Segunda-feira, 25 de Junho de 2012
Falta ( não é futebol ).

Tantos blogs que morreram. Ou definham num modo de morrer interminável. Pedaços de sentimentos, congelados na aridez de um deserto de tempo perdido. Tanto de tanta gente que um servidor, teimosa e automáticamente, guarda e faz permanecer através desta ridícula, ilusória e brevíssima eternidade. Criações abandonadas pelos criadores.

 

Estou a ver blogs antigos e soa-me como se de navios fantasma se tratasse. Vagueiam num mar infinito, titânico. Navegam o esquecimento. Sinto o gelo da solidão ao reparar nas últimas datas, detidas e atoladas num passado longínquo, fúngico e bastante pastoso. Sinto a falta do calor humano, das cores dos sentimentos recentes, do escorregar das lágrimas e do bálsamo dos sorrisos. Sinto falta dos desabafos verdadeiros e dos sonhos inocentes, das realidades enganadas. Sinto a ausência dos olhos, que banhavam as letras com a suave esponja da atenção. Sinto a falta dos comentários que seduziam os textos com novas e refrescantes perspectivas.

 

Sinto a falta de uma parte de mim que viaja com todos aqueles que conheci.

 

Não é que queira voltar ao passado mas, hoje...

Sinto a falta do tudo, perante este nada.


sinto-me: ?
música: ...

publicado por ejail às 02:18
link do post | comentar | ver comentários (2) | favorito
|

Quarta-feira, 11 de Abril de 2012
Sombra Lunar

Parece-me, de noite, ver alguém na Lua,

solitário e prisioneiro do seu lado oculto.

Parece navegar as cinzas numa falua

e arrastar-se no sedimento como um vulto.

 

Existirão seres extra-terrestres,

ou será apenas a névoa do meu olhar cansado?

Talvez só chamando cientistas e mestres,

para vencer as crenças e os dogmas do passado.

 

O mais certo é eu estar aluado,

desgostoso pela gravidade do espaço.

Triste e despedaçado por não ser amado

e ansioso por me deitar num regaço.

 

Mas não!

Não estou louco nem estafado,

muito embora haja quem diz o contrário.

É que não é fácil ludibriar o fado:

lá em cima só eu e este pobre diário.


sinto-me: extraterreno
música: The Final Countdown

publicado por ejail às 01:34
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito
|

Domingo, 9 de Janeiro de 2011
Bom Ano!

 

Após tanto tempo sem escrever, seria de supor que tenho algo relativamente interessante para dizer. Não poderia, esta ideia, estar mais desviada da verdade. Neste canto, dizer algo de jeito, é pura ficção.

 

Este blog está em total decadência. Vazio de conteúdos, vazio de ideias, sem rumo, desalmado. Com uma linha estratégica de marketing, superiormente elaborada, no sentido da desgraça e da auto e alta (ou baixa) destruição. Este conjunto desconexo de textos está, a muito e muito, a caminho da aniquilação: o Apocalipse da Quinta Dimensão. Mas, para que conste, não tenho, como é hábito, qualquer responsabilidade no caso. A culpa é das famosas e famigeradas redes sociais: do Facebook e do Twitter, que esmagam as minhas audiências. – pausa para rancor (mínimo de 20 seg). – Ainda dei alguma luta com as minhas (vossas) 6381 visitas mas, por muita qualidade que elas tenham, se as convertesse em assinaturas não chegavam para concorrer à presidência da república. Como se não bastasse, estou fora de moda: ando pouco na rede e nada social.

 

Não escrever durante muito tempo não me esclarece a mente e provoca-me dificuldades ao nível das, sempre difíceis, decisões de colocação de virgulas. Escrever pouco é, também, em incerta medida, como deixar de lavar os dentes. Se, no caso da badalhoquice, ganhamos um sem número de amigas que dão pelo nome de bactérias, no caso da ausência de escrita, amealhamos os erros ortográficos. Se, no primeiro caso, ficamos com os dentes numa miséria, no segundo, os textos tornam-se miseráveis. Noto a ferrugem associada a cada letra, a chiadeira que produz cada palavra, as dificuldades de engrenagem entre as frases e a bosta que resulta de tudo isso. No entanto, tudo isso me faz sentir vivo, porque me faz sentir mortal. Claro que a frase anterior é treta (não sinto nada disso mas achei que era uma frase com power de hip-hop).

 

2011 vai ser um ano difícil para todos menos alguns. Se o país está sem valor, talvez nos reste perscrutar dentro de nós os valores que nos fazem, realmente, bem. Dessa forma, por mais que percamos, ganhamos sempre qualquer coisa e, essa qualquer coisa, é mais do que tudo o resto.

 

Um bom ano para todos os pacientes (pela paciência) que passaram e passam por aqui!

 

 

ejail


sinto-me: a rodar em falso
música: um dueto pimba qualquer

publicado por ejail às 23:23
link do post | comentar | favorito
|

Terça-feira, 21 de Julho de 2009
Mondego

 

Nas tuas margens, Mondego,
o silêncio dos milhafres escuto.
Ouço o toque do Absoluto no ego
e molho as mãos do meu peito enxuto.

 

 

Nas tuas águas, me rendo,
ao som dos teus acordes cristalinos.
Vais-me levando enquanto sou o que vou sendo,
enquanto o vento despenteia uma flora de violinos.

 

 

Nos teus braços, me embalas,
no regaço do teu leito me afagas.
As pedras, mergulhadoras, sibilam as tuas falas
e as tuas palavras saram as minhas chagas.

 

 

Mondego!

 

 

Viajante de lenta e serena quietude,
viagem pelas ruas do esquecimento: dos lugares e das horas.
Ermida onde o espaço e o tempo perdem a latitude
e eu me desprendo nas tuas correntes libertadoras.

 

 

ejail.

 


sinto-me: Natural
música: A Natureza que Escolha

publicado por ejail às 15:04
link do post | comentar | ver comentários (2) | favorito
|

Terça-feira, 3 de Julho de 2007
Correntes Invisíveis

(imagem retirada da internet)

 
Meio da tarde. O tempo está deprimido: cinzento, tal qual o meu casaco. No alto planam algumas gaivotas. Aproveitam correntes de rios de vento que, para mim, são invisíveis mas, para as aves, marujos experientes, são dádivas que não escapam ao instinto. Parecem voar sem destino, sem mapa e sem instrumentos, apenas pelo prazer de navegar os céus.
 
Atentamente,
ejail.

sinto-me: Aéreo

publicado por ejail às 16:32
link do post | comentar | favorito
|

Quarta-feira, 27 de Junho de 2007
Ănima
(imagem retirada da internet)
Nasci no Porto e, nas minhas veias, corre sangue com granito. Carmesim, escurecido com cinza deslavada: é este o líquido que me sustém o esqueleto de pé. Respiro pesadamente como se, a cada acção de inspirar, correspondesse o acto de erguer uma fraga. É uma falta de ar que advém da poluição dos pensamentos estéreis que, em mim, se esfumam sem nunca se materializarem. É uma respiração comprimida que se aperta contra o peito, com uma veemência e um vigor desproporcionados. Um aperto voraz, contra um peito disforme que oculta um coração maciço de pedra-pomes. Este órgão estranho, monolítico — que um dia foi um pedaço de lava, de magma incandescente e pleno de actividade e de vida — é hoje um velho ajuntamento, disperso e compacto, de cinzas carbonizadas. Tudo em mim, portuense, parece desprovido de vitalidade. Tudo parece disposto num pós-incêndio: cinzento, desordenado e constante. Tudo em mim parece um bando de formas indissociáveis: uma argamassa insípida e de monótona destruição. Tudo, neste instante de melancolia, parece morto… excepto:
 
a Alma.

sinto-me: (in)Animado

publicado por ejail às 16:49
link do post | comentar | ver comentários (5) | favorito
|

Segunda-feira, 25 de Junho de 2007
Gabi
Para mim, o ideal de amor verdadeiro, é dar sem esperar receber. Mas, em definitivo, não é isso que se verifica. Tanto o amor, como a amizade… tudo acaba por ceder, em última instância, ao egoísmo. Essa é, pelo menos, o que a minha ínvia experiência de vida diz. Gostava que me provassem o contrário… como gostava! Mas sou realista e não creio que isso vá acontecer. Eu gosto muito de ti, Gabi, a sério! Talvez esse seja o mal… talvez, também eu, sinta um pouco desse egoísmo que critico. Eu não posso arriscar tanto… tenho de me proteger, porque nunca mais quero passar pelo que passei. Triângulos não… é óbvio que tu não tens culpa de nada, eu é que não me dou bem com a concorrência... e, claro que não há nada de mais entre nós, mas estas precauções são por causa das meras possibilidades... Eu só procuro evitar a infelicidade e tu mereces, sem dúvida, mais do que ninguém, ser feliz.
 
Apesar de já sentir muito a tua falta, não sou eu que te vou impedir de seres feliz porque, se gosto de ti, é óbvio que quero o teu melhor. Sabes que não forço nada. Faz parte da minha filosofia de vida, respeitar a vontade individual de cada um. Só tenho que respeitar o caminho por que optaste seguir. Eu não sou muito bom nestes jogos de amor e de amizade. Sou uma pessoa humilde, simples e, na maior parte das vezes, intratável e intragável. Sou de difícil digestão… Não vais perder grande coisa, acredita em mim…
 
Um abraço,
José.

sinto-me: De Coração Partido

publicado por ejail às 09:23
link do post | comentar | favorito
|

Quarta-feira, 20 de Junho de 2007
Sinto Absinto
Hoje apetece-me morrer. Mas, tirando isso, estou óptimo. Não é que me apeteça suicidar nem coisa do género. O suicídio, por si só, parece-me ser demasiado abstracto e elanguescente para acalmar tanta dor. Está, portanto, fora de questão e terá de ser algo bem mais contundente. É difícil, no entanto, quantificar a dor que sinto. Mas, a Matemática, é algo de extraordinário e diz que a definição de medir é, nada mais, que comparar. Portanto, para ser possível perceber o quanto é anedótico o suicídio, como analgésico para a agonia que me desmembra, basta dizer que é como tomar um ramo de salsa para aliviar a super-dor da amputação selvática do coração. Bendita Matemática, que é uma luz clarividente que contrasta com a cegueira da humanidade. Mas, apesar da ajuda da Matemática, o problema de fundo persiste: encontrar um processo mais mórbido que o suicídio.
Chego ao fim do dia cansado. Faço um grande esforço, a toda a hora, para me manter vivo. E, depois, chega a noite e as coisas não melhoram. Pouso, pesarosamente, a cabeça estéril sobre a travesseira curada pelo sal das lágrimas e cerro os olhos. Tento adormecer mas, o único estado que consigo atingir, é sentir-me definhar, a morrer. Porém, na manhã seguinte, acabo sempre magoado por mais um despertar. É um ciclo solitário, escuro e asmático. De uma humidade espiritual e fantasmagórica que deforma os ossos. Não são sentimentos de circunstância, há razões para tanta angústia! Genéticas? Também, com certeza. Mas não só:
Nunca amei tanto alguém, como aquela mulher. E nunca alguém me fez tão mal como ela. Quando menos espero, eis que a crueldade gélida do seu machado me dilacera, uma vez mais, o peito flácido. Nunca mais vou conseguir confiar e nunca mais vou conseguir amar alguém. Nunca mais! Amputaram-me o coração e o que bate no lado esquerdo da cavidade torácica é apenas medo. Medo do mais puro, do mais vergonhoso, do mais cobarde. Um medo constante de voltar a sofrer uma dor que não suporto. Não consigo compreender o porquê de tanto mal, para uma pessoa que lhe fez tão bem? Hoje precisava dos braços emprestados de alguém. Precisava de uma mulher que me sussurrasse ao ouvido que não sou lixo, pois é como me sinto. Mas isso já são devaneios e é importante manter os pés na terra, e não perder a noção da realidade. Ainda assim, nem tudo está perdido porque, pelo menos, em todo este processo, consegui descobrir algo muito pior que o suicídio: o amor.
(imagem retirada da internet)
Atentamente,
José.

sinto-me: Moribundo

publicado por ejail às 23:35
link do post | comentar | ver comentários (4) | favorito
|

Terça-feira, 19 de Junho de 2007
Talvez a questão não seja “se eu acredito em Deus?”, mas “se Deus acredita em mim?”
E se hoje eu acreditar em Deus? E se Deus chegasse à minha beira e, ao contrário do que é habitual, fosse Ele a pedir-me ajuda? E se Deus dissesse que se sente só, está deprimido e inconsolável? Se me dissesse que não consegue fazer nada de jeito? Se dissesse que tudo o que criou está destruído e não tem conserto? Se, em lágrimas, Deus me suplicasse por ajuda? Se dissesse que só queria morrer mas não pode, porque a sua condição de imortal não Lho permite?
(imagem retirada da internet)
O que diria eu a Deus? Será que eu O quereria ajudar?..
 
Atentamente,
ejail.

sinto-me: Deprimido

publicado por ejail às 23:45
link do post | comentar | ver comentários (6) | favorito
|

Segunda-feira, 11 de Junho de 2007
Palavra Amiga
Tardo em tingir a folha branca de nódoas negras. A raiva impele-me a recorrer à riqueza do calão para espancar a folha com as mais violentas palavras. Talvez isso me faça sentir menos mal… mas não há meio de o saber, porque não consigo. De resto, a impotência é uma palavra cada vez mais presente na minha vida. Hoje a solidão é diferente pois, até as palavras me abandonaram, e o próprio branco da folha é demasiado nítido. E é um branco tão obstinado que quase obriga os meus olhos a quererem cegar.
 
Sinto-me mal... Durante uma conversa, ao telemóvel, queria dizer tantas coisas e não consegui dizer nada. As palavras evaporavam-se como mercúrio ao sol. Apercebi-me de que estava completamente vazio e que nada mais tenho para oferecer. Dantes ainda encontrava uma palavra amiga mas, agora… nem isso consigo descobrir dentro de mim. Sinto-me completamente oco e inútil e, a cada dia que passa, o sentimento agrava-se…
 
Gostava de poder dizer “abracadabra” e, com essa palavra, enxugar as tuas lágrimas frias e desenhar-te um sorriso genuíno no rosto… mas falta-me a magia. Sou feito de apenas poeira e, em mim, não há quaisquer partículas de luz. Desculpa Gabi… tu és uma pessoa "one in a million" e mereces, claramente, um amigo muito melhor do que eu…
 
Um caloroso abraço,
do teu José.

sinto-me: Deprimido

publicado por ejail às 15:52
link do post | comentar | ver comentários (4) | favorito
|

Domingo, 3 de Junho de 2007
Poema Invisível
Uma vez escrevi um poema a que dei o nome de Poema Invisível. Não tinha palavras e foi, talvez, o poema mais puro que alguma vez escrevi ou escreverei. Foi escrito apenas com sentimentos. Sentimentos tão profundos que as palavras não podem tocar…
 
Sempre que olho para aquele poema sinto vontade de chorar e as lágrimas servem como lentes para eu conseguir ler os hieróglifos dissimulados. Ninguém mais consegue saber o que lá está porque só as minhas lágrimas sabem o que escrevi. Só elas têm a graduação correcta e todas as outras pessoas vêm uma folha em branco.
(imagem retirada da internet)
Hoje estou triste como a noite e não consigo falar dos motivos. Nem tão pouco os consigo entender. Daqui para a frente, tudo o que está escrito neste post é invisível… excepto para mim… porque as lágrimas são bem reais:

sinto-me: Deprimido

publicado por ejail às 23:42
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito
|

mais sobre mim
pesquisar
 
Agosto 2012
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4

5
6
7
8
9
10
11

12
13
14
15
16
17
18

19
20
21
22
23
24
25

27
28
29
30


posts recentes

Falta ( não é futebol ).

Sombra Lunar

Bom Ano!

Mondego

Correntes Invisíveis

Ănima

Gabi

Sinto Absinto

Talvez a questão não seja...

Palavra Amiga

arquivos

Agosto 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Maio 2011

Janeiro 2011

Agosto 2010

Novembro 2009

Julho 2009

Junho 2009

Abril 2009

Março 2009

Outubro 2008

Setembro 2008

Abril 2008

Fevereiro 2008

Outubro 2007

Julho 2007

Junho 2007

Maio 2007

tags

reflexão(36)

desabafo(21)

humor(19)

poesia(18)

nostalgia(11)

pessoas(10)

contos(3)

excertos(3)

gastronomia(2)

solidariedade(1)

todas as tags

Fazer olhinhos
Raríssimas

Este blog apoia a
Associação Nacional das
Deficiências Mentais e Raras
subscrever feeds