessoa especial. Uma pessoa que não sonha que tenho um blog e, portanto, não vai ver este agradecimento. Mas, apesar de tudo, não posso deixar de o expressar. É o que me vai na alma:
 
Admiro, contemplativo, a tua força. Uma força que é produto de uma vida preenchida de grandes escaladas, quedas, e desafios… desafios, para não dizer mais… Admiro-te pela energia positiva que me consegues transmitir quando estou fraco, pela sabedoria empírica e pela honestidade. É de realçar que, apesar de todas as dificuldades, não cedeste à hipocrisia. És uma pessoa que se pauta pela rectidão e coerência, e uma das poucas que praticam o que apregoam. Admiro-te pelos conselhos e palavras amigas que, sempre, reservas para mim. Não é tudo perfeito mas sei que, por mais pessoas que gravitem à minha volta, quando não consigo respirar, é contigo que vou ter. Aconteça o que acontecer, digam o que disserem, é o teu abraço que vai estar à minha espera. Obrigado por hoje me teres acolhido. Obrigado Carolina, por me teres tomado no teu regaço. Obrigado por veres que, também eu, por vezes, preciso de compreensão para os meus devaneios e angústias. Obrigado por, mais uma vez, teres acolhido este pobre e vadio vidalah.
(imagem retirada da internet)
Atentamente,
José.

sinto-me: Agradecido
tags:

publicado por ejail às 16:21
link do post | comentar | ver comentários (6) | favorito
|

Quarta-feira, 6 de Junho de 2007
Maz
Olá Maz!
 
Antes de mais quero agradecer a tua visita e os teus comentários que muito me honram. Agradecer a tua simpatia e dizer-te que eu não sou tão má pessoa como às vezes posso parecer. Tenho uma maneira estranha de escrever e este blog é composto, essencialmente, por três modalidades: prosa, poesia e receitas de culinária. Das três, a mais séria é, sem dúvida, a modalidade das receitas de culinária. Quero que saibas, no entanto, - porque é importante para mim - que tenho um profundo respeito pelas mulheres. Mais que respeito, diria até, admiração.
 
É certo que tenho andado um bocado em baixo e, de quando em vez, escrevo de uma forma sarcástica e corrosiva mas é apenas uma maneira de me expressar. Acho que, há já demasiado tempo, troquei a minha clássica Bic, por uma hipérbole. Mas é na escrita que encontro, por vezes, a maneira de colorir a minha vida cinzenta. E o que escrevo não é necessariamente verdade. Digo mais: o que escrevo não é necessariamente nada… São apenas devaneios entre a realidade e a ficção.
 
Obrigado pelo ânimo e bem-vinda ao meu blog… amiga!
 
Atentamente,
ejail.

sinto-me: Um Sapo
tags:

publicado por ejail às 10:40
link do post | comentar | ver comentários (3) | favorito
|

mais sobre mim
pesquisar
 
Agosto 2012
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4

5
6
7
8
9
10
11

12
13
14
15
16
17
18

19
20
21
22
23
24
25

27
28
29
30


posts recentes

democrAZIA

Falta ( não é futebol ).

Bom Ano!

A Todos Que Passaram Pela...

MAR

A Minha Palavra

Bom Demais Para Ser Verda...

Gabi

Um Agradecimento Tardio

Maz

arquivos

Agosto 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Maio 2011

Janeiro 2011

Agosto 2010

Novembro 2009

Julho 2009

Junho 2009

Abril 2009

Março 2009

Outubro 2008

Setembro 2008

Abril 2008

Fevereiro 2008

Outubro 2007

Julho 2007

Junho 2007

Maio 2007

tags

reflexão(36)

desabafo(21)

humor(19)

poesia(18)

nostalgia(11)

pessoas(10)

contos(3)

excertos(3)

gastronomia(2)

solidariedade(1)

todas as tags

Fazer olhinhos
Raríssimas

Este blog apoia a
Associação Nacional das
Deficiências Mentais e Raras
subscrever feeds