Quarta-feira, 20 de Junho de 2007
Sinto Absinto
Hoje apetece-me morrer. Mas, tirando isso, estou óptimo. Não é que me apeteça suicidar nem coisa do género. O suicídio, por si só, parece-me ser demasiado abstracto e elanguescente para acalmar tanta dor. Está, portanto, fora de questão e terá de ser algo bem mais contundente. É difícil, no entanto, quantificar a dor que sinto. Mas, a Matemática, é algo de extraordinário e diz que a definição de medir é, nada mais, que comparar. Portanto, para ser possível perceber o quanto é anedótico o suicídio, como analgésico para a agonia que me desmembra, basta dizer que é como tomar um ramo de salsa para aliviar a super-dor da amputação selvática do coração. Bendita Matemática, que é uma luz clarividente que contrasta com a cegueira da humanidade. Mas, apesar da ajuda da Matemática, o problema de fundo persiste: encontrar um processo mais mórbido que o suicídio.
Chego ao fim do dia cansado. Faço um grande esforço, a toda a hora, para me manter vivo. E, depois, chega a noite e as coisas não melhoram. Pouso, pesarosamente, a cabeça estéril sobre a travesseira curada pelo sal das lágrimas e cerro os olhos. Tento adormecer mas, o único estado que consigo atingir, é sentir-me definhar, a morrer. Porém, na manhã seguinte, acabo sempre magoado por mais um despertar. É um ciclo solitário, escuro e asmático. De uma humidade espiritual e fantasmagórica que deforma os ossos. Não são sentimentos de circunstância, há razões para tanta angústia! Genéticas? Também, com certeza. Mas não só:
Nunca amei tanto alguém, como aquela mulher. E nunca alguém me fez tão mal como ela. Quando menos espero, eis que a crueldade gélida do seu machado me dilacera, uma vez mais, o peito flácido. Nunca mais vou conseguir confiar e nunca mais vou conseguir amar alguém. Nunca mais! Amputaram-me o coração e o que bate no lado esquerdo da cavidade torácica é apenas medo. Medo do mais puro, do mais vergonhoso, do mais cobarde. Um medo constante de voltar a sofrer uma dor que não suporto. Não consigo compreender o porquê de tanto mal, para uma pessoa que lhe fez tão bem? Hoje precisava dos braços emprestados de alguém. Precisava de uma mulher que me sussurrasse ao ouvido que não sou lixo, pois é como me sinto. Mas isso já são devaneios e é importante manter os pés na terra, e não perder a noção da realidade. Ainda assim, nem tudo está perdido porque, pelo menos, em todo este processo, consegui descobrir algo muito pior que o suicídio: o amor.
(imagem retirada da internet)
Atentamente,
José.

sinto-me: Moribundo

publicado por ejail às 23:35
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4 comentários:
De rita a 24 de Junho de 2007 às 00:24
Olá, antes demais, não há mulher no mundo que mereça que sofras dessa maneira!
E esta tua frase:
"Nunca mais vou conseguir confiar e nunca mais vou conseguir amar alguém. Nunca mais!" Nunca digas isso, as coisas quando menos se esperam acontecem novamente na nossa vida! Do fundo do coração espero que da proxima vez que abrires o teu coração para alguém seja para a uma pessoa que o mereça!!!
Como concerteza já leste no meu blog, eu estou a separar-me do pai dos meus filhos, um casamento de 10 anos, tambem nunca um homem me fez tão feliz e tão triste como este me está a fazer neste momento...
Mas eu acredito num novo AMOR SIM! Chama-me sonhadora ou o que quiseres, mas eu sei e preciso desse amor...Sei que ñ vai ser facil, pois quem gostar de mim tambem terá de gostar dos meus filhos, pois essa é a minha prioridade!Tambem sei que isso é uma coisa que ñ terá nem data nem hora, entendes?Irá acontecer naturalmente...
Quero-te mais contente, pode ser?

Um beijinho e fica bem


De ejail a 24 de Junho de 2007 às 18:01
Isso seria aproximadamente o que eu te diria, mas... não consigo acreditar nas palavras que saem da minha boca. As palavras não se parecem ajustar à realidade...

Contudo, obrigado pela tua simpatia. Registo com carinho.

Um beijinho também para ti.


De "I" a 29 de Junho de 2007 às 21:03
As minhas lágrimas, curiosas!, não se aguentaram e vieram espreitar o que escreveste. Li-me em algumas partes do teu texto. Sinto que não precisas, para que eu perceba, envergonhares a tua dor com comparações, porque, se bem te "captei", sei que é algo singular, único, infelizmente só teu e mais infelizmente ainda, algo Maior que vive em ti.
Por achar que me vi aqui, revelo-te o meu url - ainda não consigo fazê-lo abertamente; hei-de lá chegar, mas por enquanto tenho uma metade minha dentro do armário. ;)
Bem haja
e muita Paz*
"I"


De ejail a 30 de Junho de 2007 às 00:04
Obrigado por te mostrares. Sinto-me um privilegiado. Deixei um pequeno comentário no teu blog que, por sinal, gostei muito.

Um bem-haja, também para ti.
Um abraço,
José.


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