Quinta-feira, 3 de Maio de 2007
Cadeia Alimentar
Dizem que o homem está no topo da cadeia alimentar.
Dizem que nem só de pão vive o homem.
Dizem muita coisa…
 
A cadeia alimentar é um objecto difícil de sistematizar porque é, em tudo, demasiado complexo. É um organismo vivo em constante mutação. Darwin defendia que a evolução é o resultado da sobrevivência dos mais fortes. Mas será que isso pode ser aplicado ao homem? Será que o ser humano está a evoluir ou, pelo contrário, se encontra em franca regressão? É uma questão que tem tanto de interessante como de desinteressante. Mas avancemos… Comecemos por definir “mais forte”. É cientificamente aceite que, mais forte é “capaz de melhor adaptação”. Assim sempre que, em determinado habitat, são trocadas as perguntas o ser mais forte é aquele que mais rapidamente encontra as respostas certas. Estamos a começar a chegar lá…
 
A cadeia alimentar, que quero efectivamente abordar, não está, de todo, relacionada com o alimento em si. Parece um contra-senso mas será que é?... Não é do pão que pretendo falar. É interessante trazer Darwin para a sociologia e analisar as relações entre hierarquias e entre iguais numa sociedade, num determinado período de tempo. Porém, se atendermos a Darwin, teremos que considerar que a linha do gráfico da evolução do homem anda sempre no mesmo sentido da evolução da linha temporal. Mas… e as calças de boca-de-sino?
 
Como é que, algures cerca de 1960 anos depois de Cristo, apareceram estes estranhos artefactos da evolução? É aqui, na minha opinião, que Darwin perde a batalha. É aqui que a teoria da evolução cai por terra! Apesar de hoje ser anedótico, na época esse modelo de calças era inovador e fazia, do pobre ser humano que as usava, uma pessoa avançada e moderna. Hoje existem outros adereços mas, alguns deles vão ser, daqui a uns anos, equiparados às famigeradas calças. É inevitável! Claro que, hoje, quem usa os adereços inovadores já não é tida como uma pessoa moderna. A palavra moderna já está antiquada. Nos dias de hoje quem usa esses adereços de proa são os chamados Cool.
(imagem retirada da internet)
Usar calças de boca-de-sino ou os adereços actuais equivalentes ( como piercings, tatuagens new age e óculos escuros do tamanho de capacetes ) não é só uma questão de moda. É também um estado de espírito, uma atitude perante a vida e a sociedade de Darwin. Quem os usa são indivíduos "diferentes" e não são necessariamente os mais fortes… mas são, sem sombra de dúvida, os mais cómicos. Porque é importante não nos esquecermos do velho pensamento intemporal que atravessa gerações: mudam-se os tempos, mudam-se as vontades. Portanto, se algum dia foste Cool e te deixaste fotografar, aconselho-te a teres as fotografias debaixo de olho...
(imagem retirada da internet)
As pessoas precisam de se sentir integradas num grupo com as mesmas crenças e afinidades e, ao mesmo tempo, precisam de se sentir únicas nesse grupo. Procuram ídolos e combinam-nos, como se fossem peças de legos para construírem a sua personalidade original - não me estou a excluir, mas eu sou mais uma construção monolítica de tijolo burro. Haverá alguém que, em consciência, pode dizer: eu sou original. Talvez sejamos todos ( ou maioritáriamente ) cópias originais. No entanto, ser Cool tem uma enorme vantagem para o indivíduo. Ser Cool é um factor preponderante para aumentar as probabilidades de o indivíduo acasalar. Quem é Cool pode, perfeitamente, dizer com convicção que nem só de pão vive o homem. Quem é Cool tem direito a umas boas postas de carninha e, no fundo, no fundo, o que se passa é que eu estou esfomeado e tenho uma certa inveja de não ser Cool… É verdade! Não arranquem os cabelos por mim... Bem sei, minhas fãs, que estão desoladas mas… o ejail não é lá um tipo muito Cool. O ejail é apenas um lobo solitário com o pêlo desgrenhado e sem adereços... tirando o telemóvel, claro.
(imagem retirada da internet)
Atentamente,
( me liga, vai... )
ejail.

sinto-me: Pensativo

publicado por ejail às 16:07
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