Domingo, 9 de Janeiro de 2011
Bom Ano!

 

Após tanto tempo sem escrever, seria de supor que tenho algo relativamente interessante para dizer. Não poderia, esta ideia, estar mais desviada da verdade. Neste canto, dizer algo de jeito, é pura ficção.

 

Este blog está em total decadência. Vazio de conteúdos, vazio de ideias, sem rumo, desalmado. Com uma linha estratégica de marketing, superiormente elaborada, no sentido da desgraça e da auto e alta (ou baixa) destruição. Este conjunto desconexo de textos está, a muito e muito, a caminho da aniquilação: o Apocalipse da Quinta Dimensão. Mas, para que conste, não tenho, como é hábito, qualquer responsabilidade no caso. A culpa é das famosas e famigeradas redes sociais: do Facebook e do Twitter, que esmagam as minhas audiências. – pausa para rancor (mínimo de 20 seg). – Ainda dei alguma luta com as minhas (vossas) 6381 visitas mas, por muita qualidade que elas tenham, se as convertesse em assinaturas não chegavam para concorrer à presidência da república. Como se não bastasse, estou fora de moda: ando pouco na rede e nada social.

 

Não escrever durante muito tempo não me esclarece a mente e provoca-me dificuldades ao nível das, sempre difíceis, decisões de colocação de virgulas. Escrever pouco é, também, em incerta medida, como deixar de lavar os dentes. Se, no caso da badalhoquice, ganhamos um sem número de amigas que dão pelo nome de bactérias, no caso da ausência de escrita, amealhamos os erros ortográficos. Se, no primeiro caso, ficamos com os dentes numa miséria, no segundo, os textos tornam-se miseráveis. Noto a ferrugem associada a cada letra, a chiadeira que produz cada palavra, as dificuldades de engrenagem entre as frases e a bosta que resulta de tudo isso. No entanto, tudo isso me faz sentir vivo, porque me faz sentir mortal. Claro que a frase anterior é treta (não sinto nada disso mas achei que era uma frase com power de hip-hop).

 

2011 vai ser um ano difícil para todos menos alguns. Se o país está sem valor, talvez nos reste perscrutar dentro de nós os valores que nos fazem, realmente, bem. Dessa forma, por mais que percamos, ganhamos sempre qualquer coisa e, essa qualquer coisa, é mais do que tudo o resto.

 

Um bom ano para todos os pacientes (pela paciência) que passaram e passam por aqui!

 

 

ejail


sinto-me: a rodar em falso
música: um dueto pimba qualquer

publicado por ejail às 23:23
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