Segunda-feira, 28 de Maio de 2007
Assistência Técnica para a Alma
Por norma guardo o telemóvel no bolso esquerdo das calças. Aquela porra acaba por descair e aloja-se mesmo junto ao escroto. Com todas as radiações inerentes, se um dia tiver filhos, eles já vão, provavelmente, nascer com Bluetooth. Uma vantagem evolutiva que lhes irá conferir competitividade num mundo cada vez mais competitivo, segundo os padrões de Darwin. Mas adiante... Saco o telemóvel do bolso e procuro nos contactos a inscrição “Deus”. Faço a chamada e aguardo. Passados alguns segundos recebo a indicação de que o telemóvel se encontra desligado e ouve-se uma mensagem do Voicemail: “Olá, Eu sou Deus e, de momento, não estou. Para qualquer assunto deixe mensagem ou desligue e faça uma oração. A segunda alternativa fica mais barata e o efeito é o mesmo. Hello, I’m God and I’m away at the moment. For any Issue, leave a message or you can turn off the phone and start praying. The second alternative is cheaper and the effect should be the same. Bonjour, Je suis Dieu (…)”. Desligo. Para o que precisava, Deus era a entidade mais indicada.
(imagem retirada da internet)
Eu costumava caçar os meus próprios alimentos mas cansei-me de andar atrás de caracóis e agora, como toda a gente, quando preciso de alimentos vou às compras. Porém, quando uma loja está fechada ou somos mal recebidos, aproveitamos a poderosa lei do capitalismo, da oferta e da procura, para fazermos compras num outro local. Dessa forma “matamos” dois coelhos com uma cajadada: potencialmente seremos melhor atendidos e contribuímos para uma melhoria global do serviço, enquanto chateamos o comerciante que nos recebeu mal ou não nos recebeu. Ainda com o telefone na mão e dentro da letra “D”, desço um nome abaixo: “diabo” – Neste caso, até sabia o número de cor, porque “666” é de fácil memorização. Deus e o diabo são como multinacionais – mais até multiuniversais - que actuam no mesmo ramo, embora com especializações diferentes. São, em todo o caso, concorrentes e, para melhorar o serviço, decidi aplicar a lei da oferta e da procura. Marco o número e, passados alguns segundos, ouço no meu telemóvel uma voz sensual: “Bem-vindo ao Inferno. Para assuntos espirituais, prima 1. Para assuntos carnais, prima 2. Para ajuda de um operador especializado chamado Maya ou Bambo, prima 3”. Bem… parece que o chifrudo está a fazer um bom trabalho no campo do Customer Relationship Management (CRM) e, aqui para nós, o diabo nunca teve problemas em seduzir. Porque preciso desesperadamente de alimento espiritual, primo a tecla “1” e aguardo. A mesma voz debita mais um menu de múltipla escolha: “Você escolheu assuntos espirituais. Para comércio de almas, prima 1. Para bruxedos e feitiços corriqueiros, prima 2. Para bruxedos e feitiços especiais com sacrifícios humanos, de cabras ou de galinhas pretas, prima 3. Para possessões, prima 4. Para a Assembleia da República, prima 5. Para outros assuntos, ou para ser atendido por um advogado, prima 6”. Nesta altura primo 6 e aguardo: “(…)o tempo médio de espera para atendermos a sua chamada é de 6 minutos. Relembramos que 6 minutos é pouco tempo face à eternidade(…)”. Uma fracção da eternidade depois, uma outra voz faz-se ouvir:
 
-   Inferno, boa tarde! Em que posso ser-lhe útil?
-   Boa tarde. Eu estou a ligar porque tenho um problema que penso poder catalogar de “espiritual”.
-   Muito bem… estou a ver. Tenho o prazer de estar a falar com… Já tem cartão de cliente?
-   Não, não! Não tenho cartão de cliente. É a primeira vez que estou a ligar para aí e o meu nome é ejail. Para já não pretendia aderir. Gostava, primeiramente, de aferir da qualidade do serviço.
-   Sr. Ejail, nós aqui no inferno, somos uma empresa certificada. Estamos certos de que, após experimentar os nossos serviços, se converterá num cliente habitual e ficará eternamente connosco. Mas qual é então o problema que o traz por cá?
-   Bem… é que eu sinto-me triste, só e vazio. Não sei como, mas estas três coisas cabem todas dentro de mim…
-   Hum… um pouco como a Santíssima Trindade…
-   Não diria tanto... Trindade sim, mas não santíssima… um bocado por aí…
-   É muito fácil para nós, empresa especializada e certificada, resolvermos o seu problema. Arranjamos-lhe já uma festa, uma Playmate e, quanto ao seu vazio, digamos que lhe podemos encher os bolsos com um jackpot do Euromilhões.
-   Uau! Hum… mas espere… e acha que, com isso, eu fico bem?
-   É garantido! Só tem de fazer uma coisa primeiro.
-   Sim, sim! O que é que tenho de fazer?
-   Tem que nos vender a sua alma. Hoje em dia é um processo de muito fácil concretização. Só tem que ir ao eBay e colocar um anúncio. “Alguém” a vai comprar. Mas pode também, se preferir, enviar a sua alma por transferência bancária no multibanco.
-   De facto, vocês ai no inferno, estão a trabalhar bem. Parece tudo tão fácil e a alma é algo que não parece fazer falta nenhuma no dia-a-dia. Se ninguém me dissesse que tenho alma, provavelmente nem sabia que a tinha. Mas não sei… vamos fazer assim: Vou tirar um tempo para reflectir e depois digo qualquer coisa…
(imagem retirada da internet)
E desligo.
 
Aquela coisa da alma… Aqui a atrasado estive a comparar-me a uma caneta e não via grandes diferenças. Era uma Bic… Não sei quase nada sobre a alma e pergunto-me se não será ela, a alma, a responsável por eu não ser “inanimado” como a caneta? Mas não sei… se estivesse a reparar um Boeing e visse um parafuso, e não soubesse para o que servia, acho que não o ia tirar…
 
Talvez, aproveitando um buraco na lei, eu consiga obter aquilo que pretendo e ficar com a alma. A lei diz que posso assinar um contrato e é-me concedido um período de carência em que posso voltar atrás. Portanto, a ideia seria vender a alma ao diabo, fazer a festa, fornicar a Playmate e ganhar o Euromilhões. Consumados os benefícios vou, num ápice, arrepender-me junto de Deus. Claro que há sempre coisas que podem correr mal, como por exemplo: Deus estar sem rede no telemóvel... Mas já pensei em tudo. Vou ligar a Deus de uma igreja, porque lá têm mais rede. Se, ainda assim, Deus não me atender, posso sempre tentar comprar uma outra alma que esteja para venda no eBay…
 
Não é fácil aplicar o sistema chinês ao capítulo espiritual. Um país e dois sistemas, versus, uma alma e dois deuses. Não é fácil e não sei se é viável. Ninguém pode andar muito tempo em cima do muro, algum dia há-de cair para um dos lados. Portanto, para evitar todas estas complicações, o melhor é manter o telemóvel junto ao escroto, não acreditar em Deus, não acreditar no diabo e não acreditar na alma. Talvez o melhor seja mesmo continuar a sentir-me triste, só e vazio.
 
“A grandeza da oração reside principalmente no facto de não ter resposta, do que resulta que essa troca não inclui qualquer espécie de comércio” - Antoine Saint-Exupéry.
 
Atentamente,
ejail.

sinto-me: Idiota

publicado por ejail às 17:04
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Sexta-feira, 25 de Maio de 2007
Pouca gente sabe...
Pouca gente sabe porquê, mas este é um dos meus poemas preferidos de António Gedeão:
 
"Poema do Gato
 
Quem há-de abrir a porta ao gato
quando eu morrer?
Sempre que pode
foge prà rua,
cheira o passeio
e volta pra trás,
mas ao defrontar-se com a porta fechada
(pobre do gato!)
mia com raiva
desesperada.
Deixo-o sofrer
que o sofrimento tem sua paga,
e ele bem sabe.
Quando abro a porta corre pra mim
como acorre a mulher aos braços do amante.
Pego-lhe ao colo e acaricio-o
num gesto lento,
vagarosamente,
do alto da cabeça até ao fim da cauda.
Ele olha-me e sorri, com os bigodes eróticos,
olhos semicerrados, em êxtase,
ronronando.
Repito a festa.
vagarosamente,
do alto da cabeça até ao fim da cauda.
Ele aperta as maxilas,
cerra os olhos,
abre as narinas,
e rosna,
rosna, deliquescente,
abraça-me
E adormece.
Eu não tenho gato, mas se o tivesse
quem lhe abriria a porta quando eu morresse?"
(imagem retirada da internet)
António Gedeão.

sinto-me: Um Gato
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publicado por ejail às 14:40
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Quarta-feira, 23 de Maio de 2007
Coragem
É preciso coragem para admitirmos que somos cobardes. Mas se somos cobardes e temos que ter coragem para admitir que o somos, poderemos afirmar que a coragem e a cobardia se encontram em pólos opostos?
 
Não é tão linear. Não creio que se possa dizer, de uma forma simplista, que é preciso coragem para admitir que somos cobardes. Creio que, essencialmente, se poderá dizer que é preciso coragem para sermos honestos connosco. Portanto, a sentença seria: é preciso coragem para sermos honestos, para admitirmos que somos cobardes. Desta forma distanciamos um pouco mais o conceito de coragem e o de cobardia. Mas isso não significa que a coragem e a cobardia estejam em pólos opostos. Ambos os conceitos derivam de um factor comum: o medo. Nascem do mesmo “ovo”.
 
Agir com coragem ou agir com cobardia é uma reacção que se pode ter perante um determinado medo. Não há ninguém que possa dizer que é totalmente corajoso ou totalmente cobarde. Pode afirma-lo mas está a mentir, não está a ser honesto. Cada medo é um medo e cada reacção é uma reacção. Todos nós já tivemos episódios em que nos acobardamos e episódios em que nos agigantamos perante determinado medo. A nossa personalidade vai sofrendo mutações e vamos vencendo certos medos, vamos sendo vencidos por outros e vamos criando medos novos. Há pessoas que têm um passado rico em acções de coragem e são mais propensas a reagir com actos de coragem mas, a qualquer momento, estão sujeitas a reagir com cobardia. Da mesma forma que há pessoas que têm um passado pobre em acções de coragem e são mais propensas a reagir com actos de cobardia mas, a qualquer momento, estão sujeitas a reagir com coragem. A cada desafio que surge, é-nos dada uma nova oportunidade de optar. É o livre arbítrio que me diz, de cada vez que tenho que decidir, que o destino não está escrito. As circunstâncias podem ser mais ou menos favoráveis mas, em última instancia, eu tenho uma palavra a dizer.
 
Há dias fiz uma introspecção ao meu “eu profundo”. Tentei ser o mais honesto possível comigo mesmo e cheguei à conclusão que não sou tão corajoso como pensei que era. Creio que globalmente sou uma pessoa cobarde e pontualmente exibo alguma coragem. Tenho demasiados medos e paraliso demasiadas vezes perante eles. Sinto-me, em muitos casos, como um rato a fugir de um navio que naufraga. Tenho feito pouco uso da “palavra” perante as dificuldades e muitas vezes procuro a fuga mais fácil. É difícil confessar a nossa cobardia e a confissão implica coragem. Ser honesto implica – espero - coragem…
(imagem retirada da internet)
Atentamente,
José.

sinto-me: Pensativo
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publicado por ejail às 11:13
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Terça-feira, 22 de Maio de 2007
Algaraviada
Esta coisa do coração mexe com a cabeça. E não há cabeça no mundo que consiga perceber o que o meu coração está a esconder. Porque ele próprio se esconde, cansado pela muita tristeza que teve - e que ainda tem - de carregar. Bem que o ouço a pedir descanso entre as - cada vez mais - frequentes arritmias. Bem que o ouço gemer entre cada batimento irregular. Parece quer desistir mas, quando já nada espero, eis que me bate de novo. Sinto-me muito só, perdido, sem perspectivas e com o coração nas mãos. Mas nada disto interessa – nem quero que interesse – a ninguém!
 
Fico revoltado por cair nesta condição de absoluta tristeza. Não me conformo! Mas esta solidão que me gela os ossos parece ser mais forte que todas as minhas forças. Pode dizer-se que é uma cobardia mas acho que mais cedo ou mais tarde isto vai acabar comigo. É claro que vou sempre dizer que não, que não, que não... Vou sempre repetir que não até fazer de conta que acredito. Mas, comigo… bem… comigo é só garganta…
(imagem retirada da internet)
A verdade é que, diga eu o que disser, nunca me senti tão só como hoje e não prevejo que o amanhã vá ser melhor. Hoje não vislumbro esperança, não vislumbro amor e não me sinto com fé para continuar. Estou sobremaneira cansado. Parece que hoje vou ter, sem dúvida, um bom combate pela frente. Parece que, amanhã, também. Hoje estou no meu melhor! E amanhã?...
 
Desatentamente,
ejail.

sinto-me: Deprimido

publicado por ejail às 10:36
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Segunda-feira, 21 de Maio de 2007
O que é isso que te cai dos olhos?
Lágrimas são gritos,
sons mudos e analfabetos que não se ouvem.
São abafos que desabafam a olhos vistos.
Poemas secos que chovem.
 
Água e sedimentos,
partículas de coisas sem corpo que se incorporam.
Vácuo ou plenitude condensados por momentos,
por instantes; ou lembranças que surgem e se demoram.
 
São espinhos, são pétalas,
gotículas incompreendidas.
Elas...
Elas são: sobretudo, sobretudo... sentidas.
 
Atentamente,
ejail.

sinto-me: Triste
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publicado por ejail às 10:10
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Quinta-feira, 17 de Maio de 2007
1 improviso de 2 minutos para ler, sentir e esquecer
O ar enche-se de partículas de luz,
respira-se perfume e as hormonas parecem saltar por entre os poros da pele.
Há uma renovação cíclica da natureza
que, todos os anos, desperta do seu sono de inverno.
 
Ouve-se o chilrear dos pássaros e sente-se o declamar de poemas por boémios.
E as cores, reflectidas pelos jardins viçosos, parecem pintar o meu interior cinzento
e despertar leves texturas que desaguam num rosto semi-jovial.
É como uma vitamina que me aveluda o paladar pela vida,
esta Ănima de Gaia, translúcida, que me transcende.
 
Há dias em que me sinto cheio de tudo.
Mas, vendo bem as coisas, eu não tenho nada.
Os sentidos que possuo são emprestados
e é-me concedido o privilégio de passear por jardins que meus não são.
 
Ouço a liberdade que passa por entre as folhas das árvores
e por entre as brancas nuvens do céu.
Ouço-a dizer-me, com suavidade, ao ouvido:
A primavera… dá-se também dentro de nós.
(imagem retirada da internet)
Atentamente,
ejail.

sinto-me: Snifador de Pólen
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publicado por ejail às 11:41
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Terça-feira, 15 de Maio de 2007
Velhos são os trapos… e eu.
“Eu sou Aquele que sou” – disse Deus a Moisés.
 
Por outras palavras, Deus disse que Moisés era um metediço e mandou-o à fava.
 
Os meus olhos já não se abrem tanto como quando tinha 20 anos. A massa corporal aumentou ligeiramente mas, para mal dos meus pecados, de uma maneira disforme. Os ossos fazem mais barulho e as juntas tornaram-se mais lentas. Músculos? Sempre foram um bocadinho tímidos… A pele revela menos elasticidade e, ao mesmo tempo, exibe mais vincos… transpira algum cansaço… Por outras palavras: estou bem lixado das cruzes.
(imagem retirada da internet)
Regra geral, a sociedade dos nossos dias dá primazia ao aspecto físico em detrimento de outros valores. Mas, pior que isso, estipula padrões ideais de beleza difíceis de atingir pelo cidadão comum. O cidadão comum é impelido, por uma série de factores, a realizar sacrifícios para atingir tais padrões com o fim de atingir um estatuto social que o permita sentir-se integrado. Escusado será dizer que muitos não conseguem e há até quem morra a tentar.
(imagem retirada da internet)
Eu penso que o meu bem-estar físico só a mim diz respeito. Se eu quiser ir ao ginásio, faço-o por mim e não pelo que os outros possam pensar. Portanto, quando vejo aqueles anúncios de aparelhómetros electro-adelgaçantes, aqueles frascos de reduce-lipo-fat-fast, cremes anti-age for metrosexual men Q?10, ou desenvolvedores de pénis milagrosos, a única coisa que eu - como ser humano ( alegadamente ) esclarecido - posso dizer é: eu sou aquele que sou… e ninguém tem nada a ver com isso… e mando-os todos à fava! Eu sou aquele que sou... com defeitos e virtudes. É isso que me torna único. Não quero ser nenhum clone, nem um imitador! Essencialmente é uma questão de atitude mental. É lógico que, aqui para nós, fisicamente não me importava de ser um garanhão como o Sancho Pança, mas não é por isso que vou andar deprimido. Mais importante, para mim, é ser bonito por dentro. Não é que o seja… Acho, mesmo, que precisava de uma lipoaspiração espiritual mas, desses tratamentos, não inventam eles…
(imagem retirada da internet)
ps: eu não fumo. Mas, se fumasse, só deixava de o fazer por mim e não pelo que os outros possam pensar. Sem pressões... quando me sentisse preparado. Os outros, esses metediços, que vão à fava!
 
Atentamente,
ejail.

sinto-me: Pensativo

publicado por ejail às 21:59
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Sábado, 12 de Maio de 2007
Poesia Falida
Isto é poesia falida... tal como eu...
 
Ave Mutante
 
Num quarto fosco de uma pensão,
esmagado pela claustrofobia e pela tensão.
Observo da janela as fachadas
sob um céu de estanho e nuvens queimadas.
 
Um homem senta-se numa escada
e começa a escrever numa folha apagada.
Entre goles de chã de pericão,
medita nas contingências de um dia de cão.
 
Sinto-lhe um sabor a doente acamado
e um azedume de já não ser procurado.
Parece enleado em lençóis de naftalina,
quebrado e carpido no seio da neblina.
 
Mais longe e a brincar está um puto mimalho,
agarrado ao velho cartaz de um talho.
Um bife e vísceras em promoção,
servindo o pó, esquecidos o propósito e a função.
 
Adultos apressados levantam luxo no Multibanco,
mesmo ao lado da fome e do multi-manco.
Padres e homens de fé que ignoram as guerras
e movem os olhos para trás das serras.
 
Dizem que a fé move montanhas,
que é preciso ser puro até às entranhas…
Esses padres e pastores que vivem no seio do comodismo,
que conduzem os imensos rebanhos ao abismo.
 
Ídolos defuntos, ao fundo, no altar da igreja
e a serpente sedutora que à saída rasteja.
Beatas e viúvas ao lado de prostitutas,
de costas voltadas, as velhacas e as astutas.
 
Vejo velhas insípidas soterradas em cosméticos,
reduzidas ao absurdo por cálculos estequiométricos.
Nados-mortos nascidos de parto natural,         
desfigurados por doses e overdoses de epidural.
 
Homens de negócio cinzentos e engravatados,
cheios de orgulho e tão abastados.
Seres maquiavélicos por baixo do fato aprumado,
ratos mesquinhos de um esgoto inquinado.
 
E os homens de barba moral e de princípios,
que apedrejam os coitados dos ímpios.
Os falsos profetas de falsas esperanças,
os assassinos e os caçadores de crianças.
 
Esses espectros especializados na vaidade,
que morrem à sombra da saudade.
Esses demónios que não passam de larvas de gente,
essa gente sob um céu adstringente.
 
Recordo-me do meu avô no pombal,
daquela minha longínqua infância tribal.
Lembro-me das travessuras e da inocência antiga,
de como me movia e sorria antes da grande fadiga.
 
Depois veio a agonia da puberdade,
o preconceito mentiroso contra a verdade.
Veio tudo aquilo que é ruim de saber,
que há venenos que não se deve beber.
 
Lembro-me, também, de amar e verter Cloreto de Sódio
e não me esqueço de ser vomitado com Hidróxido de ódio.
Não esqueço o apodrecer nos intestinos do destino,
a pestilência assassina que não tinha em menino.
 
O tempo é o das rugas e dos maus-tratos,
é o que me amputou da paisagem e dos retratos.
Esse vento que me toca e se esfuma,
esse feitiço que me colhe na bruma.
 
Enterrado de olhos no céu: Pai, Filho e Espírito Santo,
por que não cessa nunca o meu pranto?
Por que é que nem todo o ensinamento e doutrina,
chegou para acender a luz de uma única lamparina?
(imagem retirada da internet)
O aperto da asma,
o esvair num aneurisma.
É demasiado tarde,
esta dor corrói e arde.
A guerra dos mundos,
uma batalha sem escudos.
Uma explosão nuclear,
a chama que me vai apagar.
A radioactividade,
a aceleração da idade.
A chegada dos anjos,
a mutação dos beijos.
O fim do pecado,
o enterrar do machado.
O fim das minas,
a era perfeita das máquinas.
O fim das sevícias,
o fim das carícias.
A eterna adoração,
a eterna maldição.
Uma nova monção,
uma nova canção.
O início do temor,
o início e o fim do amor.
A partida de Sancho Pança,
a chegada da temida livrança.
Chegou a hora da matança.
A morte de D. Quixote,
os ossos num caixote.
Cavaleiro andante,
cavaleiro amante.
Cavalheiro mutante.
Tudo, tudo... tudo... um baú de incertezas,
um grande mealheiro de tristezas…
 
Esta poluição,
esta tão grande falta de convicção.
Estes campos de joio incendiados,
estes espíritos ceifados…
 
Um dia pensei que a vida era como um beijo,
um suspiro inspirado por poetas no calor do desejo.
Nunca imaginei o inferno com que fico,
onde os pássaros jamais terão bico.
 
O crepúsculo deixa-se abater pela escuridão,
é a fuligem que vem com o Armagedão.
Porém vejo ainda um pica-pau às cabeçadas,
nos troncos soltos das arvores despedaçadas.
 
Está decidido: não vou pensar mais nela,
cerro os punhos e fecho a janela!
Lavados os olhos, vendo bem e apesar de tudo,
não ser amado não é o fim do mundo…
 
Atentamente,
ejail ( sob muitas nuvens cinzentas ).

sinto-me: Deprimido
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publicado por ejail às 19:48
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3 Perguntas Sem Resposta - Parte 3
Existem inúmeras razões que levam uma galinha a atravessar a estrada. Esta é apenas uma delas:
 
Ingredientes ( para 4 pessoas ):
 
- 1 frango médio
- 2 colheres de sopa de óleo
- 1 colher de sopa de manteiga
- 120g de bacon cortado em pedacinhos
- 1 folha de louro
- sal e pimenta q.b.
- 1 cerveja preta ( 33cl )
- 8 cebolinhas
 
Modo de preparação:
 
Corte o frango em pedaços.
Leve ao lume um tacho com o óleo e a manteiga; quando aquecerem, junte os pedaços de frango e deixe-os dourar por igual.
De seguida, misture os pedacinhos de bacon e a folha de louro e tempere com sal e pimenta. Adicione então a cerveja, tape o tacho e deixe cozinhar durante 40 minutos, em lume brando.
Passados 25 minutos, junte as cebolinhas descascadas e deixe acabar de cozinhar.
Sirva o frango com massa cozida ou arroz e legumes salteados.
 
Dica do chefe:
Pode utilizar cerveja normal. As cebolinhas podem ser substituídas por cogumelos. Também pode preparar esta receita com oito perninhas de frango”.
(imagem retirada de livro)
Esta receita dá pelo nome de "Frango com cerveja preta" e é uma cortesia involuntária do chefe Hernâni Ermida. É de fácil preparação, económica e leva cerca de 50 minutos a confeccionar.
 
Este blog cumpre assim o seu derradeiro destino, que é contribuir para uma considerável ( alegada ) melhoria do nosso mundo gastronómico, enquanto desperta consciências para os problemas que afectam a sociedade galinácea.
 
(Continua… se não se registarem casos de intoxicação alimentar entre os leitores…)
 
Até lá... Bom apetite!

sinto-me: Cozinheiro

publicado por ejail às 14:58
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Quinta-feira, 10 de Maio de 2007
3 Perguntas Sem Resposta - Parte 1
Desde tempos imemoriais que a filosofia encerra três questões que têm assolado a humanidade. Muitos teólogos, pensadores e experimentalistas se têm debruçado sobre elas mas até hoje continuam sem uma resposta inequívoca. São elas, por ordem meramente aleatória:
 
- Quem sou eu?
- O que há para além da morte?
e
- Porque é que a galinha atravessou a estrada?
 
Não sou pretensioso ao ponto de tentar responder a qualquer destas questões. Quando penso naqueles pensadores que ensaiaram pensamentos em volta destas perguntas, torno-me subitamente mais humilde. Mas nada impede que procure, para mim mesmo, algumas tentativas de resposta para tentar saciar o meu espírito inquieto.
 
Quem sou eu?
 
Que pergunta! Estou na minha secretária a escrever e penso: será que a caneta, que tenho à minha frente, tem consciência de si mesma? Alguém poderá dizer que é um objecto inanimado e, dessa forma, responder rapidamente à pergunta. Mas, por outro lado, se pudéssemos pegar num microscópio superpotente e fossemos analisando a caneta, cada vez mais ao pormenor, até chegarmos ao nível do átomo, do electrão, ou do quark, veríamos que, tal como num ser vivo, há actividade na matéria que compõe a caneta. Portanto, custa-me dizer que a caneta é um objecto inanimado… Mas, apesar disso, não me custa admitir que a caneta não tem consciência de si mesma.
(imagem retirada da internet)
A caneta é um objecto constituído por uma infinidade de partículas de matéria. Eu sou um objecto constituído por uma infinidade de partículas de matéria. O que me distingue da caneta? Há algo que tenho que, aparentemente, a caneta não terá: uma consciência. A caneta escreve porque alguém pega nela e faz a sua ponta deslizar por uma folha de papel. Não me parece que tenha vontade própria. Mas, por outro lado, será que a minha vida vai sendo escrita de acordo com a minha vontade própria? Nesse aspecto poderei sentir-me, uma vez mais, igual à caneta. Mas há mais semelhanças entre mim e a caneta. A caneta escreve até se lhe acabar a tinta. Depois, ou é deitada fora, ou recarregada para continuar a escrever. Em certa medida, a nossa vida também vai sendo escrita e, como a tinta, vai-se acabando. Depois, quando a vida acabar, podem acontecer duas coisas: não há mais nada para além da morte e isso significa que vou para o lixo – se tiver sorte, servir de húmus para adubar os campos agrícolas - ou, pelo contrário, há algo mais para além da morte e é-me dada uma recarga de vida, para além de servir de húmus para adubar os campos agrícolas. Este paradigma, no entanto, já se enquadra na segunda questão e não a quero, para já, desenvolver.
 
O importante, neste momento, é saber se tenho consciência de mim mesmo. É saber se sou potencialmente diferente da caneta que, aqui, representa um ser “inanimado”. Talvez, como a caneta, eu não consiga impor a minha vontade mas, pelo menos, consigo impor a minha dúvida. E, será a dúvida, composta por matéria? Será que devo procurar na matéria a diferença entre mim e a caneta? Será que é no capítulo material que devemos procurar as diferenças entre um ser animado e um objecto inanimado?
 
O facto de poder questionar, quem sou e o que é a questão, deve ser facto suficiente para me dar ânimo. Portanto, à pergunta “quem sou eu?”, respondo: Não sei, só sei que estou animado…
 
(Continua... quando a caneta tiver vontade...)

sinto-me: Pensativo

publicado por ejail às 12:26
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Domingo, 6 de Maio de 2007
Miguel Street
Li, uma vez, num livro de V. S. Naipaul, intitulado de “Miguel Street”, uma frase que nunca mais esqueci. O livro é bom sem dúvida e vale muito mais do que por uma frase mas, foi esta “oração”, que mais me marcou. Dizia algures (não textualmente): Riste-te o dia todo, à noite vais chorar.
(imagem retirada da internet)
Conheci, recentemente, alguém especial. Tem um sentido de humor característico de uma pessoa inteligente e uma profundidade emocional que faz com que sinta vontade de a conhecer melhor. Passou por muito e chegou até aqui inteira, precisamente por ter tantas qualidades. É uma pessoa forte, sensível e consciente de si mesma. Oscila por momentos de revolta, de ironia e até de alguma normalidade, mas volta sempre, mais cedo ou mais tarde, aos momentos de melancolia que tanto a fazem sofrer. A noite acaba sempre por chegar…
 
Porque é, para mim, alguém tão especial, gostava de saber como a ajudar. Dizem, algumas correntes de pensamento, que para combater os sentimentos depressivos, devemos utilizar os opostos. Assim, para vencermos a tristeza devemos utilizar a alegria e para vencermos as lágrimas devemos utilizar um sorriso. Suponho que, tanto ela como eu, já nos apercebemos disso. Mas há tristezas, e agora falo por mim, que não desaparecem quando as regamos com alegria e há lágrimas que não secam quando as cobrimos com um sorriso. Apelando ao realismo, acho que há tristezas e lágrimas que apenas podem ser escondidas e não vencidas.
 
Eu não sou uma pessoa alegre, portanto este blog e eu não estamos a ser totalmente verdadeiros. Acho, sinceramente e modéstia à parte, que este blog e eu temos sido uma porcaria. Temo que todo o sentido de humor, que dediquei a esta pessoa, tenha feito com que eu não pareça uma pessoa genuína e tenha perdido credibilidade. Mas… só queria ajudar… Hoje já deu para ver que me sinto triste: já ri demais e talvez, ao dia 6 de Maio, tenha chegado novamente a noite. Mas voltando às raízes… Claro que, para ser honesto, tenho que responder à pergunta: porque a quero ajudar? E não sei a totalidade da resposta, mas sei como começa…
 
Eu gosto de ti, Gabi…
 
Teu José.

sinto-me: Confuso
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publicado por ejail às 11:54
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Sábado, 5 de Maio de 2007
Bruxedos e Bruxarias
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“Encosto – Wikipédia
Encosto, ou Possessão, segundo a interpretação religiosa, é um fenómeno maligno provocado a alguém por uma entidade exterior, nomeadamente um espírito ...”
 
Não é fantástica, a Wikipédia? No meio de 515.000 registos foi a primeira. É como o espermatozóide mais forte!
 
De uma forma muito simplista, um encosto é um espírito que se encosta a alguém deste mundo. Difere da possessão na medida em que não entra na pessoa, apenas a acompanha. Como exemplo não me ocorre nada melhor que usar o caso do Emplastro. Reparem que ele não entra porque não pode…
(imagem retirada da internet)
Enquanto que uma pessoa que sofre do mal do encosto manifesta essencialmente problemas neurofisiológicos que se enquadram na categoria da depressão, tipicamente uma pessoa possuída exibe traços que a levam muitas vezes a cair em situações que os médicos descrevem como ataques de epilepsia. Existem, no entanto, outras possíveis manifestações para um episódio agudo de possessão. Tais episódios não podem ser descritos recorrendo à palavra e só podem mesmo ser documentados com a ajuda da imagem. Estão a ser desenvolvidos esforços para se transportar tais descrições para Braille mas, até ao momento, não se conhece particular sucesso. Abaixo, alguns exemplos de episódios gerais de possessão:
(imagem retirada da internet)
Possuído mas inócuo. Para estes casos não vale a pena iniciar tratamento específico. O individuo não constitui particular perigo para a sociedade nem para ele próprio.
(imagem retirada da internet)
O tradicional exemplo de uma pessoa de portas abertas. Os espíritos entram e saem com grande facilidade e frequência. Manifesta estados agudos de inadequação e obscenidades, e o seu centro de gravidade descai muito frequentemente para a direita. Em casos extremos, é necessário muito trabalho para o libertar.
(imagem retirada da internet)
Aqui já um caso de Antes e Depois. Antes do exorcismo e depois do exorcismo. Efectivamente há marcas que não desaparecem e, mesmo depois de deixar de jogar headbol, a marca Zidane vai continuar a vender.
(imagem retirada da internet)
Um caso perdido.
 
Poderíamos facilmente encontrar mais exemplos para ilustrar estes dois "estados de espírito", mas este compendio não pretende, de todo, ser um manual de referência. Este artigo pretende apenas chamar a atenção para assuntos que, muitas das vezes, estão ocultos à sociedade em geral.
 
Quando era pequeno levaram-me à bruxa. Era algo normal antigamente e... eu era difícil de aturar… A bruxa disse que eu tinha um encosto de um enforcado e, segundo parece, é daqueles que não se querem ir embora. Não é propriamente agradável, andar por aí com um enforcado sempre atrás de mim, mas acho que sempre é melhor que ser possuído…
(imagem retirada da internet)
Exemplo exagerado de uma possessão violenta
 
À espera de ser fortemente processado e de alegar demência temporária,
 
Atentamente,
ejail
… e enforcado.

sinto-me: Espirituoso
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publicado por ejail às 19:06
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Quinta-feira, 3 de Maio de 2007
Cadeia Alimentar
Dizem que o homem está no topo da cadeia alimentar.
Dizem que nem só de pão vive o homem.
Dizem muita coisa…
 
A cadeia alimentar é um objecto difícil de sistematizar porque é, em tudo, demasiado complexo. É um organismo vivo em constante mutação. Darwin defendia que a evolução é o resultado da sobrevivência dos mais fortes. Mas será que isso pode ser aplicado ao homem? Será que o ser humano está a evoluir ou, pelo contrário, se encontra em franca regressão? É uma questão que tem tanto de interessante como de desinteressante. Mas avancemos… Comecemos por definir “mais forte”. É cientificamente aceite que, mais forte é “capaz de melhor adaptação”. Assim sempre que, em determinado habitat, são trocadas as perguntas o ser mais forte é aquele que mais rapidamente encontra as respostas certas. Estamos a começar a chegar lá…
 
A cadeia alimentar, que quero efectivamente abordar, não está, de todo, relacionada com o alimento em si. Parece um contra-senso mas será que é?... Não é do pão que pretendo falar. É interessante trazer Darwin para a sociologia e analisar as relações entre hierarquias e entre iguais numa sociedade, num determinado período de tempo. Porém, se atendermos a Darwin, teremos que considerar que a linha do gráfico da evolução do homem anda sempre no mesmo sentido da evolução da linha temporal. Mas… e as calças de boca-de-sino?
 
Como é que, algures cerca de 1960 anos depois de Cristo, apareceram estes estranhos artefactos da evolução? É aqui, na minha opinião, que Darwin perde a batalha. É aqui que a teoria da evolução cai por terra! Apesar de hoje ser anedótico, na época esse modelo de calças era inovador e fazia, do pobre ser humano que as usava, uma pessoa avançada e moderna. Hoje existem outros adereços mas, alguns deles vão ser, daqui a uns anos, equiparados às famigeradas calças. É inevitável! Claro que, hoje, quem usa os adereços inovadores já não é tida como uma pessoa moderna. A palavra moderna já está antiquada. Nos dias de hoje quem usa esses adereços de proa são os chamados Cool.
(imagem retirada da internet)
Usar calças de boca-de-sino ou os adereços actuais equivalentes ( como piercings, tatuagens new age e óculos escuros do tamanho de capacetes ) não é só uma questão de moda. É também um estado de espírito, uma atitude perante a vida e a sociedade de Darwin. Quem os usa são indivíduos "diferentes" e não são necessariamente os mais fortes… mas são, sem sombra de dúvida, os mais cómicos. Porque é importante não nos esquecermos do velho pensamento intemporal que atravessa gerações: mudam-se os tempos, mudam-se as vontades. Portanto, se algum dia foste Cool e te deixaste fotografar, aconselho-te a teres as fotografias debaixo de olho...
(imagem retirada da internet)
As pessoas precisam de se sentir integradas num grupo com as mesmas crenças e afinidades e, ao mesmo tempo, precisam de se sentir únicas nesse grupo. Procuram ídolos e combinam-nos, como se fossem peças de legos para construírem a sua personalidade original - não me estou a excluir, mas eu sou mais uma construção monolítica de tijolo burro. Haverá alguém que, em consciência, pode dizer: eu sou original. Talvez sejamos todos ( ou maioritáriamente ) cópias originais. No entanto, ser Cool tem uma enorme vantagem para o indivíduo. Ser Cool é um factor preponderante para aumentar as probabilidades de o indivíduo acasalar. Quem é Cool pode, perfeitamente, dizer com convicção que nem só de pão vive o homem. Quem é Cool tem direito a umas boas postas de carninha e, no fundo, no fundo, o que se passa é que eu estou esfomeado e tenho uma certa inveja de não ser Cool… É verdade! Não arranquem os cabelos por mim... Bem sei, minhas fãs, que estão desoladas mas… o ejail não é lá um tipo muito Cool. O ejail é apenas um lobo solitário com o pêlo desgrenhado e sem adereços... tirando o telemóvel, claro.
(imagem retirada da internet)
Atentamente,
( me liga, vai... )
ejail.

sinto-me: Pensativo

publicado por ejail às 16:07
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Quarta-feira, 2 de Maio de 2007
Quinta Dimensão
Terrorismo
Terrorism
 
Pronto! Já arranjei mais fãs para o meu blog do que qualquer outro que aqui esteja alojado. O Echelon já filtrou a palavra acima e enviou-a para o departamento de defesa norte-americano. Se eles não perceberem português de Portugal, têm a tradução mais abaixo para inglês dos Estados Unidos. Para ajudar à festa: weapon, Bush, shot, president, bomb, Ahmadinejad, Nuclear, Noddy. Acho que já está...
 
Sexo grátis
Sex for free
 
Sexo e grátis são palavras muito procuradas nos motores de busca. Não é que me interesse muito por estes temas… – vou reformular – ...é que me interesse muito por estes temas mas o que pretendo é, tão-somente, fazer com que o blog apareça no resultado das pesquisas. Para além do pessoal governamental, também quero ter alguns visitantes do sector privado. É Marketing. Será que ainda ninguém nota uma súbita sobrecarga dos servidores do Sapo?... E, agora que tenho público, já posso começar a escrever.
(imagem retirada da internet)
Muito bem… Para um produto que ainda não existe já tenho uma boa divulgação. Porque o importante, hoje em dia, não é o conteúdo mas sim a embalagem… e que embalagem isto já leva! Mas do que irá falar este blog? Deve ter algum objectivo? Claro que não. Não vai falar de nada, nem vai ter nenhum objectivo. Isso seria presunção. Não é preciso nenhum estudo de mercado para constatar que, baixando o nível, aumentam as audiências. É a lei de Tuga! - Leituga, para o comum dos portugueses. Se houvesse, portanto, um objectivo, esse seria o único.
 
Autor
 
O autor deste blog tem o 12º ano e uma licenciatura em Vácuo Aplicado – Vazio Esvaziado, em português. Vai, lamentavelmente, mas ao que tudo indica, fazer 30 anos este mês - se esquecermos a história do Echelon, claro. É uma pessoa deprimida e com alta propensão para a autocrítica. Pensa demais e age pouco, ao mesmo tempo que pensa mal e age pior. Se a Ténia fosse um signo do Zodíaco esse seria, sem dúvida, o seu. Por que é uma pessoa muito solitária e, durante muito tempo, foi um parasita. Mas a Ténia não é um signo do Zodíaco, portanto resta-lhe ser Touro – algo ou alguém lhe pôs um par de cornos… Bem, mas como não é jogador de futebol, vai passar, a partir de agora, a escrever na primeira pessoa do singular: ele sou eu. Decidi criar este blog para falar de tudo e para falar de nada, essencialmente de nada. Mas, sobretudo, este pequeno canto de escrita é uma terapia desesperada para tentar deixar o Hi5…
(imagem retirada da internet)
Atentamente,
ejail.

sinto-me: Infante D. Henrique
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publicado por ejail às 16:32
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