Domingo, 1 de Julho de 2007
Poeta Maluco
Era uma vez um poeta: feiticeiro das palavras e mágico dos sentimentos. Um mau escritor que, um dia, perdeu as rimas. Trazia-as, algures espalhadas dentro dos bolsos, juntas com os trocos.
 
Um poeta não sabe nada, está sempre a aprender. Deita-se com a luz das estrelas e levanta-se com o chilrear dos pássaros. Não tem idade: não é velho, nem é novo. Não é nada. Existe apenas quando quer, quando sente o dever de existir - embora, às vezes, queira existir e não saiba como. É algo que não pode ser: desaparece no meio de si e tenta aparecer no seio dos outros. Mas, isso, é só porque é um solitário. Não é cobarde, mas chora como uma criança e ri como um garoto - embora, ultimamente, não consiga encontrar motivos para sorrir. É um puto das ruas, descalço e de cara suja. Um renegado de alma lavada, de alma incompreendida.
(imagem retirada da internet)
A estrada, sabe-o bem, não foi feita para ser percorrida. Foi construída para ser estudada. Evita caminhar por ruas muito percorridas. O caminho foi calcetado para jogar à bola e os campos para dançarem ao sabor dos caprichos do vento. Uma pedra solta é para ser lançada ao mar, ou ao rio. Não importa para onde, desde que seja lançada para o mais longe possível, desde que seja arremessada, com todas as forças, para o âmago do infinito. A chuva são lágrimas de poetas, irmãos que pereceram nas inúmeras batalhas, e se fundiram no Absoluto. O Sol é, por si só, um magnífico poema. Um poeta compreende o ciclo da árvore: a árvore, que no Verão traz a sombra, é a mesma que no Outono dá os versos. Versos: estrofes secas, outrora viçosas, que tombam na manta morta como folhas gastas pelo uso do tempo. A Primavera é a vida em flor e o Inverno o seu fiel cobertor. O frio e o calor são as suas roupagens: um poeta não é morno - embora possa estar adormecido.
 
De dia, ou de noite, há sempre um poeta acordado e pronto a sonhar.
 
Era uma vez um poeta que, por algum tempo, vai desaparecer. Um sofrível escritor que se vai ausentar dentro de si. Talvez só por algumas horas, ou alguns dias…
 
Atentamente,
ejail.

sinto-me: Bêbado (mesmo, acho eu)
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publicado por ejail às 15:45
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2 comentários:
De Infiel a 2 de Julho de 2007 às 02:35
Bêbado??? Que bom!!! Soltas as palavras e joga.as ao vento, faz magia com elas e dança no espaço
Apetecia-me dar-te um desculpa a impulsividade mas apeteceu-me mesmo


De ejail a 2 de Julho de 2007 às 18:38
Infiel…

É com enorme prazer (e sim, prazer é a palavra que mais se adequa) que recebo essa tua impulsividade.

Desculpas, estão fora de questão. Estou-te grato e, se me permites, respondo na mesma linha de impulsividade: ;-)

Um beijo grande, Infiel!


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