Quarta-feira, 13 de Junho de 2007
Prosas Feridas
Por falar em palavras...
 
A queda no seio deste éter doente,
perseguida pelos fantasmas da mente.
A queda do anjo imaginário da sorte,
puxado e sufocado por delírios sem norte.
 
Sem palavras, hum… Sem lábios,
sem os conselhos dos sábios.
Sem seres sagrados e supostos sacros ditados,
sem nada. Eu e os meus demónios jazidos, aqui deitados.
 
Encantado por serpentes encantadas,
pelo som do movimento dos seus corpos nas enseadas.
Rendido à evidência do veneno terreno,
bebido frio, pelo sangue anémico e ameno.
 
Desencantado pela existência incolor,
num interior obsoleto, um jardim de cinzas sem uma flor.
Desgastado pelo sono e pela erosão,
pela sede, a fome e o estigma da exclusão.
 
Prisioneiro das sebes da física e da gravidade mental,
recluso das monossílabas e da ferrugem das grades frias do metal.
Amarrado a pensamentos feitos e estranhos preconceitos,
numa teia, numa noite feia, num casarão vazio cheio de tolos insatisfeitos.
 
Oh velhos deuses desmiolados,
velhos filósofos, vocês estavam todos errados!
Foram trespassados por laivos de loucura,
quando foram esquecidos pela doçura e pelos gestos de ternura.
 
E agora? Já não consigo respirar, nem encontrar o ar
e não passo de uma escultura glaciar.
Lançar-me, outra vez, ao som das iradas harpas?
É a única maneira de aprender a voar: atirar-me das escarpas…
 
Um pássaro sem asas, despido de penas,
nu, sem poemas, um sem-abrigo, preso e desprovido de mecenas.
Sem coragem para se fundir com a paisagem,
p’ra deixar tudo para trás e seguir o seu caminho, a sua viagem.
 
Aqui jaz, escrito no limbo dos viandantes,
no lugar dos que não têm porvir ou antes,
uma história escrita no vento com tinta de nada,
sobre tudo e sobre nada, sobretudo de uma vida errada.
 
Avalancha de sentimentos que choras com pedras,
com a velocidade inatingível de féculas que medras,
turbilhão de agitação sem freios, a todo o carvão,
desaba, agora, sobre mim e irradia-me ao som de um trovão!
 
Não espero que entendam, nada espero.
Afinal, quem sou eu e o que quero?
 
Não sou nenhum poeta,
quanto muito, um falso profeta.
Um ser sombrio do escuro,
sem passado e sem futuro.
 
Eu sou notas de flauta
fugidas da pauta.
Eu sou sons graves
vagueando por enclaves.
Eu sou estrofes áridas.
Eu sou prosas feridas.
(imagem retirada da internet)
Atentamente,
ejail.

sinto-me: Ferido
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publicado por ejail às 09:21
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